Últimas postagens de Destaque

Quando deixamos de ser vistos: A solidão que cresce em silêncio

Por: Dra Kátia Pegos – Psiquiatra e especialista em saúde mental da Tría de Rosa

Nos últimos anos, tornou-se comum afirmar que a grande epidemia do nosso tempo é a ansiedade ou a depressão. Os números parecem confirmar essa impressão: crescem os diagnósticos, os afastamentos do trabalho, as queixas de exaustão emocional, angústia e sensação de vazio.

Como psiquiatra, acompanho diariamente pessoas que lutam contra esses desafios. Sei o quanto eles afetam a vida, os relacionamentos e até o corpo. Mas, pouco a pouco, comecei a perceber que talvez esses números não contem a história inteira.

Talvez ansiedade e depressão não sejam apenas doenças.

Talvez sejam também o sintoma de uma perda mais profunda: a perda dos lugares onde somos verdadeiramente vistos.

Vivemos hiperconectados. Falamos com muitas pessoas, compartilhamos imagens, ideias e fragmentos de vida. Mas estar exposto não é o mesmo que ser visto.

Ser visto é sentir que alguém reconhece nossa existência sem que precisemos performar força o tempo todo. É ter espaço para dúvidas, medos e sonhos sem medo de julgamento.

E esse tipo de espaço está desaparecendo.

Comunidades encolheram, conversas longas rarearam, encontros espontâneos sumiram. As amizades foram empurradas para os intervalos possíveis da agenda. A produtividade ocupou o terreno que antes era do encontro humano.

Estamos cercados de gente e privados de pertencimento.

Não surpreende que pesquisas apontem uma “recessão de amizades”: menos amigos íntimos, menos encontros, menos partilhas.

E isso importa, porque conexão social não é apenas conforto emocional.

É saúde.

Relações significativas reduzem risco de ansiedade, depressão, doenças cardiovasculares, declínio cognitivo e até mortalidade precoce.

A Medicina do Estilo de Vida coloca a conexão social entre seus pilares centrais, talvez o mais negligenciado.

Entre as mulheres, essa perda assume contornos ainda mais profundos.

Historicamente, foram elas que sobreviveram em redes de apoio. A biologia ecoa isso: a ocitocina, hormônio do vínculo, do cuidado e da confiança, marca experiências tipicamente femininas. Quando uma mulher se distancia de vínculos significativos, não perde apenas companhia, perde um espaço fundamental de identidade.

E isso acontece devagar.

Primeiro vêm os filhos. Depois a carreira. Depois os pais que envelhecem. Depois as responsabilidades financeiras. Depois as urgências de todos os outros.

O espaço onde ela poderia existir como mulher e não apenas como função, vai sendo adiado indefinidamente.

O resultado é um tipo de solidão que não se nota à primeira vista: a solidão acompanhada.

Aquela que acontece dentro de casas cheias, agendas lotadas e vidas aparentemente normais.

Uma solidão que nasce não da ausência de pessoas, mas da ausência de conexão verdadeira.

Por isso tantas mulheres descrevem uma sensação difícil de nomear.

Não sabem o que falta, apenas sentem que perderam algo no caminho.

Talvez o que tenha se perdido seja a experiência de ser reconhecida em sua humanidade.

Porque todos nós precisamos de espelhos.

Precisamos de pessoas que nos lembrem quem somos quando a vida nos afasta de nós mesmos.

Precisamos de relações que sustentem nossa história quando os desafios ameaçam desfigurá-la.

Quando esses espaços desaparecem, perdemos mais do que companhia.

Perdemos referência.

Perdemos abrigo.

Perdemos lugares onde podemos descansar das máscaras que o mundo exige.

E poucas coisas adoecem tanto quanto não pertencer a lugar algum.

A saúde mental não se constrói apenas com terapias ou medicamentos, embora ambos sejam essenciais. Ela se constrói também na amizade que resiste ao tempo, na conversa que acolhe, na comunidade que sustenta, no olhar que enxerga.

Talvez a pergunta mais urgente não seja como reduzir a ansiedade. Talvez seja: Onde ainda existem lugares onde podemos ser verdadeiramente vistos?

E, de modo ainda mais íntimo: Em quantos lugares você pode ser inteiramente você?

A cura, muitas vezes, não começa quando encontramos respostas.

Começa quando encontramos um lugar onde podemos existir sem provar nada, sem desempenhar papéis, simplesmente pertencendo.

Talvez seja exatamente isso que esteja faltando.

E talvez seja justamente isso que precisamos reconstruir: não apenas para sermos mais felizes, mas para sermos mais saudáveis, mais inteiras, mais humanas.

