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Anna Barroso: A arte de calçar o luxo

Existe algo particularmente fascinante na relação entre uma mulher e seus sapatos. Talvez seja a maneira como um salto transforma a postura, como uma determinada cor traduz um estado de espírito ou, simplesmente, como um único par pode guardar a memória de uma ocasião inesquecível. Afinal, os sapatos nunca foram apenas acessórios. Eles contam histórias, revelam personalidades e, muitas vezes, dizem sobre nós aquilo que as palavras não conseguem expressar.

No universo da moda em que cada detalhe pode se transformar em uma declaração de estilo, os calçados ocupam um lugar especial. São capazes de transformar uma produção minimalista em algo memorável, imprimir personalidade a uma silhueta clássica e acompanhar mulheres nos momentos mais importantes de suas vidas.

E, para Anna Barroso, foi justamente um desses momentos que deu início a uma história que, anos depois, encontraria seu lugar no universo do luxo.

Foto reprodução Instagram @annabarroso

Quando a necessidade encontra a criatividade

A relação de Anna com os sapatos começou muito antes de existir uma marca com seu nome. Ainda jovem, ela acompanhava de perto esse universo por influência da mãe, proprietária de uma fábrica de calçados. Entre materiais, modelos e processos de produção, desenvolveu uma familiaridade com um ofício que, mais tarde, se tornaria parte fundamental de sua trajetória.

O que poderia ter permanecido apenas como uma lembrança especial de formatura acabou se tornando o primeiro capítulo de uma trajetória empreendedora.

Talvez essa seja uma das características mais interessantes da moda: algumas das melhores ideias não surgem necessariamente de grandes planos de negócios, mas de desejos muito pessoais. Da vontade de criar aquilo que ainda não existe. De encontrar beleza justamente naquilo que sentimos falta.

O luxo de ter algo só seu

Com o passar do tempo, aquela primeira criação deu origem a uma marca de calçados de luxo construída em torno de três pilares: exclusividade, produção artesanal e personalização.

Em um mercado frequentemente marcado pela velocidade das tendências e pela reprodução de estilos, a proposta de Anna Barroso valoriza uma relação mais individual com a moda. Afinal, existe uma diferença entre adquirir um acessório e escolher uma peça que dialogue com a própria identidade.

É justamente nesse encontro entre desejo e expressão pessoal que a personalização ganha protagonismo. Mais do que acompanhar tendências, a marca abre espaço para que cada escolha reflita as preferências de quem irá calçar suas criações.

O trabalho artesanal, por sua vez, reforça uma das características mais valorizadas no universo do luxo: a atenção aos detalhes. Aqueles que, muitas vezes, passam despercebidos à primeira vista, mas fazem toda a diferença na percepção de uma peça.

Atualmente, a marca conta com duas lojas em Belo Horizonte, consolidando sua presença na capital mineira e dando continuidade a uma trajetória que começou de maneira tão pessoal.

Foto reprodução Instagram @annabarroso

Muito além de um par de sapatos

Durante muito tempo, o luxo esteve associado principalmente à ostentação e à exclusividade material. Hoje, porém, seu significado também encontra espaço em conceitos como individualidade, expressão pessoal e conexão emocional.

Nesse contexto, um sapato pode representar muito mais do que uma escolha estética. Pode ser o detalhe que completa uma produção, a lembrança de uma conquista, a peça escolhida para uma celebração ou simplesmente uma maneira de expressar quem somos.

A trajetória de Anna Barroso traduz essa ideia de forma particular. Afinal, sua marca nasceu precisamente da vontade de transformar uma ocasião importante em algo ainda mais pessoal.

De um sapato criado para uma formatura a uma marca com presença no mercado de luxo de Belo Horizonte, sua história revela como criatividade, identidade e memória podem caminhar juntas.

Porque, no fim das contas, a moda pode até mudar a cada temporada. Mas existem peças que permanecem conosco não apenas pelo que representam esteticamente, e sim pelas histórias que nos ajudam a contar.

E, às vezes, tudo começa com um único par de sapatos.

Autocuidado também é se proteger da dengue

Por: Dra Zila Abdala – clínica geral, gastroenterologista e especialista em estilo de vida da Tria de Rosa

Hoje, é cada vez mais comum acompanharmos nossas taxas de colesterol, glicose, vitaminas e hormônios. Também prestamos atenção à massa muscular, ao percentual de gordura corporal e à quantidade de proteínas e calorias que consumimos diariamente. Cuidar da alimentação, praticar exercícios e buscar o equilíbrio físico e emocional são atitudes importantes para uma vida saudável.

