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Do feed para a mesa: Quando o lifestyle vira negócio

Existe uma coisa curiosa acontecendo ultimamente. Talvez você também tenha reparado.

Primeiro vieram as bolsas, depois as marcas de beleza, as roupas, os cafés para fotografar o look… e agora, aparentemente, a mesa também entrou para a lista.

Cada vez mais, influenciadores estão transformando sua relação com a comida em negócios: abrindo restaurantes, investindo em cafés, criando marcas de doces, produtos prontos e até construindo empresas inteiras em torno daquilo que, um dia, simplesmente aparecia no almoço de domingo ou nos stories.

E eu comecei a me perguntar: quando foi que compartilhar o que gostamos de comer deixou de ser apenas parte do lifestyle e passou a ser também uma oportunidade de negócio?

Talvez a resposta esteja justamente onde tudo começou: no desejo de transformar aquilo que amamos em algo que também possa ser nosso.

Talvez um dos exemplos mais curiosos dessa nova relação entre influência, desejo e comida seja a Wrappd by Sofy, criada por Sofia Bresser.

Foto reprodução @sofiabresserbr

A ideia começou quase como começam muitas das coisas que acabam virando negócio: com uma vontade pessoal. Sofia queria encontrar uma alimentação saudável, prática e, principalmente, que não parecesse uma punição. A experiência com o Tuna Special ajudou a testar essa ideia e mostrou que ela talvez não fosse só dela.

Então veio a Wrappd.

Sofia colocou seu repertório visual e gastronômico no projeto e acompanhou de perto tudo: do branding aos vídeos, da imagem à estratégia. Ao lado de Amanda Teles, do Empório Frutaria, transformou a ideia em uma operação de verdade, o que, descobriu rapidamente, era bem diferente de montar algo bonito para o Instagram.

E então aconteceu aquilo que nenhum lançamento gostaria de admitir que deseja: o caos.

Poucos minutos depois de entrar no iFood, a Wrappd recebeu tantos pedidos que o aplicativo caiu. No dia seguinte, aconteceu novamente. Cerca de 50 pedidos a cada três minutos deram à recém-nascida marca um problema que, convenhamos, muitas empresas gostariam de ter: gente demais querendo provar.

Mas talvez o mais interessante não tenha sido o iFood cair. Foi entender por que tanta gente queria entrar.

A Wrappd não vende apenas wraps. Vende a ideia de que comer saudável pode ser bonito, prático e desejável. Uma combinação que Sofia encontrou no encontro entre gastronomia, branding e comunidade digital.

Inspirada em referências como Joe & The Juice, mas com uma preocupação maior com o conteúdo nutricional, a marca tenta transformar aquilo que muitas vezes parece obrigação em escolha. E talvez seja justamente aí que esteja a nova fórmula: não basta alimentar. É preciso criar uma experiência em torno daquilo que comemos.

No fim, Sofia parece ter entendido uma coisa que os influenciadores aprenderam muito bem: quando você transforma o seu gosto pessoal em universo, pode existir alguém do outro lado disposto a querer fazer parte dele.

Ou, neste caso, a pedir um wrap.

E se a Wrappd mostrou que o desejo pode fazer um aplicativo cair, Marcella Tranchesi parece ter encontrado uma outra forma de medir essa mesma vontade: aquela que aparece no meio da tarde, entre uma reunião e outra, quando tudo o que queremos é uma fatia de bolo.

Foi assim que nasceu a Doce Aquarella. Depois de mais de uma década como influenciadora de moda e beleza, Marcella transformou uma paixão antiga pela confeitaria em um negócio que parte de uma ideia bastante simples: e se, em vez de esperar pelo aniversário ou encomendar um bolo inteiro, pudéssemos simplesmente pedir uma fatia quando a vontade aparecesse?

Foto: André Ligeiro/Divulgação

A resposta veio rápido. Nos primeiros dias, a marca chegou a registrar 178 pedidos em apenas três minutos. Desde então, já foram vendidas mais de 120 mil fatias.

