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Alexandra Leclerc: A delicadeza como linguagem de poder

Há capas que simplesmente ilustram uma edição. E há aquelas que, quase como um olhar atravessado em um jantar elegante, nos capturam antes mesmo que possamos entender por quê.

Hoje, foi impossível ignorar o momento em que a nova edição da Harper’s Bazaar Turkey revelou sua capa e, com ela, a presença magnética de Alexandra Leclerc sob o brilho inconfundível de Tiffany & Co.. Não se trata apenas de uma composição estética, mas de uma narrativa visual precisa, quase sussurrada, que fala sobre poder, identidade e um tipo de luxo que não precisa se anunciar em voz alta.

Porque, no fim, não é curioso como algumas imagens não pedem atenção, elas simplesmente a tomam?

Foto reprodução Instagram @alexandramalenaleclerc

Talvez seja exatamente aí que comece uma nova fase da publicação, agora sob a direção de Inan Kirdemir. Há uma assinatura clara, firme, mas nunca óbvia. Uma presença editorial que não impõe, envolve. E, ainda assim, essa é uma história que merece ser contada com a calma de um próximo capítulo.

Vivemos, sem dúvida, um retorno do romantismo. Mas não aquele romantismo previsível, quase ensaiado. O que vemos agora é mais sutil, mais inteligente. Um romantismo que se constrói nos detalhes, nos intervalos, naquilo que não se explica, mas se sente.

No cinema e nas séries, ele volta a ocupar o centro da narrativa. Nas campanhas das grandes maisons, torna-se estratégia: não apenas para vender, mas para criar vínculo. Porque hoje, mais do que nunca, não consumimos apenas produtos, mas consumimos histórias, atmosferas, emoções que nos permitem pertencer.

E é exatamente nesse território que este editorial encontra sua força.

Ao observar Alexandra Leclerc, fica claro que o romantismo aqui não está apenas na estética, mas na intenção. Existe uma delicadeza quase coreografada na forma como cada elemento se organiza, como se cada imagem fosse um fragmento de uma narrativa íntima, onde o luxo abandona o excesso e abraça a sensibilidade.

Foto reprodução Instagram @riccardo.apostolico

Sob o olhar da Tiffany & Co., esse romantismo ganha contornos contemporâneos: menos sobre promessas eternas, mais sobre presença. Menos sobre declarações grandiosas, mais sobre escolhas sutis. Um amor que se revela na luz, no gesto, no enquadramento.

E talvez seja isso que mais nos seduza: a sensação de que, por trás de cada imagem, existe uma história que poderia silenciosamente ser a nossa.

Alexandra carrega uma assinatura estética inconfundível. A arte não a acompanha, ela a atravessa. Flores deixam de ser ornamento e se tornam linguagem. Borboletas surgem não como delicadeza óbvia, mas como símbolos, como uma metáfora visual constante de movimento e reinvenção. Em suas mãos, esses elementos não suavizam, fortalecem.

Há algo profundamente narrativo em sua presença. Como se cada editorial fosse menos sobre imagens isoladas e mais sobre um conto visual cuidadosamente construído. E, nesse conto, ela não interpreta, ela existe.

Observá-la é como assistir a uma princesa contemporânea. Mas não aquela presa a protocolos ou a finais previsíveis. É uma princesa que entende o seu tempo, que constrói sua própria narrativa e, acima de tudo, domina a forma como deseja ser vista.

Foto reprodução Instagram @riccardo.apostolico

E é justamente aí que tudo se torna mais interessante: o romantismo aqui não é ingênuo, é intencional. Não é frágil, é estratégico. Entre flores, há força. Entre a leveza, há controle.

Porque, no fim, o verdadeiro luxo assim como as melhores histórias de amor está na maneira como escolhemos nos apresentar ao mundo.

Mulheres de Raízes: o luxo que nasce da terra 

E foi assim, quase como quem descobre um segredo sussurrado entre amigas, que nasceu oficialmente a nossa série Campo Privé. Porque, de repente, o campo deixou de ser apenas destino e passou a ser cenário de encontros, de estilo, de uma nova forma de viver o luxo.

Um luxo que não precisa de excesso, mas de intenção. Entre botas de couro, vestidos que dançam com o vento e eventos que parecem existir fora do tempo, há um universo inteiro pulsando sofisticado, silencioso e absolutamente magnético.

E talvez a pergunta não seja por que estamos olhando para o campo agora… mas por que demoramos tanto para perceber que ele sempre foi o verdadeiro refúgio do desejo.

Campo Privé nasce desse olhar. Um convite para explorar a moda no campo, seus códigos, seus encontros e tudo aquilo que transforma esse cenário em um dos capítulos mais fascinantes do luxo contemporâneo.

E, para iniciar a série, começamos por aquilo que, no fundo, sempre traduz melhor um movimento: as marcas. São elas que capturam o espírito de um tempo antes mesmo que ele ganhe nome. Que transformam paisagens em desejo, tecidos em narrativa e estética em identidade.