A Pílula da Longevidade Existe?

Por: Dra Zila Abdala – clínica geral, gastroenterologista e especialista em estilo de vida da Tria de Rosa

Se existisse uma pílula mágica capaz de aumentar nossa expectativa de vida, certamente a maioria das pessoas gostaria de tomá-la.

Nesse cenário, o acompanhamento por profissionais sérios, que não alimentam falsas promessas, torna-se cada vez mais importante. A inteligência artificial, inclusive, surge como uma grande aliada, ajudando na interpretação de dados e algoritmos para oferecer avaliações e tratamentos mais individualizados e precisos.

Ela não substituirá o profissional de saúde; ao contrário, servirá como uma ferramenta para potencializar seu trabalho, liberando mais tempo para aquilo que nenhuma tecnologia é capaz de reproduzir: a escuta acolhedora, o atendimento humanizado e o cuidado personalizado. Em um modelo de saúde centrado na prevenção, o médico não espera que a doença se instale. Ele monitora, ajusta e intervém ao identificar os primeiros sinais de desequilíbrio. Infelizmente, o modelo ainda predominante em nosso país continua sendo o do tratamento de doenças já estabelecidas, quando algum prejuízo à saúde muitas vezes já ocorreu.

No dia 18 de junho, no Vale do Silício, nos Estados Unidos, a empresa Midjourney, conhecida por suas soluções de inteligência artificial para geração de imagens, anunciou um equipamento revolucionário com a capacidade de mapear todo o corpo humano em menos de 60 segundos. O paciente entra em uma piscina de água morna enquanto ondas de ultrassom atravessam seu corpo, produzindo imagens semelhantes às de uma ressonância magnética e criando um modelo tridimensional detalhado da composição corporal, dos órgãos e dos tecidos.

A tecnologia tem como proposta identificar precocemente alterações e processos inflamatórios que, futuramente, poderiam contribuir para o surgimento de doenças. Sua ideia central não é diagnosticar enfermidades, mas monitorar continuamente a saúde do indivíduo por meio de exames periódicos e comparativos ao longo do tempo.

O chamado Ultrasonic CT apresenta ainda vantagens importantes: não utiliza radiação nem contraste, tornando o exame potencialmente mais seguro e acessível. A primeira unidade será instalada em São Francisco, na Califórnia, e a expectativa da empresa é implantar cerca de 50 mil equipamentos em diferentes países até 2032.

Ainda não se conhece com precisão o real impacto dessa tecnologia na prevenção de doenças e no aumento da longevidade. No entanto, ela representa mais um exemplo de como a inteligência artificial poderá contribuir para uma vida mais longa, saudável e com maior qualidade.

Enquanto a ciência avança, vale um alerta: desconfie de promessas milagrosas. Até o momento, não existe vitamina, alimento ou medicamento capaz de aumentar significativamente a longevidade de pessoas saudáveis. O que realmente transformou a expectativa de vida da humanidade foram medidas comprovadas, como o acesso ao saneamento básico, a vacinação e a adoção de hábitos saudáveis. Talvez a verdadeira “pílula da longevidade” continue sendo, pelo menos por enquanto, um estilo de vida equilibrado, aliado aos avanços da ciência e da medicina preventiva.

 

Sport luxury: como esporte e luxo passaram a compartilhar os mesmos códigos de desejo, pertencimento e experiência.

Por: Amanda Costa

O Sport Luxury surge da convergência entre duas indústrias que buscam responder às transformações do consumo contemporâneo. Em um contexto marcado pela crescente relevância cultural do esporte e pela aproximação da Copa do Mundo de 2026, moda, luxo e universo esportivo passam a compartilhar os mesmos códigos de desejo, identidade e pertencimento.

Enquanto o esporte incorpora elementos tradicionalmente associados ao luxo, como exclusividade, sofisticação e construção de imagem, o mercado de luxo encontra no esporte uma plataforma de alcance global e conexão emocional com novas audiências. Mais do que comercializar produtos, ambos passam a vender experiências, comunidades e acesso a universos culturais nos quais o pertencimento se torna tão valioso quanto a própria posse.

Nesse contexto, o esporte deixa de ser percebido apenas como um espaço de competição e passa a ocupar uma posição estratégica dentro da moda e do mercado de luxo. O resultado é o fortalecimento do chamado Sport Luxury, movimento que aproxima esses universos e amplia o valor cultural atribuído ao esporte.

RICARDO ALMEIDA + CBF

Um dos exemplos mais recentes desse movimento no Brasil é a parceria entre Ricardo Almeida e a CBF para a Copa do Mundo de 2026.