Mas será que estamos dando a mesma atenção à prevenção das doenças infecciosas?

Entre os riscos que fazem parte do nosso cotidiano, existe um pequeno inimigo, com cerca de 3 a 10 milímetros, que pode provocar uma doença grave e até levar à morte: o mosquito Aedes aegypti. Presente em áreas urbanas e periurbanas de grande parte do Brasil, ele encontra nos ambientes domésticos condições favoráveis à reprodução, principalmente quando há recipientes com água parada.

Conhecido por transmitir a dengue, o mosquito também pode disseminar chikungunya, zika e febre amarela urbana.

Um pequeno mosquito, grandes consequências

O Aedes aegypti é menor do que muitos mosquitos comuns e apresenta listras brancas no corpo e nas pernas. Costuma permanecer próximo aos locais onde encontra abrigo e condições para se reproduzir. A fêmea é a responsável pelas picadas, pois necessita do sangue para o desenvolvimento dos ovos. Sua atividade ocorre principalmente durante o dia, com maior frequência no início da manhã e no fim da tarde.

O calor e as chuvas favorecem sua proliferação, mas o risco não se limita ao verão. Recipientes com água acumulada podem se transformar em criadouros durante todo o ano.

Dengue: reconheça os sinais de alerta

A dengue é uma das principais doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. O vírus apresenta quatro sorotipos conhecidos, e uma pessoa pode ser infectada mais de uma vez. Uma infecção anterior não garante proteção contra os demais sorotipos e, em determinadas circunstâncias, uma nova infecção pode aumentar o risco de formas graves.

Os sintomas mais comuns incluem febre de início súbito, dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, dor atrás dos olhos, prostração e manchas na pele.

Alguns sinais exigem atenção imediata: dor abdominal intensa e persistente, vômitos frequentes, tontura ou desmaio, sangramentos, sonolência excessiva e dificuldade para respirar. Eles podem indicar agravamento da doença, inclusive quando a febre começa a diminuir.

Diante da suspeita de dengue, procure um serviço de saúde e evite a automedicação. Medicamentos como ácido acetilsalicílico (AAS) e anti-inflamatórios podem aumentar o risco de sangramento e não devem ser utilizados por conta própria nessa situação.

A doença pode comprometer significativamente a rotina, provocando afastamento do trabalho, dos exercícios físicos, dos compromissos sociais e das atividades de lazer. A recuperação varia de pessoa para pessoa, e o cansaço pode persistir mesmo após a melhora dos sintomas.

Prevenir é uma responsabilidade compartilhada

O combate à dengue depende da participação da população e do poder público. As medidas de prevenção precisam ser contínuas, e não adotadas apenas durante as epidemias.

Em casa, é fundamental eliminar recipientes que acumulem água, manter caixas-d’água e reservatórios bem vedados, limpar calhas e ralos e cuidar das piscinas. Até mesmo um pequeno prato de planta pode se tornar um criadouro.

Telas nas janelas e repelentes adequados também podem ajudar a reduzir o contato com o mosquito. O uso do repelente deve seguir as orientações do fabricante, e sua aplicação precisa ser compatível com outros produtos utilizados na pele.

Essas atitudes são simples, mas fazem diferença quando incorporadas à rotina de toda a família.

Vacinação: uma aliada do autocuidado

Além das medidas ambientais, a vacinação representa uma importante estratégia de prevenção da dengue. A vacina  disponível no Brasil, foi desenvolvida para proteger contra os quatro sorotipos do vírus. Como ocorre com outros imunizantes, a proteção não é absoluta, e a vacinação não substitui o combate ao mosquito.

Desde 2024, a vacina foi incorporada ao Programa Nacional de Imunizações, inicialmente para adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária priorizada na estratégia de vacinação pública

Na rede privada, a vacina tem indicação aprovada no Brasil para pessoas de 4 a 60 anos, conforme a bula. O esquema recomendado é de duas doses, com intervalo de três meses entre elas. A indicação individual deve considerar a idade, as condições clínicas e as contraindicações..