E talvez exista algo muito contemporâneo nessa história. Marcella não criou apenas uma confeitaria; criou uma solução para aquele pequeno desejo que aparece no meio da rotina e fez dele um negócio de entrega rápida. Hoje, a Doce Aquarella conta com uma cozinha central e distribuição pela Rappi Turbo, chegando a dezenas de bairros em poucos minutos.

Porque, no fim, talvez a nova gastronomia das influenciadoras tenha menos a ver com ensinar o que comer e mais com entender o que estamos desejando comer e quão rápido queremos que chegue até nós.

E, aparentemente, às vezes o algoritmo sabe exatamente quando é hora de um bolo.

Depois do bolo que chega quando a vontade aparece, surge uma outra maneira de levar o lifestyle para a mesa: transformar a própria relação com a comida em marca.

É o caminho escolhido por Elisa Zarzur, que acaba de apresentar a Ezy, um projeto que ainda não chegou às prateleiras, mas já começa a construir sua comunidade nas redes.

Para Elisa, a alimentação sempre esteve ligada à forma como se sente e se cuida. A proposta da Ezy nasce justamente dessa visão: refeições fáceis, nutritivas e pensadas para fazer parte da rotina, sem transformar comer bem em uma lista de regras.

Foto reprodução @ezy.greens

“Ezy é mais do que uma refeição. É o jeito fácil de comer bem todos os dias”, define a marca.

E talvez seja esse o ponto em comum entre todas essas histórias. Sofia transformou a busca por uma alimentação saudável em uma marca cool. Marcella transformou a vontade de comer bolo em uma operação que entrega em minutos. Elisa agora transforma uma filosofia pessoal de cuidado em uma nova proposta de alimentação.

Três mulheres, três negócios e uma mesma percepção: o que antes era compartilhado como parte da rotina agora pode virar produto, marca e, por que não, uma empresa.

No fim, talvez a pergunta nunca tenha sido apenas o que essas influenciadoras estão comendo.

Talvez seja o que acontece quando aquilo que você posta, aquilo que você gosta e aquilo que você acredita começam a ocupar o mesmo lugar à mesa.

E se antigamente queríamos saber onde elas compravam a roupa, o que usavam no rosto ou para onde viajavam, talvez a pergunta da vez seja bem mais simples:

“O que irei comer?”

Carandaí 25: o que acontece quando a moda autoral encontra um delírio coletivo?

Há uma pergunta que sempre volta quando falamos sobre moda: o que faz uma pessoa se apaixonar por uma marca?

É a roupa? A história? A sensação de ter encontrado algo que parece ter sido feito exatamente para ela?

Ou seria simplesmente aquela pequena emoção de entrar em um lugar e pensar: “como eu ainda não conhecia isso?”

Talvez seja esse o verdadeiro charme do Carandaí 25.

De 18 a 20 de setembro, São Paulo recebe novamente o festival de moda autoral na Casa Higienópolis. E, se março foi uma espécie de reencontro, setembro chega com cara de continuação, só que maior, mais inquieta e, desta vez, sob o sugestivo nome de “Delírio Coletivo”.

E cá entre nós: existe nome melhor para um encontro de pessoas que acreditam que vestir também é uma forma de contar quem somos?

Foto: Raphael Figueiredo

A moda que não quer parecer igual

Durante três dias, mais de 80 marcas ocupam os cinco andares da Casa Higienópolis, transformando os cerca de 2.500 m² do endereço em um pequeno universo dedicado à moda, ao bem-estar e ao design brasileiro.

Entre os nomes que chegam para esta edição estão Carlos Penna, Caju London, Lo de Lui, Cru e Lulo Shoes. E há também aquelas descobertas que podem ser o verdadeiro motivo para sair de casa: Garnus, Onoma, Amapô, Ocre e Gammba estão entre as novas marcas apresentadas ao público.

Porque talvez uma das melhores coisas sobre a moda autoral seja justamente essa: ela ainda permite que você descubra algo que não está em todo lugar.

E existe um certo prazer nisso.

Um festival ou uma desculpa para sair da rotina?

O Carandaí 25 parece entender uma coisa que a moda aprendeu há muito tempo: uma boa experiência nunca é apenas sobre comprar.

Por isso, a programação inclui desfile de abertura, oficinas, conversas com especialistas e apresentações musicais.