A parceria entre Ricardo Almeida e a CBF pode ser interpretada como um dos sinais mais claros da aproximação entre esporte e luxo no Brasil. A escolha da alfaiataria para representar a seleção fora dos gramados demonstra que a construção da imagem dos atletas passou a ocupar um papel estratégico tão importante quanto a performance esportiva.

Mais do que vestir jogadores, a ideia da coleção comunica sofisticação, prestígio, profissionalismo e representação institucional. Os atletas passam a ser posicionados não apenas como esportistas, mas também como representantes culturais do país.

A proximidade da Copa de 2026 reforça esse movimento. À medida que a copa se aproxima e o interesse global pelo futebol cresce, torna-se cada vez mais relevante construir narrativas que transcendam o jogo e ampliem o valor simbólico associado às seleções, atletas e marcas envolvidas.

Foto reprodução

FÓRMULA 1 + GUCCI

O caso da CBF não é isolado. A aproximação entre esporte e luxo tem se expandido globalmente, impulsionada pela capacidade das grandes competições de gerar visibilidade, influência cultural e valor simbólico. À medida que o esporte ganha centralidade no entretenimento e no comportamento de consumo, torna-se também um espaço cada vez mais atrativo para marcas do mercado premium.

Nesse cenário, a Fórmula 1 se destaca como um dos exemplos mais consolidados dessa convergência, reunindo tradição, exclusividade e alcance global em um ambiente que dialoga naturalmente com o universo do luxo.

Um dos exemplos mais recentes dessa aproximação entre esporte e luxo é a entrada da Gucci como patrocinadora principal da equipe Alpine de Fórmula 1. A parceria marca a primeira vez que uma grande casa de luxo assume uma posição desse porte dentro da categoria, evidenciando o crescente interesse do setor por plataformas esportivas com alcance global e forte valor simbólico.

A escolha não é por acaso. Nos últimos anos, a Fórmula 1 consolidou-se como um dos ambientes mais desejados para marcas premium, reunindo exclusividade, prestígio, inovação e uma audiência de alto poder aquisitivo. Mais do que uma competição esportiva, a categoria tornou-se uma plataforma de lifestyle e experiência.

A estratégia acompanha um movimento mais amplo. Em 2025, o grupo LVMH firmou um acordo de patrocínio de dez anos com a Fórmula 1, substituindo a Rolex como parceira global da categoria. A partir da parceria, marcas como Louis Vuitton, TAG Heuer e Moët & Chandon passaram a integrar momentos centrais da competição, reforçando a presença do mercado de luxo dentro do esporte.

DO CONSUMO A EXPERIÊNCIA:


Os casos da CBF e da Fórmula 1 ilustram uma transformação mais ampla na forma como valor é construído no mercado contemporâneo. Em vez de concentrar-se apenas no produto, marcas esportivas e de luxo passam a investir cada vez mais em experiências, narrativas e construção de comunidade.

Nesse contexto, o consumo deixa de ser apenas uma transação e passa a funcionar como uma forma de pertencimento. O valor de um produto não está apenas em sua função ou qualidade, mas também na capacidade de conectar o consumidor a determinados universos culturais, estilos de vida e grupos sociais.

Essa mudança pode ser observada diretamente na forma como produtos esportivos vêm sendo posicionados no mercado. Mais do que peças destinadas à prática esportiva, camisas, tênis e coleções especiais passam a ser apresentados como objetos de desejo, identidade e expressão cultural.

ADIDAS BRINGBACKS:

A coleção Bringbacks, da Adidas, exemplifica como o universo esportivo tem incorporado estratégias tradicionalmente associadas ao mercado de luxo. Inspiradas em uniformes históricos, as peças resgatam momentos marcantes da história do futebol e os reposicionam como produtos premium.

Ao transformar a nostalgia em um ativo de valor, a marca amplia o significado da camisa para além de sua função esportiva. O produto passa a ser consumido também por seu valor cultural e emocional, dialogando com colecionadores, fãs e consumidores interessados na história e na simbologia por trás da coleção.

NIKE X JORDAN BRASIL

A colaboração entre Nike e Jordan para a Seleção Brasileira demonstra outra faceta do Sport Luxury. Diferentemente da Adidas, que recorre à memória e ao legado histórico do futebol, a parceria aproxima o esporte de universos como o streetwear, a cultura sneaker e a moda contemporânea.

Ao unir uma das marcas mais influentes da cultura urbana ao imaginário da Seleção Brasileira, a coleção amplia o significado da camisa para além do contexto esportivo. A peça passa a circular também em ambientes ligados à moda e ao estilo de vida, reforçando sua dimensão cultural e seu potencial como objeto de desejo.