Para as mulheres que investem no próprio bem-estar, vale incluir a prevenção da dengue na conversa sobre saúde. Assim como acompanhamos exames, alimentação, sono, atividade física e saúde emocional, precisamos olhar também para as medidas que reduzem o risco de doenças evitáveis.

Autocuidado não é apenas cuidar da aparência, controlar o peso ou buscar longevidade. É fazer escolhas conscientes para preservar a saúde, a autonomia e a qualidade de vida.

Cuidar de si também é prevenir. E manter a vacinação em dia, quando indicada, faz parte desse compromisso com a própria saúde e com a saúde de quem amamos.

Mona Chouer e Ford: quando o campo ganha voz e as histórias ganham alma

Entre memórias de família, histórias inspiradoras e novas conexões, Mona Chouer e Ford nos lembram que o campo é muito mais do que um lugar. É um sentimento.

Dizem que algumas das melhores histórias começam com um café. Outras, com uma boa conversa. Mas, se tem uma coisa que aprendi ao longo da vida, é que as histórias realmente especiais começam muito antes de percebermos que estamos vivendo uma delas.

Que o campo vem conquistando cada vez mais espaço, protagonismo e atenção da mídia não é exatamente uma novidade. Mas, para mim, ele nunca precisou de holofotes para ocupar um lugar de destaque. Afinal, antes de se tornar pauta, tendência ou cenário de grandes projetos, o campo já fazia parte das minhas memórias mais bonitas.

Meus domingos, por exemplo, sempre tiveram um roteiro muito particular. Nada de despertadores barulhentos ou compromissos inadiáveis. O sinal de que o dia havia começado vinha do cheiro de café recém-passado, que atravessava a casa, invadia o quarto e anunciava, silenciosamente, que era hora de descer.

Eu e minha irmã seguíamos aquele perfume até a mesa, onde nossa família já estava reunida. Na televisão, o Globo Rural dava início a uma tradição que parecia imune à passagem do tempo. Depois vinha o Viver Sertanejo, com músicas que não eram apenas canções, mas verdadeiros capítulos da nossa história. Algumas nos faziam cantar. Outras nos faziam lembrar. E havia aquelas que, sem pedir licença, nos emocionavam.

Talvez seja isso que mais me encanta no campo: sua capacidade de nos fazer sentir pertencentes a alguma coisa. De transformar o simples em extraordinário. De nos lembrar que, por mais longe que a vida nos leve, existem lugares, cheiros e melodias que sempre saberão o caminho de volta para o nosso coração.

E foi justamente quando pensei que meus domingos já tinham todos os ingredientes necessários para serem perfeitos que a vida resolveu acrescentar mais um episódio a essa história.

O nome? Café com Mona.

Em uma nova fase, Mona Chouer, ao lado da Ford, nos presenteia com um projeto que reúne pessoas ligadas ao universo do campo, suas histórias, trajetórias e raízes. Um encontro entre conversas que inspiram, experiências que emocionam e aquilo que o campo tem de mais precioso: gente de verdade.

Mas, para contar por que esse projeto me toca de uma maneira tão particular, preciso voltar dois meses no tempo.

17 de agosto.

Recebi uma mensagem da Mona dizendo que gostaria de marcar uma conversa comigo.

Deveria ter desconfiado.

Afinal, 17 é o meu número da sorte. E, por alguma dessas coincidências que gosto de acreditar que não são tão coincidências assim, algumas das coisas mais lindas e inesperadas da minha vida parecem escolher justamente esse número para acontecer.

Dois dias depois, lá estávamos nós em uma chamada de vídeo.

De um lado, eu, sem imaginar exatamente o que estava prestes a ouvir. Do outro, Mona, com dois olhos castanhos que brilhavam de um jeito impossível de ignorar enquanto dividia comigo uma novidade: o Café com Mona estava de volta.

Mas não exatamente como antes.

Era uma nova fase. Um formato diferente. Um projeto maior, mais ambicioso, cheio de possibilidades. E, ainda assim, enquanto ela me contava cada detalhe, havia algo que permanecia absolutamente intacto: o acolhimento.

Porque existem pessoas que, mesmo através de uma tela, conseguem fazer a gente se sentir sentada à mesa da cozinha, com uma xícara de café entre as mãos e aquela sensação gostosa de estar em casa.

Mona é uma dessas pessoas.