Moda, cultura, música, design, pessoas.

Tudo misturado.

Como aqueles dias de verão que começam com um café e terminam em algum lugar que você não tinha planejado conhecer.

É exatamente essa atmosfera que inspira o “Delírio Coletivo”: dias mais longos, encontros inesperados e a fantasia de um verão que simplesmente decidiu não acabar.

Talvez seja esse o delírio.

A ideia de que ainda podemos nos surpreender.

Foto: Raphael Figueiredo

Quinze anos de histórias

Criado em 2012 pela empresária carioca Tati Accioli, o Carandaí 25 chega aos 15 anos com uma história que já atravessou cidades, mercados e gerações de criadores.

São mais de 40 edições realizadas no Brasil e em Paris, mais de mil marcas reunidas e um público que já ultrapassa 300 mil pessoas.

Mas números, por aqui, contam apenas metade da história.

A outra metade está nas marcas que encontraram visibilidade, nos empreendedores que conseguiram crescer, nos clientes que descobriram novos nomes e nos encontros que provavelmente começaram com uma simples pergunta:

“Onde você comprou isso?”

Ao longo dos anos, nomes como Ylla, Annaka, Totta, Zsolt, Manolita, Wasabi, Dipua, Angela Brito e Marcela B. ganharam projeção a partir do festival.

E talvez seja justamente aí que o Carandaí 25 se diferencia: ele não apenas apresenta moda. Ele cria contexto para que novas histórias aconteçam.

Porque o novo sempre começa em algum lugar

Hoje, o Carandaí 25 já ultrapassou o formato de evento.

São quatro lojas conceito entre Rio de Janeiro e São Paulo, além do Instituto Carandaí 25, que atua na formação e capacitação de empreendedores criativos por meio de mentorias, conteúdos e conexões estratégicas.

Em 2026, serão quatro grandes edições presenciais: duas em cada cidade.

É uma maneira interessante de olhar para a moda autoral brasileira: não como uma tendência passageira, mas como um ecossistema que precisa de espaço para existir, crescer e encontrar seu público.

E talvez seja por isso que voltar a São Paulo tenha um significado especial.

A cidade é acelerada. A moda também.

Mas, por alguns dias, a Casa Higienópolis propõe outra velocidade: aquela em que você pode entrar sem saber exatamente o que procura e sair com uma nova marca favorita, uma conversa inesperada e, quem sabe, uma peça que ainda vai render algumas histórias.

O delírio é coletivo. A descoberta é pessoal.

A entrada é gratuita e solidária, mediante a doação de um quilo de alimento não perecível.

E, entre 18 e 20 de setembro, São Paulo ganha novamente um endereço para quem gosta de moda, mas gosta ainda mais daquilo que existe por trás dela: pessoas, histórias, ideias e a possibilidade deliciosa de encontrar algo novo.

Porque no fim, talvez a moda autoral seja exatamente isso.

Um pouco de desejo. Um pouco de coragem. Um pouco de loucura.

E uma multidão inteira acreditando que ainda vale a pena criar algo que não se pareça com todo o resto.

Carandaí 25 — Delírio Coletivo
18 a 20 de setembro de 2026, das 11h às 21h
Casa Higienópolis — Av. Higienópolis, 758, Consolação, São Paulo
Entrada gratuita e solidária.

Alessandra Ambrósio, BrazilFoundation e uma noite em Nova York onde influência encontra propósito.

Alessandra Ambrósio será homenageada pela BrazilFoundation no New York Gala 2026, ao lado do Instituto Burle Marx, em uma noite que promete reunir moda, cultura, filantropia e algumas das pessoas mais influentes do Brasil e do mundo.

Nova York tem dessas coisas. Uma noite você pode estar diante de um dos endereços mais icônicos de Manhattan, cercada por vestidos impecáveis, champagne e nomes que dispensam apresentações. Na noite seguinte, pode descobrir que, por trás de todo esse glamour, existe algo muito mais interessante acontecendo: pessoas usando sua influência para fazer alguma coisa pelo mundo.