O lançamento evidencia como o futebol vem sendo reposicionado dentro de uma lógica de consumo que valoriza identidade, expressão pessoal e pertencimento. Nesse cenário, a camisa deixa de representar apenas uma equipe ou competição e passa a funcionar também como um símbolo cultural capaz de conectar diferentes comunidades e públicos.

SIMONE ROCHA + ADIDAS

A aproximação entre esporte e luxo não se manifesta apenas por meio de patrocínios, experiências ou produtos premium. Ela também pode ser observada na forma como a moda passou a reinterpretar elementos tradicionalmente associados ao universo esportivo.

Um exemplo desse movimento é a colaboração entre Simone Rocha e Adidas, apresentada durante a London Fashion Week. Marcando a primeira parceria entre a estilista irlandesa e a marca esportiva, a coleção combinou peças clássicas do sportswear, como tracksuits e jaquetas com as três listras, a elementos característicos do trabalho de Rocha, incluindo rendas, transparências e bordados.

A coleção demonstra como códigos ligados à performance esportiva podem adquirir novos significados quando inseridos no universo da moda. Sem perder sua identidade original, peças associadas ao esporte passam a dialogar também com criatividade, expressão estética e construção de imagens. O resultado reflete uma das principais características do Sport Luxury: a capacidade de aproximar funcionalidade, desejo e valor cultural dentro de uma mesma narrativa.

Mais do que uma tendência passageira, o Sport Luxury revela uma mudança na forma como esporte e moda se posicionam dentro da cultura contemporânea. À medida que grandes competições ampliam sua influência para além das arenas esportivas, marcas de ambos os setores passam a disputar não apenas consumidores, mas relevância cultural. Nesse cenário, o esporte consolida-se como um dos territórios mais estratégicos para a construção de imagem, valor e influência no mercado de luxo. 

Quem sustenta você enquanto você sustenta o mundo?

Por: Dra Kátia Pegos – Psiquiatra e especialista em saúde mental da Tría de Rosa

Talvez essa seja uma das perguntas mais fundamentais e, paradoxalmente, uma das mais difíceis que uma mulher pode se fazer.

Passamos grande parte da vida aprendendo a olhar para fora.

Aprendemos a cuidar.

A antecipar necessidades.

A perceber nuances emocionais que ninguém mais vê: o cansaço disfarçado, a tristeza silenciada, a preocupação que mal se confessa.

Aprendemos, sobretudo, a sustentar.

Sustentamos filhos.

Relacionamentos.

Famílias inteiras.

Equipes de trabalho.

Empresas.

Sustentamos sonhos, muitas vezes sonhos que nem são os nossos. E fazemos isso com tamanha competência que o trabalho invisível se torna quase imperceptível, embora nunca indolor.

A sociologia até criou um nome para parte desse fenômeno: mankeeping ,a responsabilidade silenciosa de manter vivas as conexões sociais ao redor dos homens.

São as mulheres que lembram aniversários, organizam encontros, preservam vínculos, criam oportunidades para que as relações continuem existindo.

Mas o mankeeping é apenas a superfície.

A verdade é que muitas mulheres não cuidam apenas das conexões dos homens.

Elas cuidam das conexões de todos.

Transformam-se nas guardiãs emocionais da família.

Tecelãs de vínculos.

As que mantêm a trama humana unida quando tudo ameaça se desfazer.

E é aqui que nasce a exaustão mais profunda.

Não a exaustão da agenda cheia, da lista de tarefas infinita ou da sobrecarga mental, embora tudo isso pese. Mas a exaustão de quem oferece pertencimento continuamente sem encontrar espaços onde também possa recebê-lo.

A Medicina do Estilo de Vida reconhece a conexão social como um pilar essencial da saúde. Mas existe uma diferença radical entre estar cercada de pessoas e sentir-se verdadeiramente amparada por elas.

Muitas mulheres estão cercadas. Poucas estão acolhidas.

Muitas cuidam. Poucas recebem cuidado.

Muitas escutam. Poucas encontram um ouvido que realmente as ouça.

Por isso tantas chegam à segunda metade da vida com uma sensação que não sabem nomear.

Não é solidão. Ao menos não no sentido óbvio.

É a estranha invisibilidade de quem foi tão necessária ao mundo que acabou desaparecendo de si mesma.

Não porque não sejam amadas. Mas porque passaram tanto tempo sustentando o mundo ao redor que deixaram de construir lugares onde elas próprias pudessem repousar.

Talvez seja hora de inverter a pergunta.

Em vez de se perguntar apenas quem precisa de você, pergunte: Quem está presente para você?

