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Santiago Vieira: o maestro invisível por trás da festa

Grandes espetáculos nunca acontecem por acaso. Eles são escritos em detalhes invisíveis, costurados em reuniões silenciosas, decisões rápidas e olhares atentos que poucos percebem. No fim das contas, todo grande espetáculo precisa de alguém que conduza a orquestra, mesmo que ninguém veja o movimento de suas mãos.

15 de fevereiro, Rio de Janeiro.

A pauta parecia simples, mas carregava algo quase poético: olhar para aqueles que fazem a festa acontecer. Aqueles que, curiosamente, ganham um protagonismo silencioso justamente no mês em que o país inteiro decide celebrar em voz alta.

Porque o Carnaval sempre foi sobre espetáculo. Sobre brilho, ritmo e multidões. Mas, como em qualquer grande apresentação, existe sempre alguém nos bastidores organizando cada detalhe, conduzindo cada movimento com precisão quase invisível.

Um maestro.

E foi ali, observando o movimento intenso de uma das áreas mais vibrantes da Sapucaí, que esbarramos em uma figura que, sem saber, se tornaria o assunto dessas linhas.

Santiago Vieira.

Foto reprodução Instagram @santiagorsvieira

Enquanto milhares de pessoas ocupavam a avenida, algo chamou atenção. Grandes eventos têm algo em comum com a música clássica: à primeira vista, tudo parece espontâneo. A energia, o ritmo, a emoção. Mas por trás de cada momento existe alguém coordenando tudo com uma lógica silenciosa, quase coreografada.

E Santiago,, parecia exatamente isso. Um maestro conduzindo uma orquestra que não toca violinos, mas experiências.

Bem, sempre que vejo grandes negócios, me faço a mesma pergunta: qual teria sido o sonho de infância daquele CEO? Talvez porque eu goste de imaginar adultos ainda conversando, em silêncio, com suas versões crianças.

E então perguntei isso a Santiago.

“Quando eu era criança, não tinha um sonho específico de profissão”, respondeu. “Mas sempre tive uma inquietação.”

Inquietação.

Talvez essa seja a palavra mais bonita para definir pessoas que nasceram grandes demais. Pessoas que transformam desconforto em movimento, curiosidade em destino.

“Eu queria construir coisas grandes. Criar algo que conectasse pessoas, que gerasse impacto. Eu não sabia exatamente o quê. Mas sempre soube o porquê.” diz Santiago.

E talvez seja isso que diferencia certos caminhos. Enquanto algumas pessoas passam a vida inteira tentando encontrar propósito, outras parecem nascer segurando uma espécie de bússola invisível. Algo silencioso, quase mágico, que as empurra na direção do que ainda nem existe.

O primeiro movimento do maestro

Curiosamente, sua história não começou no entretenimento. Vindo de uma família de juristas, Santiago chegou a iniciar o curso de Direito. Mas, como acontece com muitos caminhos que não são os nossos, algo simplesmente não encaixou.

Foi na administração que ele encontrou o próprio compasso. Ali nasceu não apenas uma formação, mas também uma inquietação empreendedora que logo se transformaria em ação.

Ainda durante a faculdade, abriu sua primeira academia. Não seria uma academia qualquer, seria uma academia boutique. Naquele momento, o CrossFit começava a ganhar força no universo fitness, e Santiago enxergou ali uma oportunidade.

Buscando referências, viajou até a Califórnia, visitou academias, observou modelos de negócio, estudou o que funcionava e o que não funcionava. Quando voltou, trouxe uma proposta inovadora para a época: uma academia em frente à praia que unia CrossFit e o universo das lutas.

Era um conceito novo. Um espaço pensado não apenas para treinar, mas para criar experiência.

Talvez ali já estivesse o primeiro indício de algo que se tornaria marca registrada da sua trajetória: Santiago sempre teve um olhar profundamente visual.

Foi essa visão que o levou ao próximo movimento. Após perceber lacunas no mercado, decidiu abrir sua própria agência. E algum tempo depois, como todo bom maestro que começa a reconhecer o potencial da própria orquestra, mergulhou de vez no universo dos eventos.

Foi assim que nasceu o Nosso.

