Últimas postagens de Destaque

Além das fronteiras: o camarote NOSSO redefine o luxo em Miami

Da Sapucaí ao circuito da Fórmula 1 de Miami, a marca brasileira transforma hospitalidade em uma experiência global de pertencimento.

Se tem uma coisa que aprendemos, talvez tarde demais, talvez no tempo exato é que alguns lugares não são exatamente lugares.

São sensações. São encontros. São aquelas memórias que a gente nem sabia que estava criando… até perceber que não quer mais ir embora.

E talvez seja exatamente isso que o NOSSO sempre foi.

Foto reprodução Instagram @nossocamarote

Depois de conquistar, o posto de um dos espaços mais desejados do Carnaval carioca, o NOSSO faz aquilo que toda história bem contada inevitavelmente faz: avança.

Mas não de qualquer forma.

Avança com intenção. Avança com coragem. Avança… para fora do país.

Porque, veja bem, não é apenas sobre sair da Sapucaí. É sobre entender que quando algo é construído com verdade, ele não pertence a um lugar só. Ele atravessa. Ele ecoa. Ele encontra novos cenários e, mais importante, novas pessoas.

E foi assim, quase como quem aceita um convite impossível de recusar, que o NOSSO desembarca na Fórmula 1 de Miami.

“O NOSSO sempre foi sobre criar experiências que conectam pessoas em torno de grandes momentos”, diz Santiago Vieira, CEO e sócio-fundador da marca.
“Expandir isso para fora do Brasil não é exatamente uma escolha estratégica. É quase uma consequência natural do que a gente construiu.”

Natural, aqui, soa como inevitável. Porque antes de Miami, houve Interlagos. E antes de Interlagos… houve um sentimento.

“Interlagos foi um divisor de águas pra gente. Ali ficou muito claro que o que a gente criou no Carnaval podia existir em outros lugares, com a mesma força”, ele me conta.

Um teste, talvez.
Um daqueles momentos em que a gente percebe que aquilo que parecia único… na verdade, pode ser infinito.

Interlagos não foi só um passo. Foi um ponto de virada.

Um sussurro elegante dizendo: isso pode ir muito mais longe.

E foi.

Foto reprodução Instagram @nossocamarote

Mas Miami, afinal, não é apenas um destino. É um encontro de mundos.

Um lugar onde idiomas se misturam, onde culturas dançam juntas, onde o excesso curiosamente encontra sofisticação.

E talvez por isso faça tanto sentido começar por lá.

Com um investimento de aproximadamente 2 milhões de dólares e um detalhe que, confesso, me fez arquear levemente a sobrancelha: não há ingressos à venda.

Porque o NOSSO não vende acesso.

Ele constrói pertencimento.

“A gente nunca quis ser sobre volume”, Santiago diz, quase como quem compartilha um segredo.
“A gente quis ser sobre profundidade. Sobre conexão de verdade.”

São apenas 130 convidados. Poucos, seletos… quase como se cada nome fosse escolhido não apenas pelo que representa, mas pelo que pode sentir.

“O NOSSO é uma plataforma de relacionamento. E relacionamento não se compra, se constrói com tempo, com cuidado, com intenção.”

E, no fundo, não é exatamente isso que buscamos?

Não mais lugares para ir…Mas lugares que realmente queremos estar.

A lógica continua a mesma. E talvez seja isso que mais me encanta.

A hospitalidade que abraça sem esforço.
A curadoria que não grita, sussurra.
A música que não invade, envolve.

“A música é o que costura tudo. Ela cria atmosfera, aproxima as pessoas, traduz o momento”, ele completa.

Se no Rio o samba dita o ritmo, em Miami ele se traduz. Ganha novas batidas, novos corpos, novos olhares… mas mantém a mesma intenção: conectar.

Porque no fim e isso pode soar como clichê, mas alguns clichês são apenas verdades bem vestidas. Tudo se resume a isso: Pessoas. Conexões. E momentos que, de tão bons, quase doem um pouco quando acabam.

“Se antes o mundo vinha até a gente durante o Carnaval, agora somos nós que vamos até onde esse público está”, diz Santiago.
“E isso muda completamente a forma como a gente enxerga o futuro.”

Talvez a grande virada não seja geográfica.
Talvez seja simbólica.

Antes, o mundo vinha até nós.
Agora… nós chegamos ao mundo.

E enquanto eu penso sobre isso, não consigo deixar de me perguntar:

Será que o verdadeiro luxo, hoje, não está exatamente aí?