Enquanto a ouvia falar, percebi que o brilho nos olhos dela dizia tanto quanto suas palavras. Não era apenas a empolgação de anunciar um novo projeto, mas o entusiasmo de quem estava prestes a dar vida a algo em que realmente acreditava.

E, naquele instante, entendi que o Café com Mona não seria apenas mais uma série de vídeos. Seria um lugar de encontro.

Um espaço para ouvir quem carrega o campo na própria história. Para descobrir o que existe por trás de trajetórias, conquistas, tradições e sonhos. Para lembrar que, antes dos grandes negócios, das máquinas, das propriedades, dos números que movimentam o agronegócio e das competições, existem pessoas. Famílias. Gerações. Afetos.

E talvez seja justamente aí que esteja a beleza dessa nova fase.

Em um mundo cada vez mais acelerado, no qual todo mundo parece ter alguma coisa para dizer, Mona e a Ford nos convidam a fazer algo que se tornou quase um luxo: sentar, tomar um café e escutar.

Porque o campo pode estar ganhando o mundo, conquistando novas telas e atravessando fronteiras, mas sua essência continua sendo a mesma que conheci ainda criança, à mesa de domingo da minha família.

Histórias que merecem ser contadas

Seis episódios. Seis convidados. Seis histórias que, embora sigam caminhos diferentes, compartilham algo em comum: a paixão pelo que fazem e a coragem de transformar sonhos em realidade.

A cada encontro, Mona nos convida a conhecer não apenas trajetórias de sucesso, mas as pessoas por trás delas. Suas inspirações, seus desafios e aquelas histórias que raramente aparecem diante das câmeras.

Na estreia, conhecemos Ana Carolina, uma das competidoras de três tambores mais respeitadas do Brasil. No segundo episódio, a conversa ganha velocidade com Rafaela Ferreira, jovem promessa do automobilismo brasileiro que compete na F1 Academy, categoria criada para desenvolver e impulsionar talentos femininos no esporte. Já no terceiro, somos convidados a conhecer o universo do Haras 3 Pinheiros e sua conexão com o campo.

E ainda existem outras três histórias esperando para serem contadas. Três novos encontros que prometem nos lembrar de que, às vezes, tudo o que precisamos para descobrir algo extraordinário é sentar, servir um café e ouvir.

Talvez seja por isso que esse projeto me toque tanto. Em um mundo onde todos parecem ter pressa para falar, Mona nos lembra da beleza de saber escutar. E, ao lado da Ford, transforma cada encontro em uma jornada que vai muito além dos caminhos percorridos.

Enquanto escrevo, volto àquela mensagem recebida no dia 17 de agosto e aos olhos castanhos de Mona brilhando enquanto me contava sobre um sonho que agora ganha vida.

E percebo que, no fundo, o Café com Mona carrega exatamente aquilo que sempre amei nos meus domingos: histórias, afeto e a sensação de pertencimento.

Porque, em um mundo tão preocupado em chegar cada vez mais longe, talvez o verdadeiro luxo seja encontrar algo que nos faça sentir em casa.

E, para mim, essa sensação sempre terá cheiro de café recém-passado.

A moda tem muito a dizer: Iguatemi Talks Fashion celebra 10 anos com encontros que prometem movimentar a indústria

Com Anok Yai, Marylin Fitoussi, LY.AS, Pabllo Vittar e grandes nomes da moda brasileira, a edição comemorativa transforma São Paulo no endereço das conversas mais interessantes sobre criatividade, luxo e o futuro de uma indústria que nunca para de se reinventar.

Existe uma coisa que a moda sabe fazer tão bem quanto criar tendências: provocar conversas. E, convenhamos, algumas delas são muito mais interessantes do que descobrir qual será a próxima bolsa da temporada.

Afinal, em uma indústria na qual tudo parece mudar na velocidade de um desfile, talvez o verdadeiro luxo seja encontrar tempo para discutir o que realmente importa.

Foi pensando nisso que me veio uma pergunta: se a moda é uma das maiores expressões do nosso tempo, quem está escrevendo os seus próximos capítulos?

Nos dias 20 e 21 de outubro, o JK Iguatemi, em São Paulo, promete reunir algumas das pessoas que certamente têm boas respostas. Celebrando sua décima edição, o Iguatemi Talks Fashion apresenta uma programação que atravessa as fronteiras entre moda, cultura, comportamento, negócios e inovação.