O espetáculo que nasceu de uma conversa

No início, o projeto era pequeno. Quase discreto. Havia planos ambiciosos, claro, mas nada que antecipasse a dimensão que aquilo alcançaria.

Mas como toda grande composição, o crescimento veio movimento por movimento.

Santiago costuma dizer que o sucesso do Nosso vai muito além dos sócios ou ex-sócios. Ele atribui grande parte dessa construção à equipe que se formou ao redor do projeto. Uma equipe que, segundo ele, funciona como uma verdadeira família.

E talvez seja exatamente isso que faz um espetáculo acontecer.

Mas nem toda grande história é feita apenas de aplausos.

Nos bastidores, houve desafios. Trabalhar com entretenimento significa lidar diariamente com o imprevisível. Pressão, decisões rápidas e criatividade constante fazem parte da rotina.

E, nos primeiros anos, os números não foram gentis.

Santiago conta que, logo no início, o projeto enfrentou um prejuízo significativo. No primeiro ano, a perda chegou perto de quatro milhões de reais. Era o tipo de momento que faz qualquer empreendedor parar e se perguntar se está no caminho certo.

Mas algumas visões são grandes demais para serem abandonadas.

Hoje, o Nosso se tornou muito mais do que um evento. É uma verdadeira plataforma de comunicação. Durante o Carnaval, cerca de quatro mil pessoas passam pelo espaço diariamente, além da enorme repercussão online que acompanha cada edição.

Dentro da Sapucaí, onde a música ecoa madrugada adentro, também se fazem negócios.

E talvez esse seja o segredo do projeto: ele entende que entretenimento e conexão caminham juntos.

Curiosamente, tudo começou quase como uma conversa entre amigos.

Em 2016, Gabriel David convidou Santiago para abrir um camarote na Sapucaí. No começo, eram apenas os dois. Um projeto simples, quase experimental.

Mas foi durante o desfile das campeãs que uma frase mudaria tudo.

Santiago virou para Gabriel e disse: “A gente vai abrir o nosso camarote.”

Sem perceber, ele acabava de batizar o projeto.

Nosso.

O nome ficou. E com ele, a ideia de pertencimento que se tornaria uma das bases do negócio.

Mas, para alguém apaixonado por criar experiências, a Sapucaí começou a parecer apenas o começo.

Santiago queria mais.

Foto reprodução Instagram @santiagorsvieira

O homem transforma eventos em comunidade

Seu olhar começou a se voltar para outros grandes eventos: Fórmula 1, estádios, experiências ao vivo. A visão sempre foi a mesma: criar comunidade.

Porque eventos passam. Mas comunidades permanecem.

Foi essa mesma determinação que o levou, por exemplo, a trazer Ne-Yo para o Brasil. Uma iniciativa que misturou ousadia, estratégia e aquela teimosia tão brasileira de quem acredita que, quando quer, faz acontecer.

Quando se juntam amor pelo que se faz, trabalho constante e uma boa dose de coragem, o impossível começa a parecer apenas uma questão de tempo.

E talvez por isso Santiago também seja, acima de tudo, um estrategista.

Foto reprodução Instagram @nossocamarote

Nosso na f1 de Miami

Miami nunca foi apenas um destino. É um encontro de culturas, ritmos, pessoas e talvez por isso tenha sido o cenário perfeito para o próximo movimento do NOSSO.

Neste mês de maio, o NOSSO aterrissou na Fórmula 1 de Miami com uma proposta clara: mais do que acesso, criar pertencimento.

Com um investimento de cerca de 2 milhões de dólares e apenas 130 convidados, o projeto levou sua essência para um dos eventos mais desejados do mundo. Sem ingressos à venda, o NOSSO se posiciona como uma plataforma de relacionamento onde hospitalidade, música e curadoria transformam encontros em experiências memoráveis.

“A gente nunca quis ser sobre volume. A gente quis ser sobre profundidade. Sobre conexão de verdade”, diz Santiago.

Porque, no fim, o verdadeiro luxo talvez esteja exatamente nisso: fazer parte de algo que não pode simplesmente ser comprado.

Foto reprodução Instagram @nossocamarote

Empreender também é escutar silêncios

Foi dessa estratégia que nasceu a Ticky, um novo projeto que curiosamente conversa diretamente com o início de sua trajetória.