Dentro desse universo, onde o campo encontra o luxo, surgem etiquetas que compreendem esse equilíbrio quase intuitivo entre o rústico e o refinado, entre a tradição e uma nova forma de elegância despretensiosa.

Não se trata apenas de vestir para o campo, mas de vestir o campo como ideia, como estilo de vida, como linguagem.

E, no meio disso tudo, há marcas que não apenas acompanham essa estética, mas a definem. E estamos falando de Luiza Barcelos.

Para a coleção de inverno 2026, Luiza Barcelos apresenta a campanha Mulheres de Raízes, onde o campo não é apenas pano de fundo, é essência. A estética da campanha mergulha nesse imaginário com naturalidade, trazendo nomes como Gabriela Versiani e Maria Paula Maia, que traduzem com precisão esse encontro entre força, feminilidade e pertencimento.

Foto reprodução Instagram @luizabarcelos

Entre botas, bolsas que evocam o toque da terra, a coleção dialoga diretamente com a tendência western, mas faz isso à sua maneira. Nada caricato, tudo extremamente refinado. É o campo reinterpretado sob a lente do luxo contemporâneo: mais silencioso, mais sensorial, mais sofisticado.

Aqui, cada peça parece carregar uma história. Um gesto. Uma memória. Porque, no fim, não se trata apenas de tendência, mas de identidade.

Foto reprodução Instagram @luizabarcelos

Há algo de profundamente emocional nessa campanha, quase como se cada imagem carregasse uma lembrança que não é necessariamente nossa, mas que, ainda assim, reconhecemos. Mulheres de Raízes não fala apenas sobre moda, fala sobre origem. Sobre aquilo que sustenta, que atravessa gerações, que permanece mesmo quando tudo muda.

E, como toda campanha bem pensada, Luiza Barcelos apresenta não apenas rostos, mas vozes protagonistas que conhecem, na pele, o significado de ter raízes. Mulheres que fazem e fizeram história no campo, que carregam consigo não só uma estética, mas um legado.

Foto reprodução Instagram @luizabarcelos

Há uma verdade que atravessa cada uma delas. Não é atuação, é vivência. São histórias escritas com o tempo, com a terra, com escolhas que exigiram coragem e permanência. Mulheres que entendem o campo não como tendência, mas como origem, como parte indissociável de quem são.

E talvez seja isso que torna tudo ainda mais potente: a fusão entre moda e memória. Entre imagem e identidade. Porque, quando essas mulheres vestem a campanha, não estão apenas representando um conceito, estão reafirmando uma história que continua a ser contada, agora sob uma nova perspectiva.

No fim, Luiza Barcelos não cria apenas uma campanha. Ela constrói um retrato sensível de um Brasil profundo, elegante em sua essência, onde o luxo não se impõe, ele floresce, silencioso, a partir daquilo que é verdadeiro.

Mulheres de Raízes é, no fim, sobre pertencimento. Sobre voltar, mesmo sem sair do lugar. Sobre entender que o verdadeiro luxo talvez esteja exatamente aí: em saber de onde se vem e, ainda assim, escolher, todos os dias, para onde ir.

A elegância do “não”: O olhar curatorial de Sasha Meneghel

Foto reprodução instagram @sashameneghel

Há um novo código silencioso sendo escrito no universo do luxo e ele não fala sobre excessos, mas sobre escolhas. Em terceira pessoa, quase como quem observa de fora, percebe-se que Sasha Meneghel não está apenas criando roupas. Ela está editando um estilo de vida.

À frente da Mondepars, Sasha constrói uma estética que recusa o óbvio. Minimalista, precisa e intencional, sua marca não busca ocupar todos os espaços, apenas os certos. E talvez seja exatamente aí que reside sua força: naquilo que ela decide não fazer.

Essa filosofia encontra eco na nova colaboração com a Tanqueray, que dá mais um passo estratégico ao se aproximar do território da moda e do comportamento. O encontro entre as duas marcas resulta em uma coleção cápsula limitada que traduz, em peças de vestuário, um pensamento compartilhado: o luxo como consequência de critérios bem definidos.

Foto reprodução instagram @sashameneghel

A linha, composta por cinco itens entre camisetas, moletom e boné, marca um novo momento para a Tanqueray no Brasil. Mais do que expandir sua presença, a marca passa a dialogar com uma geração que entende o consumo como extensão de identidade.

A base conceitual da collab vem de uma história que atravessa séculos. Inspirada nos “300 nãos” de Charles Tanqueray, a narrativa resgata o rigor do fundador que recusou inúmeras combinações até chegar à receita ideal do London Dry Gin. Hoje, esse “não” se transforma em linguagem, um símbolo de excelência, consistência e visão.

E é justamente nesse ponto que Sasha se insere com naturalidade. Para ela, recusar não é limitar, é lapidar. É entender o que faz sentido, o que permanece e o que constrói uma marca com intenção de longo prazo.

Do lado da Diageo, grupo responsável pela Tanqueray, a parceria reforça uma estratégia clara: expandir o significado da marca para além do copo, ocupando espaços onde cultura e lifestyle se entrelaçam.