E o line-up? Daquelas listas de convidados que fariam qualquer editora de moda reconsiderar seus compromissos da semana.

Entre os nomes confirmados estão a supermodelo Anok Yai, Marylin Fitoussi, responsável pelo figurino de Emily in Paris, o comentarista francês LY.AS, Pabllo Vittar, Lenny Niemeyer, Patricia Viera, Cris Barros, Natalie Klein, Alexandre Herchcovitch, Airon Martin e muitos outros.

Mas o que torna esta edição interessante não é apenas a quantidade de nomes conhecidos. É a possibilidade de colocar perspectivas diferentes frente a frente, em um momento no qual a moda parece estar tentando descobrir como preservar sua identidade enquanto tudo ao redor se transforma.

Entre ícones, novas gerações e o poder de construir uma imagem

No primeiro dia, a dupla Marcos e Kelvin, da MARVIN, abre a programação com uma reflexão sobre a imagem em transformação, mediada pela diretora criativa Nídia Aranha.

Em seguida, Lenny Niemeyer e Patricia Viera dividem o palco com suas filhas, Bel Niemeyer e Andrea Viera, para discutir sucessão e continuidade.

Porque existe uma diferença enorme entre herdar uma marca e compreender o que a tornou desejável em primeiro lugar.

Foto divulgação – Lenny Niemeyer e Patricia Viera

O debate sobre identidade brasileira também ganha espaço. Pedro Andrade, fundador da Piet, e Maria Fernanda Albuquerque, da Havaianas, discutem os desafios de levar marcas nacionais ao mercado internacional.

E, em tempos nos quais a imagem se tornou quase tão importante quanto a própria criação, Pabllo Vittar revisita a construção de seu universo visual ao longo de uma década de carreira.

Entre referências pop e estratégias de posicionamento, uma conclusão parece inevitável: hoje, construir uma marca também significa saber contar uma história.

De Anok Yai a Emily in Paris: quando a moda ultrapassa as passarelas

Se o primeiro dia abre espaço para discutir identidade, o segundo coloca em evidência algumas das personalidades que transformaram a imagem em linguagem.

Um dos encontros mais aguardados é a participação de Anok Yai. Descoberta em 2017 após uma fotografia viralizar, a modelo construiu uma trajetória que a levou às principais passarelas e campanhas do mundo. Em conversa com Maria Laura Neves, da Vogue, ela compartilhará os bastidores de sua carreira.

Foto divulgação – Anok Yai

E, falando em personagens que conquistaram a moda, Marylin Fitoussi também está confirmada.

Responsável pelo figurino de Emily in Paris, a figurinista participa de uma conversa sobre a capacidade das roupas de contar histórias. Porque, sejamos sinceras, algumas personagens conseguem revelar mais sobre seus sentimentos escolhendo um casaco do que fazendo uma declaração de amor.

A discussão vai muito além das tendências: trata-se de entender como o figurino constrói personalidade, cria desejo e, às vezes, transforma uma produção audiovisual em uma referência cultural.

Foto divulgação -Marylin Fitoussi

O segundo dia ainda reúne Isabeli Fontana, Shirley Mallmann e Anabela Santos para celebrar a presença brasileira nas passarelas internacionais, enquanto Cris Barros, Natalie Klein, Julia Arcangeli e Gabriela Helito discutem os desafios de construir marcas relevantes em diferentes gerações.

Para encerrar a programação principal, Dudu Bertholini recebe LY.AS, um dos nomes que vêm transformando a maneira como o público acompanha e comenta a moda.

O futuro da moda talvez esteja menos nas tendências e mais nas ideias

Além dos grandes encontros, o espaço CUBO recebe discussões sobre inteligência artificial nos ateliês de luxo, moda circular, upcycling, direção criativa e o impacto do TikTok Shop no varejo.

Gustavo Silvestre e Penha Maia discutem como preservar a originalidade em tempos de algoritmos. Já Alexandre Herchcovitch e Julia Sabbag refletem sobre a permanência e o valor das peças em um mercado acostumado à novidade.