Observando o comportamento da geração Z, cada vez mais preocupada com saúde, bem-estar e escolhas alimentares, Santiago e seus sócios identificaram uma lacuna curiosa no mercado.

Produtos mais saudáveis estavam em alta.

Mas era extremamente difícil encontrar pirulitos sem açúcar.

Assim nasceu a ideia.

Porque, no fundo, empreender também é isso: perceber pequenos silêncios no mercado e transformá-los em novas melodias.

Foto reprodução Instagram Ticky

E talvez seja exatamente assim que Santiago conduz sua carreira.

Como um maestro que observa atentamente cada instrumento, cada ritmo e cada pausa.

Porque grandes espetáculos não acontecem por acaso.

Eles são conduzidos.

E, muitas vezes, quase sem que a gente perceba.

No fim das contas, Santiago vem de uma nova leva de CEOs que carrega algo raro: a capacidade de transformar visão em sentimento.

Executivos que entendem que marcas não vivem apenas de números, mas de experiências. De memória. De pertencimento.

Talvez seja por isso que sua trajetória pareça menos sobre negócios e mais sobre movimento. Sobre conectar pessoas, antecipar desejos e criar espaços onde o mundo, por alguns instantes, parece caber no mesmo ritmo.

Porque existem empresários que constroem empresas.
E existem aqueles que constroem atmosferas.

Santiago, ao que tudo indica, escolheu construir mundos.

Além das fronteiras: o camarote NOSSO redefine o luxo em Miami

Da Sapucaí ao circuito da Fórmula 1 de Miami, a marca brasileira transforma hospitalidade em uma experiência global de pertencimento.

Se tem uma coisa que aprendemos, talvez tarde demais, talvez no tempo exato é que alguns lugares não são exatamente lugares.

São sensações. São encontros. São aquelas memórias que a gente nem sabia que estava criando… até perceber que não quer mais ir embora.

E talvez seja exatamente isso que o NOSSO sempre foi.

Foto reprodução Instagram @nossocamarote

Depois de conquistar, o posto de um dos espaços mais desejados do Carnaval carioca, o NOSSO faz aquilo que toda história bem contada inevitavelmente faz: avança.

Mas não de qualquer forma.

Avança com intenção. Avança com coragem. Avança… para fora do país.

Porque, veja bem, não é apenas sobre sair da Sapucaí. É sobre entender que quando algo é construído com verdade, ele não pertence a um lugar só. Ele atravessa. Ele ecoa. Ele encontra novos cenários e, mais importante, novas pessoas.

E foi assim, quase como quem aceita um convite impossível de recusar, que o NOSSO desembarca na Fórmula 1 de Miami.

“O NOSSO sempre foi sobre criar experiências que conectam pessoas em torno de grandes momentos”, diz Santiago Vieira, CEO e sócio-fundador da marca.
“Expandir isso para fora do Brasil não é exatamente uma escolha estratégica. É quase uma consequência natural do que a gente construiu.”

Natural, aqui, soa como inevitável. Porque antes de Miami, houve Interlagos. E antes de Interlagos… houve um sentimento.

“Interlagos foi um divisor de águas pra gente. Ali ficou muito claro que o que a gente criou no Carnaval podia existir em outros lugares, com a mesma força”, ele me conta.

Um teste, talvez.
Um daqueles momentos em que a gente percebe que aquilo que parecia único… na verdade, pode ser infinito.

Interlagos não foi só um passo. Foi um ponto de virada.

Um sussurro elegante dizendo: isso pode ir muito mais longe.

E foi.

Foto reprodução Instagram @nossocamarote

Mas Miami, afinal, não é apenas um destino. É um encontro de mundos.

Um lugar onde idiomas se misturam, onde culturas dançam juntas, onde o excesso curiosamente encontra sofisticação.

E talvez por isso faça tanto sentido começar por lá.

Com um investimento de aproximadamente 2 milhões de dólares e um detalhe que, confesso, me fez arquear levemente a sobrancelha: não há ingressos à venda.

Porque o NOSSO não vende acesso.

Ele constrói pertencimento.

“A gente nunca quis ser sobre volume”, Santiago diz, quase como quem compartilha um segredo.
“A gente quis ser sobre profundidade. Sobre conexão de verdade.”