Não no excesso…Mas na sensação rara de fazer parte de algo que não pode ser comprado?

Se for, o NOSSO entendeu tudo.

E, ao que tudo indica… isso é só o começo.

Onde nasce o eterno: Chanel em estado puro

O mar, um vestido preto e a liberdade de ser: Chanel Cruise 2027

Há coleções que nos vestem. E há aquelas que nos transportam. A Cruise 2027 da Chanel pertence, sem dúvida, à segunda categoria como um convite silencioso para caminhar à beira-mar e, entre uma rajada de vento e outra, revisitar aquilo que realmente importa.

Em sua quinta coleção para a maison, Matthieu Blazy não apenas olhou para o passado, ele mergulhou nele. E escolheu fazê-lo no lugar onde tudo começou: Biarritz. Foi ali que Gabrielle Chanel encontrou algo mais valioso que tendências: liberdade.

E talvez seja curioso pensar que essa história começa com um gesto simples. Um vestido preto.

O icônico “little black dress”, que completa 100 anos em 2026, abriu o desfile em uma interpretação quase fiel ao original. Sem exageros. Sem ruídos. Apenas a elegância crua de uma ideia que atravessou o tempo. Porque, às vezes, o verdadeiro luxo não está em reinventar, mas em reconhecer o que já nasceu eterno.

Foto divulgação

A resposta talvez esteja nos detalhes. Nos tricôs com barras em zigue-zague que parecem saídos diretamente dos arquivos. No conjunto preto e branco usado por Bhavitha Mandava, com os dois Cs invertidos integrados à própria construção da peça, uma reprodução fiel de um croqui dos anos 1930. Nas referências aos primeiros conjuntos de jérsei de 1913, na influência das linhas retas da Art Déco e, acima de tudo, na leveza.

Foto divulgação
Foto divulgação

Leveza como linguagem. Como escolha. Como herança.

Apresentado em um cassino com vista para o mar, o desfile parecia mais um estado de espírito do que um evento. Modelos com cabelos molhados, como se tivessem acabado de sair do oceano. Algumas descalças, carregando os sapatos nas mãos. Outras atravessando a passarela com a naturalidade de quem entende que elegância não precisa de esforço.

E então, quase como um sussurro moderno, o casting trouxe mulheres de diferentes idades e uma grávida com a barriga à mostra em um tailleur de tweed, com sapatinhos de bebê pendurados na bolsa. Um detalhe delicado, com aquele toque de humor que inevitavelmente remete ao espírito provocador de Karl Lagerfeld.

Entre lenços de seda transformados em looks, maiôs combinados com alfaiataria fluida e o retorno de best sellers como a camisa Charvet agora com renda guipire, a coleção constrói um guarda-roupa que flutua entre o passado e o desejo contemporâneo. O jeans, nova obsessão da maison, aparece em conjuntos suaves, enquanto o tricô se reinventa em vestidos alongados e releituras de trajes de banho vintage.

E há listras. Muitas listras. Inspiradas na paisagem basca, nos guarda-sóis que pontuam a orla de Biarritz, no ritmo visual de uma cidade moldada pelo vento e pelo tempo.

Mas talvez o momento mais poético esteja no final. Dois vestidos inspirados em sereias, uma referência que nasceu da infância de Matthieu e ganhou forma após ele descobrir um mural art déco em um farol local, onde duas figuras míticas entrelaçam suas caudas como os Cs do logo da marca.

Romântico? Sim. Mas também profundamente simbólico.

Porque foi em Biarritz, em 1915, ao lado de Arthur Edward Capel, que Gabrielle Chanel não apenas abriu sua maison, mas também iniciou uma revolução silenciosa. Em plena guerra, enquanto Paris se tornava instável, ela escolheu o mar. Escolheu o movimento. Escolheu libertar o corpo feminino de estruturas rígidas usando materiais improváveis como o jérsei, reinterpretando o tweed masculino e transformando um simples vestido preto em manifesto.

E talvez seja exatamente esse o ponto onde Matthieu Blazy toca com mais precisão.

Ele não está apenas recriando roupas. Está ressignificando códigos. Expandindo possibilidades. Questionando, com delicadeza, o que entendemos por luxo, por identidade, por permanência.

No fim, entre ondas, memórias e silhuetas que dançam com o vento, fica uma pergunta: Se a moda é feita de movimento… será que o verdadeiro estilo não é, simplesmente, saber para onde e para quem queremos voltar?