Há ainda espaço para a moda bridal, com Elisa Zarzur e Theresa Fonseca, e para os bastidores das colaborações de sucesso Nina Trevisan, da FARM, e Bárbara Ikari, da Adidas,

Foto de divulgação: Theresa Fonseca e Elisa Zarzur

Temas diferentes, mas conectados por uma mesma questão: como continuar criando desejo em um mundo que já parece ter visto de tudo?

Talvez seja justamente aí que esteja a importância de encontros como o Iguatemi Talks Fashion.

Em dez edições, a conferência recebeu nomes como Virgil Abloh, Christian Louboutin, Giambattista Valli, Eva Chen e Lauren Santo Domingo, construindo um espaço de diálogo entre o mercado brasileiro e algumas das principais vozes internacionais.

Agora, ao celebrar sua trajetória, o evento também olha para aquilo que ainda está por vir.

Porque uma coisa é acompanhar a próxima tendência. Outra, muito mais interessante, é participar das conversas que podem defini-la.

E, se existe algo que aprendemos com a moda, é que as melhores histórias quase nunca começam na passarela. Às vezes, começam com uma boa pergunta.

Serviço | Iguatemi Talks Fashion 2026

Data: 20 e 21 de outubro de 2026

Local: JK Iguatemi, São PauloI

Ingressos: disponíveis no site oficial do Iguatemi Talks Fashion

Programação: palestras, painéis, masterclasses e workshops nos espaços JK Eventos e CUBO JK.

Impacto social: 10% da renda dos ingressos será destinada ao Instituto Nacional de Moda e Design (IN-MOD).

Feridas emocionais não contam a história inteira

Um convite à reflexão e ao percurso da Contoterapia

Por: Dra Kátia Pegos – Psiquiatra e especialista em saúde mental da Tría de Rosa

Tem frases que a gente ouve uma vez e leva a vida inteira repetindo por dentro. Às vezes nem eram ditas para nós. Bastou assistir à cena, entender qual lugar estava disponível naquela casa e encontrar um jeito de caber nele.

Quando falo em feridas emocionais, penso nesse encontro entre o que aconteceu e o que fizemos para seguir em frente. A menina que se sentiu rejeitada aprende a não pedir. A que teve medo de ser deixada vira especialista em perceber qualquer mudança de tom na voz do outro. São respostas compreensíveis, e muitas delas. nos salvaram naquele momento. O problema é que continuamos obedecendo a elas décadas depois, já com outras escolhas na mão.

Para os encontros que preparei, escolhi olhar de perto para cinco temas: rejeição, abandono, humilhação, traição e injustiça. Cada um abre perguntas diferentes. Nada aqui é teste, diagnóstico ou explicação automática para a sua vida. Duas mulheres podem passar por situações parecidas e dar sentidos muito diferentes ao que viveram. E a mesma mulher pode mudar a forma de contar a própria história com o tempo.

Você já reparou como uma pequena crítica consegue nos acompanhar por dias? Quase nunca é a frase de agora que ocupa tanto espaço. É uma história antiga sendo convocada, um esforço antigo para ser aceita, o receio de voltar a ser diminuída. Não se trata de procurar toda reação na infância. Trata-se de perguntar, com curiosidade e sem julgamento, o que foi tão difícil ali para mim.

E é exatamente aí que os contos entram, e é por isso que eu amo conduzir esse trabalho. Os contos não nos interrogam. Eles colocam diante de nós personagens, perdas, escolhas e gestos. De repente você se surpreende defendendo alguém, ficando irritada com outro, ou reconhecendo uma vontade que ainda não tinha dito em voz alta. A história cria uma distância protetora, e é justamente essa distância que nos permite chegar mais perto de nós mesmas.

Quero que saiba: reconhecer uma ferida não obriga ninguém a perdoar, a retomar uma relação ou a contar publicamente o que viveu. O primeiro movimento pode ser bem menor e cabe perfeitamente na sua vida: perceber uma reação habitual e se perguntar se ela ainda protege você ou se já começa a limitar a vida que você quer levar.

Em novembro, vou conduzir em Belo Horizonte cinco encontros presenciais de Contoterapia, um para cada um desses temas. Em cada encontro haverá um conto, tempo para escrever e uma conversa em que cada participante fala apenas o que quiser, no seu tempo. Começamos em 09/11. As informações estão com a Bia, pelo WhatsApp +55 31 99542-7498.

Se alguma parte deste texto tocou algo em você, considere isso um convite. Tem lugar para você na roda.