São apenas 130 convidados. Poucos, seletos… quase como se cada nome fosse escolhido não apenas pelo que representa, mas pelo que pode sentir.

“O NOSSO é uma plataforma de relacionamento. E relacionamento não se compra, se constrói com tempo, com cuidado, com intenção.”

E, no fundo, não é exatamente isso que buscamos?

Não mais lugares para ir…Mas lugares que realmente queremos estar.

A lógica continua a mesma. E talvez seja isso que mais me encanta.

A hospitalidade que abraça sem esforço.
A curadoria que não grita, sussurra.
A música que não invade, envolve.

“A música é o que costura tudo. Ela cria atmosfera, aproxima as pessoas, traduz o momento”, ele completa.

Se no Rio o samba dita o ritmo, em Miami ele se traduz. Ganha novas batidas, novos corpos, novos olhares… mas mantém a mesma intenção: conectar.

Porque no fim e isso pode soar como clichê, mas alguns clichês são apenas verdades bem vestidas. Tudo se resume a isso: Pessoas. Conexões. E momentos que, de tão bons, quase doem um pouco quando acabam.

“Se antes o mundo vinha até a gente durante o Carnaval, agora somos nós que vamos até onde esse público está”, diz Santiago.
“E isso muda completamente a forma como a gente enxerga o futuro.”

Talvez a grande virada não seja geográfica.
Talvez seja simbólica.

Antes, o mundo vinha até nós.
Agora… nós chegamos ao mundo.

E enquanto eu penso sobre isso, não consigo deixar de me perguntar:

Será que o verdadeiro luxo, hoje, não está exatamente aí?

Não no excesso…Mas na sensação rara de fazer parte de algo que não pode ser comprado?

Se for, o NOSSO entendeu tudo.

E, ao que tudo indica… isso é só o começo.

Alexandra Leclerc: A delicadeza como linguagem de poder

Há capas que simplesmente ilustram uma edição. E há aquelas que, quase como um olhar atravessado em um jantar elegante, nos capturam antes mesmo que possamos entender por quê.

Hoje, foi impossível ignorar o momento em que a nova edição da Harper’s Bazaar Turkey revelou sua capa e, com ela, a presença magnética de Alexandra Leclerc sob o brilho inconfundível de Tiffany & Co.. Não se trata apenas de uma composição estética, mas de uma narrativa visual precisa, quase sussurrada, que fala sobre poder, identidade e um tipo de luxo que não precisa se anunciar em voz alta.

Porque, no fim, não é curioso como algumas imagens não pedem atenção, elas simplesmente a tomam?

Foto reprodução Instagram @alexandramalenaleclerc

Talvez seja exatamente aí que comece uma nova fase da publicação, agora sob a direção de Inan Kirdemir. Há uma assinatura clara, firme, mas nunca óbvia. Uma presença editorial que não impõe, envolve. E, ainda assim, essa é uma história que merece ser contada com a calma de um próximo capítulo.

Vivemos, sem dúvida, um retorno do romantismo. Mas não aquele romantismo previsível, quase ensaiado. O que vemos agora é mais sutil, mais inteligente. Um romantismo que se constrói nos detalhes, nos intervalos, naquilo que não se explica, mas se sente.

No cinema e nas séries, ele volta a ocupar o centro da narrativa. Nas campanhas das grandes maisons, torna-se estratégia: não apenas para vender, mas para criar vínculo. Porque hoje, mais do que nunca, não consumimos apenas produtos, mas consumimos histórias, atmosferas, emoções que nos permitem pertencer.

E é exatamente nesse território que este editorial encontra sua força.

Ao observar Alexandra Leclerc, fica claro que o romantismo aqui não está apenas na estética, mas na intenção. Existe uma delicadeza quase coreografada na forma como cada elemento se organiza, como se cada imagem fosse um fragmento de uma narrativa íntima, onde o luxo abandona o excesso e abraça a sensibilidade.

Foto reprodução Instagram @riccardo.apostolico

Sob o olhar da Tiffany & Co., esse romantismo ganha contornos contemporâneos: menos sobre promessas eternas, mais sobre presença. Menos sobre declarações grandiosas, mais sobre escolhas sutis. Um amor que se revela na luz, no gesto, no enquadramento.