Foto divulgação
Foto divulgação
Foto divulgação
Foto divulgação

Quando o intestino fala: compreendendo a síndrome do intestino irritável

Por: Dra Zila Abdala – clínica geral, gastroenterologista e especialista em estilo de vida da Tria de Rosa

Durante décadas, o desconforto era reduzido ao que mães e avós chamavam de “colite nervosa”. Hoje, o nome é outro e muito mais conhecido, sobretudo entre mulheres jovens: Síndrome do Intestino Irritável.

Considerada a desordem funcional digestiva mais comum do mundo, a condição afeta desproporcionalmente as mulheres: a cada três pessoas diagnosticadas, duas são do sexo feminino. E, embora muitas vezes invisível aos olhos, seu impacto é profundo. Quando não identificada e tratada adequadamente, a síndrome compromete a qualidade de vida, produz insegurança e transforma gestos cotidianos como comer, sair de casa, trabalhar ou simplesmente relaxar em fontes de ansiedade.

Parte do sofrimento reside justamente na imprevisibilidade. Os sintomas surgem sem aviso, e a mente busca respostas: foi o almoço apressado, o jantar fora, o alimento aparentemente inofensivo… ou algo mais? Entre hipóteses e frustrações, muitas pacientes atravessam um percurso silencioso até que o diagnóstico finalmente ofereça nome ao desconforto.

A Síndrome do Intestino Irritável é definida por um conjunto de sintomas, tendo como principal marcador a dor abdominal recorrente, geralmente presente ao menos uma vez por semana nos últimos três meses. Essa dor costuma vir acompanhada de alterações do hábito intestinal, seja na frequência, consistência ou ritmo das evacuações. Inchaço abdominal, gases, urgência evacuatória e sensação de esvaziamento incompleto também figuram entre as queixas mais comuns.

Há três apresentações principais: a forma predominante com diarreia, a associada à constipação e o tipo misto, em que ambos os padrões se alternam.

As causas são multifatoriais e envolvem desde alterações no eixo intestino-cérebro até desequilíbrios da microbiota e fatores psicossociais. Mais do que uma investigação excessiva, o diagnóstico exige escuta clínica qualificada. Em muitos casos, poucos exames são necessários e devem ser individualizados. Algumas condições, como doença celíaca e intolerâncias alimentares, precisam ser descartadas. Já a colonoscopia costuma ser reservada para situações específicas ou sinais de alerta.

O tratamento, por sua vez, é sempre personalizado. Considera o subtipo da síndrome, a intensidade dos sintomas e o impacto na vida da paciente. Como se trata de uma condição crônica, a relação de confiança entre médico e paciente torna-se parte essencial do cuidado.

Rever hábitos alimentares é igualmente central, assim como estratégias terapêuticas direcionadas. Em quadros mais complexos, recursos como terapia cognitivo-comportamental, hipnoterapia, acupuntura e, em alguns casos, antidepressivos podem integrar o manejo clínico.

Curiosamente, a cultura pop já traduziu essa experiência com leveza. No filme Along Came Polly (Quero Ficar com Polly), com Jennifer Aniston e Ben Stiller, o personagem de Stiller convive com os sintomas da síndrome e encontra algum alívio quando aprende a viver com menos controle e mais flexibilidade.

Foto reprodução

Talvez haja, aí, uma metáfora. Porque tratar a Síndrome do Intestino Irritável não é apenas silenciar sintomas, é escutar o que o corpo insiste em comunicar. O intestino, muitas vezes, reflete emoções, ritmos e excessos que pedem revisão. Cuidar dele pode ser, em última instância, um exercício de autoconhecimento e uma forma mais gentil de habitar a própria vida.

FFW Brasil Fashion Awards 2025: O encontro da moda brasileira com ela mesma

Há noites em que a moda não é apenas sobre o que vestimos, é sobre o que decidimos celebrar. E, me diga, existe algo mais irresistível do que um primeiro encontro? Especialmente quando ele acontece sob os holofotes de uma indústria que vive de reinvenção?

Foi exatamente assim que o FFW Brasil Fashion Awards 2025 se apresentou ao mundo: como aquela estreia que não pede licença, apenas acontece e, quando você percebe, já se tornou assunto obrigatório nas melhores conversas do dia seguinte.

Entre flashes, discursos e aquela energia quase elétrica que só a moda brasileira sabe produzir, a premiação chegou com uma proposta clara: reconhecer não apenas o belo, mas o relevante. Porque, no fim, estilo sem narrativa é só superfície.