Quem conhece suas dores antes que você as esconda? Quem percebe quando você não está bem, mesmo quando você disfarça? Quem sustenta você enquanto você sustenta o mundo?

Porque força não é carregar tudo sozinha.

Força também é ter para onde voltar quando o peso se torna grande demais.

E talvez uma vida verdadeiramente saudável não seja aquela em que sustentamos todos os vínculos, mas aquela em que também encontramos pessoas capazes de nos sustentar.

Ainda acreditamos no amor

Hoje é 12 de junho.

O dia em que o amor ganha as ruas do Brasil.

Os restaurantes ficam lotados. As floriculturas trabalham sem parar. Homens atravessam a cidade carregando buquês como verdadeiros mensageiros do romantismo. As redes sociais se enchem de declarações, fotografias, vídeos, promessas e até anúncios de novos capítulos, porque há quem escolha justamente esta data para contar ao mundo que uma nova história está prestes a começar.

E, por mais que alguns insistam em dizer que o amor não precisa de uma data para ser celebrado, existe algo profundamente bonito em ver um país inteiro falando sobre afeto ao mesmo tempo.

Em um mundo que nos cobra velocidade, produtividade e resultados, o Dia dos Namorados nos convida a desacelerar.

A olhar nos olhos. A segurar uma mão. A dizer “eu te amo” sem pressa. A agradecer por quem escolhe permanecer.

Porque o amor raramente está nos grandes acontecimentos. Ele mora nos detalhes que quase passam despercebidos. Na mensagem de bom dia enviada antes do primeiro café. No abraço que silencia um dia difícil. Na risada compartilhada na cozinha. Na companhia durante uma viagem. Na presença que transforma um dia comum em algo memorável.

Talvez seja por isso que as histórias de amor nunca saem de moda.

Dos clássicos do cinema aos romances que dominam as listas de mais vendidos, seguimos apaixonados por histórias que falam sobre encontros, despedidas, reencontros e segundas chances.

Assistimos Noah esperar por Allie em Diário de uma Paixão. Nos emocionamos com amores que desafiam o tempo, a distância e as circunstâncias. E mais recentemente nos apaixonamos por casais como Garrett Graham e Hannah Wells, da série Off Campus, personagens cheios de medos e cicatrizes, mas que descobriram algo que todos nós procuramos: alguém que os enxergasse exatamente como são.

Porque nunca foi sobre perfeição. Nunca foi sobre encontrar alguém sem defeitos.

Sempre foi sobre encontrar alguém que faça o mundo parecer um pouco mais leve.

Alguém que conheça as nossas falhas e, ainda assim, escolha ficar.

No fundo, o sucesso dos romances não está nos beijos cinematográficos, nos gestos grandiosos ou nos finais felizes. Está na esperança que eles despertam.

A esperança de que o amor exista. A esperança de que ele aconteça.

A esperança de que alguém, em algum lugar, esteja procurando por nós da mesma forma que procuramos por ele.

E talvez seja por isso que até quem diz não acreditar no amor para por alguns segundos diante de uma declaração sincera.

Porque todos nós queremos ser vistos. Todos nós queremos pertencer. Todos nós queremos ter alguém para ligar quando algo maravilhoso acontece. Todos nós queremos alguém para segurar a nossa mão quando algo terrível acontece.

No fundo, todos nós desejamos compartilhar a vida.

Porque a vida, por mais extraordinária que seja, nunca foi feita para ser atravessada sozinho.

O amor está no primeiro frio na barriga e também nas rugas compartilhadas décadas depois.

Está no primeiro encontro e na escolha diária de continuar. Está nos planos para o futuro e nas memórias construídas ao longo do caminho. Está na coragem de tentar novamente depois de uma decepção. Está na esperança de quem ainda espera. E na gratidão de quem já encontrou.

Neste 12 de junho, enquanto as flores mudam de mãos, os brindes são feitos e milhares de histórias são celebradas, talvez o mais bonito seja lembrar que o amor continua sendo a força que move o mundo.

Ele inspira livros. Inspira filmes. Inspira músicas. Inspira sonhos.

E inspira as melhores versões de nós mesmos.

Porque, no final das contas, não são os bens que acumulamos, os títulos que conquistamos ou os lugares que visitamos que permanecem para sempre.

O que permanece são as pessoas.

As conversas que tivemos. Os abraços que recebemos. Os momentos que compartilhamos. Os amores que vivemos.

E talvez o verdadeiro motivo de celebrarmos o amor seja este: ele nos lembra que, em meio a toda a correria da vida, a nossa maior sorte nunca foi encontrar o sucesso.

Foi encontrar alguém para dividir a vida enquanto a vivíamos.