E talvez seja isso que mais nos seduza: a sensação de que, por trás de cada imagem, existe uma história que poderia silenciosamente ser a nossa.

Alexandra carrega uma assinatura estética inconfundível. A arte não a acompanha, ela a atravessa. Flores deixam de ser ornamento e se tornam linguagem. Borboletas surgem não como delicadeza óbvia, mas como símbolos, como uma metáfora visual constante de movimento e reinvenção. Em suas mãos, esses elementos não suavizam, fortalecem.

Há algo profundamente narrativo em sua presença. Como se cada editorial fosse menos sobre imagens isoladas e mais sobre um conto visual cuidadosamente construído. E, nesse conto, ela não interpreta, ela existe.

Observá-la é como assistir a uma princesa contemporânea. Mas não aquela presa a protocolos ou a finais previsíveis. É uma princesa que entende o seu tempo, que constrói sua própria narrativa e, acima de tudo, domina a forma como deseja ser vista.

Foto reprodução Instagram @riccardo.apostolico

E é justamente aí que tudo se torna mais interessante: o romantismo aqui não é ingênuo, é intencional. Não é frágil, é estratégico. Entre flores, há força. Entre a leveza, há controle.

Porque, no fim, o verdadeiro luxo assim como as melhores histórias de amor está na maneira como escolhemos nos apresentar ao mundo.

Mulheres de Raízes: o luxo que nasce da terra 

E foi assim, quase como quem descobre um segredo sussurrado entre amigas, que nasceu oficialmente a nossa série Campo Privé. Porque, de repente, o campo deixou de ser apenas destino e passou a ser cenário de encontros, de estilo, de uma nova forma de viver o luxo.

Um luxo que não precisa de excesso, mas de intenção. Entre botas de couro, vestidos que dançam com o vento e eventos que parecem existir fora do tempo, há um universo inteiro pulsando sofisticado, silencioso e absolutamente magnético.

E talvez a pergunta não seja por que estamos olhando para o campo agora… mas por que demoramos tanto para perceber que ele sempre foi o verdadeiro refúgio do desejo.

Campo Privé nasce desse olhar. Um convite para explorar a moda no campo, seus códigos, seus encontros e tudo aquilo que transforma esse cenário em um dos capítulos mais fascinantes do luxo contemporâneo.

E, para iniciar a série, começamos por aquilo que, no fundo, sempre traduz melhor um movimento: as marcas. São elas que capturam o espírito de um tempo antes mesmo que ele ganhe nome. Que transformam paisagens em desejo, tecidos em narrativa e estética em identidade.

Dentro desse universo, onde o campo encontra o luxo, surgem etiquetas que compreendem esse equilíbrio quase intuitivo entre o rústico e o refinado, entre a tradição e uma nova forma de elegância despretensiosa.

Não se trata apenas de vestir para o campo, mas de vestir o campo como ideia, como estilo de vida, como linguagem.

E, no meio disso tudo, há marcas que não apenas acompanham essa estética, mas a definem. E estamos falando de Luiza Barcelos.

Para a coleção de inverno 2026, Luiza Barcelos apresenta a campanha Mulheres de Raízes, onde o campo não é apenas pano de fundo, é essência. A estética da campanha mergulha nesse imaginário com naturalidade, trazendo nomes como Gabriela Versiani e Maria Paula Maia, que traduzem com precisão esse encontro entre força, feminilidade e pertencimento.

Foto reprodução Instagram @luizabarcelos

Entre botas, bolsas que evocam o toque da terra, a coleção dialoga diretamente com a tendência western, mas faz isso à sua maneira. Nada caricato, tudo extremamente refinado. É o campo reinterpretado sob a lente do luxo contemporâneo: mais silencioso, mais sensorial, mais sofisticado.

Aqui, cada peça parece carregar uma história. Um gesto. Uma memória. Porque, no fim, não se trata apenas de tendência, mas de identidade.

Foto reprodução Instagram @luizabarcelos

Há algo de profundamente emocional nessa campanha, quase como se cada imagem carregasse uma lembrança que não é necessariamente nossa, mas que, ainda assim, reconhecemos. Mulheres de Raízes não fala apenas sobre moda, fala sobre origem. Sobre aquilo que sustenta, que atravessa gerações, que permanece mesmo quando tudo muda.