Se existe uma palavra que define esta primeira edição, talvez seja pluralidade. Das passarelas autorais ao alcance comercial, do artesanal ao digital, o prêmio desenhou um retrato honesto e sofisticado de um Brasil criativo, inquieto e, acima de tudo, em movimento.

Na categoria mais aguardada da noite, marca de moda do ano, a vitória da Misci não foi apenas um troféu, mas quase uma declaração. Sob o olhar sensível de Airon Martin, a marca tem construído uma estética que conversa com identidade, território e pertencimento e, convenhamos, isso nunca sai de moda.

Já em Designer do Ano, Pedro Andrade levou o reconhecimento, reafirmando uma geração que entende que criar é também provocar. E talvez seja exatamente isso que a moda precise agora: menos consenso, mais discurso.

Foto reprodução Instagram @ffw

Nos acessórios, Carlos Penna mostrou que detalhes ainda são capazes de roubar a cena, enquanto a Nannacay levou o prêmio de bolsas e sapatos provando que desejo e identidade podem, sim, caminhar lado a lado.

E então vieram os rostos.

Porque, no fim, quem veste a moda também a transforma.

Luiza Perote foi eleita Modelo do Ano, trazendo consigo uma presença que vai além da passarela. Já no styling, Pedro Sales reforçou que imagem é narrativa e das mais poderosas.

Por trás das lentes, a dupla Mar+Vin capturou mais do que estética: capturou tempo, contexto e intenção. E na beleza, Mika Safro lembrou que maquiagem também é linguagem.

Foto reprodução Instagram @ffw

Mas talvez os momentos mais interessantes da noite tenham vindo de onde, por muito tempo, poucos olhavam.

O prêmio de Projeto Artesanal do Ano para Gustavo Silvestre e o reconhecimento de impacto positivo à Artesol deixaram claro: o futuro da moda também passa pelas mãos que constroem, não apenas pelas que assinam.

E enquanto a inovação ganhava espaço com a R-inove, novos nomes surgiam com força como Marco Normando e Emidio Contente, vencedores como designers emergentes. Porque toda grande história começa exatamente assim: com alguém que ainda não foi óbvio.


E então, como toda boa história contemporânea, veio o voto popular.

Porque hoje, mais do que nunca, a moda também pertence a quem observa.

Sabrina Sato foi eleita Ícone Fashion do Ano e honestamente, poucas pessoas entendem tão bem o poder de uma imagem quanto ela. Já Robertita levou como Creator do Ano, representando uma nova era onde influência não se mede apenas em números, mas em conexão.

Foto reprodução Instagram @ffw

E, claro, as collabs porque relacionamentos continuam sendo o verdadeiro motor da moda. A parceria entre Artemisi e Adidas venceu como Collab do Ano, provando que quando universos distintos se encontram… algo interessante sempre acontece.

Foto reprodução Instagram @ffw

No fim da noite, entre aplausos e despedidas, ficou aquela sensação rara: a de que não estávamos apenas assistindo a uma premiação, mas ao início de uma nova narrativa.

E talvez a pergunta que fique seja a mesma que ecoa depois de todo grande evento ou de todo grande encontro: Será que estamos prontos para a próxima fase da moda brasileira… ou ela já começou sem pedir permissão?

MARCA DE MODA DO ANO

Dendezeiro
Farm
Misci (vencedor)
Pace
PatBO


DESIGNER DO ANO

Airon Martin (Misci)
Alexandre Herchcovitch
Gustavo Silvestre
Marina Bitu
Pedro Andrade (P. Andrade e Piet) (vencedor)

DESIGNER DE ACESSÓRIOS DO ANO

Barbara Muller
Carlos Penna (vencedor)
Flavia Madeira
Prasi
Sauer

DESIGNER BOLSAS E SAPATOS

Escudero & Co.
Larroudé
Matulão
Nannacay (vencedor)
Pége

MODELO DO ANO

Carol Monteiro
Daiane Sodré
Luiza Perote (vencedora)
Mariane Calazan
Sheila Bawar

STYLIST DO ANO

Antonio Frajado
Maika Mano
Pedro Sales (vencedor)
Suyane Ynaya
Zazá Pecego

FOTÓGRAFO DO ANO

Cassia Tabatini
Hick Duarte
Lufré
Mar+Vin (vencedor)
Pedro Napolinário

BEAUTY ARTIST DO ANO

Cris Biato
Dindi Hojah
Helder Rodrigues
Henrique Martins
Mika Safro (vencedora)