Em um cenário global onde celebridades transformam marcas em extensões de si, como faz Kendall Jenner com a 818 Tequila, Sasha segue um caminho que parece menos sobre projeção e mais sobre construção. Menos sobre presença constante e mais sobre permanência.

No fim, entre tecidos, botânicos e decisões cuidadosamente editadas, o que se desenha não é apenas uma colaboração, mas um posicionamento.

Porque, no luxo contemporâneo, talvez o verdadeiro diferencial não esteja no que se cria, mas no que se escolhe deixar de fora.

Foto reprodução instagram @sashameneghel
Foto reprodução instagram @sashameneghel
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Desejo, valor e narrativa: O tripé por trás de uma marca de luxo

Foto reprodução: Tag Heuer

O que aprendemos e como aplicamos o tripé em projetos contemporâneos

Uma bolsa Hermès não começa no couro. Um perfume da Chanel não nasce na fórmula. Um anel Tiffany não é apenas sobre diamantes. Antes do produto, existe uma atmosfera. Uma história. Uma intenção. A sensação de luxo, aquela que paralisa os sentidos por um segundo, nasce invisível.

No universo do luxo, o que se compra nunca é só o que se vê. É o silêncio do acabamento, o peso do tempo, o rigor da escolha. Mas, acima de tudo, é a forma como aquilo se conecta com quem somos ou com quem desejamos ser.

Por trás das grandes maisons, há um tripé invisível e poderoso: desejo, valor e narrativa.

São esses os três pilares que sustentam o que chamamos de prestígio. E também são eles que tornam essas marcas tão atemporais quanto relevantes. O que aprendemos com elas pode e deve ser aplicado em projetos que nascem agora.

Desejo: o que não se impõe, se cultiva

Desejo não se constrói com urgência. Ele é cultivado. Hermès sabe disso melhor do que ninguém. Suas bolsas Birkin e Kelly, ícones absolutos do luxo silencioso, não estão disponíveis para quem simplesmente quer comprar, é preciso ser convidado, entrar em uma relação com a marca, aceitar o tempo da espera.

O desejo no luxo não é gritado. É sussurrado. Ele nasce da escassez, da raridade, da ritualização. No projeto contemporâneo, esse código se traduz em desaceleração. Em colocar alma no processo. Em fazer menos, mas melhor. Em criar algo que não implora por atenção, mas que provoca memória.

Foto: Edward Berthelot

Valor: o que resiste ao tempo

Valor é diferente de preço. O preço é numérico. O valor é simbólico. Quando Gabrielle Chanel desenhou o tailleur de tweed, ela não estava apenas criando uma roupa: estava oferecendo liberdade. Movimento. Uma nova silhueta para uma nova mulher.

Esse gesto se tornou valor. Um código que atravessa décadas. Que sobrevive aos modismos e recessões. Que resiste.

Toda marca que deseja entrar no território do luxo precisa saber responder: o que estou oferecendo, de fato? Porque o valor não está no objeto. Está na mudança que ele propõe.

Na sensação que ele deixa. Na maneira como ele transforma a percepção de quem o usa.

Narrativa: o invisível que costura tudo

Uma marca de luxo é, antes de tudo, uma narrativa. Tiffany & Co. entendeu isso desde o início. Sua caixinha azul, sua relação com o cinema, seu tom de voz doce e assertivo criaram uma mitologia que vai muito além da jóia. Compramos Tiffany porque queremos habitar aquele universo nem que seja por instantes. 

Narrativas não são slogans. São coerência. Atmosfera. Continuidade. No mundo de hoje, construir uma marca é construir um enredo. Uma história que faça sentido mesmo quando ninguém está olhando. Que se sustente na embalagem, na legenda, no atendimento e na forma como a marca se recolhe.

Foto reprodução tiffany &co

O que o luxo ensina e o que o agora exige

O luxo tradicional sempre nos ensinou sobre tempo, presença e permanência. Sobre o valor da espera, o poder da discrição e a beleza da excelência. Mas o agora exige que esses aprendizados sejam levados a um novo lugar.

Projetos contemporâneos podem (e devem) herdar esses códigos mesmo sem os mesmos orçamentos ou heranças de marca. Uma pequena marca de moda pode trabalhar com desejo ao limitar lançamentos. Pode criar valor ao produzir com ética. Pode construir narrativa ao contar sua história com verdade e consistência visual.

Luxo, hoje, é um estado de espírito. Um ritmo. Uma profundidade.

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No fim, o luxo não está no que se tem. Está em como se vive.

No que se sente ao abrir uma caixa, ao vestir uma peça, ao entrar em um espaço que foi criado com intenção.

Luxo é onde o olhar repousa. Onde o tempo desacelera. Onde o silêncio também comunica.

Desejo. Valor. Narrativa.

Esses três pilares continuam, mais do que nunca, relevantes. Mas hoje, carregam um convite: o de criar com profundidade.

De comunicar com elegância. De entregar algo que vá além do consumo, algo que toque. Que dure. Que fique.

Porque o novo luxo é menos sobre status. E mais sobre sentido