E, como toda campanha bem pensada, Luiza Barcelos apresenta não apenas rostos, mas vozes protagonistas que conhecem, na pele, o significado de ter raízes. Mulheres que fazem e fizeram história no campo, que carregam consigo não só uma estética, mas um legado.

Foto reprodução Instagram @luizabarcelos

Há uma verdade que atravessa cada uma delas. Não é atuação, é vivência. São histórias escritas com o tempo, com a terra, com escolhas que exigiram coragem e permanência. Mulheres que entendem o campo não como tendência, mas como origem, como parte indissociável de quem são.

E talvez seja isso que torna tudo ainda mais potente: a fusão entre moda e memória. Entre imagem e identidade. Porque, quando essas mulheres vestem a campanha, não estão apenas representando um conceito, estão reafirmando uma história que continua a ser contada, agora sob uma nova perspectiva.

No fim, Luiza Barcelos não cria apenas uma campanha. Ela constrói um retrato sensível de um Brasil profundo, elegante em sua essência, onde o luxo não se impõe, ele floresce, silencioso, a partir daquilo que é verdadeiro.

Mulheres de Raízes é, no fim, sobre pertencimento. Sobre voltar, mesmo sem sair do lugar. Sobre entender que o verdadeiro luxo talvez esteja exatamente aí: em saber de onde se vem e, ainda assim, escolher, todos os dias, para onde ir.

A elegância do “não”: O olhar curatorial de Sasha Meneghel

Foto reprodução instagram @sashameneghel

Há um novo código silencioso sendo escrito no universo do luxo e ele não fala sobre excessos, mas sobre escolhas. Em terceira pessoa, quase como quem observa de fora, percebe-se que Sasha Meneghel não está apenas criando roupas. Ela está editando um estilo de vida.

À frente da Mondepars, Sasha constrói uma estética que recusa o óbvio. Minimalista, precisa e intencional, sua marca não busca ocupar todos os espaços, apenas os certos. E talvez seja exatamente aí que reside sua força: naquilo que ela decide não fazer.

Essa filosofia encontra eco na nova colaboração com a Tanqueray, que dá mais um passo estratégico ao se aproximar do território da moda e do comportamento. O encontro entre as duas marcas resulta em uma coleção cápsula limitada que traduz, em peças de vestuário, um pensamento compartilhado: o luxo como consequência de critérios bem definidos.

Foto reprodução instagram @sashameneghel

A linha, composta por cinco itens entre camisetas, moletom e boné, marca um novo momento para a Tanqueray no Brasil. Mais do que expandir sua presença, a marca passa a dialogar com uma geração que entende o consumo como extensão de identidade.

A base conceitual da collab vem de uma história que atravessa séculos. Inspirada nos “300 nãos” de Charles Tanqueray, a narrativa resgata o rigor do fundador que recusou inúmeras combinações até chegar à receita ideal do London Dry Gin. Hoje, esse “não” se transforma em linguagem, um símbolo de excelência, consistência e visão.

E é justamente nesse ponto que Sasha se insere com naturalidade. Para ela, recusar não é limitar, é lapidar. É entender o que faz sentido, o que permanece e o que constrói uma marca com intenção de longo prazo.

Do lado da Diageo, grupo responsável pela Tanqueray, a parceria reforça uma estratégia clara: expandir o significado da marca para além do copo, ocupando espaços onde cultura e lifestyle se entrelaçam.

Em um cenário global onde celebridades transformam marcas em extensões de si, como faz Kendall Jenner com a 818 Tequila, Sasha segue um caminho que parece menos sobre projeção e mais sobre construção. Menos sobre presença constante e mais sobre permanência.

No fim, entre tecidos, botânicos e decisões cuidadosamente editadas, o que se desenha não é apenas uma colaboração, mas um posicionamento.

Porque, no luxo contemporâneo, talvez o verdadeiro diferencial não esteja no que se cria, mas no que se escolhe deixar de fora.

Foto reprodução instagram @sashameneghel
Foto reprodução instagram @sashameneghel
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