PROJETO ARTESANAL DO ANO

Catarina Mina
Flavia Aranha
Gustavo Silvestre (vencedor)
Melk Z-DA Atelier
Projeto Akra


RIACHUELO IMPACTO POSITIVO

Artesol (vencedor)
Ateliê TransMoras
Modativismo
Sioduhi
Trama Afetiva

INOVAÇÃO EM NEGÓCIOS DA MODA

Audaces
Cercle
Coolhunter Favela
R-inove (vencedor)
The Fábricant

DESIGNER EMERGENTE DO ANO

Antônio Castro (Foz)
David Lee
Fabio Yukio (Yukio)
Kaio Martins (Koia)
Leandro Castro
Marco Normando & Emidio Contente (Normando) (vencedores)
Mateos Quadros
Mayara Junges
Pedro Batalha e Hisan Silva (Dendezeiro)
Rodrigo Evangelista


POR VOTO POPULAR

ÍCONE FASHION DO ANO

Bruna Marquezine
Camila Pitanga
Gaby Amarantos
Sabrina Sato (vencedora)
Silvia Braz


CREATOR DO ANO

Gabb
Livia Nunes
Robertita (vencedora)
Thai de Melo
Verena Figueiredo


COLLAB DO ANO

Artemisi + Adidas (vencedor)
Chilli Beans + Anitta
Paola Vilas + Lina Bo Bardi
Piet + Oakley
Riachuelo + Helô Rocha

Turquia, velocidade e destino: quando a Fórmula 1 volta para casa

O retorno do GP da Turquia reacende a memória de uma pista com alma e de tudo o que algumas paixões são capazes de construir.

Foto reprodução: Pool/Getty Images

Para fazer da minha sexta o melhor dia da semana, recebemos a melhor notícia: o retorno do GP da Turquia.

E talvez muitos ainda não saibam, mas se você está aqui lendo esta revista, a Turquia tem certa responsabilidade por isso.

Foi durante a pandemia, quando o mundo desacelerou, que eu me conectei com a cultura turca. E foi ali, entre imagens de Istambul, tecidos, arquitetura, novelas e um certo senso de beleza melancólica, que nasceu a semente da minha marca. Alguns anos depois, desta revista também.

Por isso, a confirmação de que o GP da Turquia retorna ao calendário da Fórmula 1 em 2027 parece menos uma notícia esportiva e mais um reencontro.

O icônico Istanbul Park, uma das joias desenhadas por Hermann Tilke, estará de volta com contrato até 2031. E há algo poeticamente elegante nisso: uma pista que chegou a ser quase esquecida, transformada em estacionamento, retorna ao centro do mundo com a mesma força com que certas paixões reaparecem na vida.

Porque algumas coisas nunca desaparecem de verdade. Apenas esperam o momento certo para voltar.

Bryn Lennon/Getty Images

E que pista para um retorno. A lendária Curva 8, reverenciada como uma obra-prima técnica. As três vitórias de Felipe Massa. O sétimo título de Lewis Hamilton, empatando com Michael Schumacher em uma tarde histórica de chuva e caos.

Istambul nunca foi apenas um circuito. Sempre foi atmosfera.

E talvez seja isso que torna essa volta tão sedutora. Em uma era em que o calendário da Fórmula 1 se expande com novos mercados e apostas grandiosas, a Turquia traz de volta algo raro: personalidade.

Há pistas eficientes. Há pistas espetaculares. E há pistas com alma.

Istambul pertence à última categoria.

Também existe um simbolismo irresistível no timing desse anúncio. Em meio ao hiato inesperado da categoria antes de Miami Grand Prix, a notícia do retorno turco funciona quase como um presente para quem entende que Fórmula 1 também é narrativa, estética e desejo.

Não por acaso, o interesse do público turco explodiu nos últimos anos. Talvez porque o país, como poucos, compreenda a beleza do drama. E o automobilismo, no fundo, é isso.

Velocidade com emoção.

E eu não pude deixar de pensar: se algumas das coisas mais importantes da minha vida nasceram da Turquia, talvez esse retorno diga algo maior sobre ciclos.

Sobre o que volta quando estamos prontas.

Sobre destinos que fazem curvas, às vezes uma Curva 8 inteira, apenas para nos levar de volta ao ponto certo.

E honestamente?

Há notícias.
E há notícias que parecem sinais.

Essa, definitivamente, foi uma delas.