No dia 17 de setembro, o The Plaza Hotel será palco do New York Gala 2026, principal evento de captação de recursos da BrazilFoundation nos Estados Unidos. E, entre os nomes que estarão sob os holofotes, está Alessandra Ambrósio, que receberá o Philanthropy Leadership Award.

A escolha parece especialmente adequada.

Há mais de quinze anos, Alessandra mantém uma parceria com a BrazilFoundation, participando de iniciativas que aproximam a filantropia brasileira de uma audiência internacional. Dos eventos beneficentes realizados durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro às campanhas globais de arrecadação, sua influência deixou de ser apenas uma questão de moda para se transformar em uma ferramenta de mobilização.

Foto divulgação

E talvez essa seja uma das formas mais interessantes de pensar sobre celebridade hoje: o que fazemos com a atenção que recebemos?

Da passarela para a causa

Em 2024, depois das enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul, estado natal de Alessandra, a modelo e empresária criou, em parceria com a BrazilFoundation, o Brazilian Soul Fund.

O que começou como uma iniciativa emergencial para apoiar as comunidades afetadas ganhou novos contornos ao longo do tempo. Até agora, o fundo arrecadou aproximadamente US$ 340 mil.

O projeto também ganhou uma dimensão internacional durante o Festival de Cannes, onde um jantar beneficente reuniu empresários, filantropos, artistas e personalidades de diferentes partes do mundo em uma mobilização em favor das vítimas das enchentes no Sul do Brasil.

Porque, aparentemente, até Cannes pode servir para lembrar que o glamour é ainda mais interessante quando tem uma causa por trás.

Um legado que merece ser celebrado

Mas Alessandra não será a única homenageada da noite.

Pela primeira vez, a BrazilFoundation entregará o Cultural & Environmental Legacy Award ao Instituto Burle Marx, em reconhecimento ao trabalho de preservação e difusão do legado de Roberto Burle Marx.

E aqui a história ganha uma camada ainda mais brasileira.

Criado em 2019, o Instituto preserva um dos mais importantes acervos de paisagismo do país, são mais de 150 mil itens, entre projetos, desenhos, fotografias, documentos e correspondências que registram quase sete décadas da produção de Burle Marx e de seus colaboradores.

Mais do que guardar memória, o Instituto trabalha para manter vivo um pensamento: cidades podem ser mais verdes, sustentáveis, inclusivas e acolhedoras. E o paisagismo pode ser, ao mesmo tempo, arte e instrumento de transformação social.

E então entra Daniel Urzedo

Se toda grande noite precisa de alguém capaz de fazer as conexões acontecerem, o New York Gala 2026 encontrou seu nome em Daniel Urzedo, escolhido como Chair da edição.

Foto divulgação

Sua relação com a BrazilFoundation começou em 2006. Desde então, Daniel ajudou a ampliar a comunidade internacional da fundação, conectando a instituição a doadores, empresários e marcas como Ralph Lauren, Moncler, Alexandre Birman e Chanel, além de apoiar iniciativas como o Ballet Paraisópolis.

Agora, à frente do Gala, ele terá justamente essa missão: reunir sua rede global para transformar encontros em parcerias e visibilidade em recursos.

Como ele próprio resume, Alessandra representa uma geração de brasileiros que utiliza sua projeção global para criar oportunidades concretas de impacto.

E talvez seja essa a verdadeira história por trás de uma noite no Plaza.

Porque, no fim, Nova York sempre foi sobre quem está na sala. Mas algumas noites são sobre o que essas pessoas decidem fazer depois que as portas se fecham.

E se existe uma tendência que nunca sai de moda, talvez seja essa: usar o privilégio de ter voz para fazer com que outras vozes também sejam ouvidas.

Sobre a BrazilFoundation

Há 26 anos, a BrazilFoundation mobiliza recursos para iniciativas que transformam vidas em diferentes regiões do Brasil, conectando líderes, filantropos e organizações da sociedade civil em torno de causas como equidade, justiça socioambiental e ampliação de oportunidades.

Desde sua criação, a fundação já investiu mais de US$ 61 milhões em cerca de 1.100 organizações.

Nada mal para uma noite que começa com um convite para o The Plaza.

E termina, esperamos, com algo muito maior do que uma boa foto.

Santiago Vieira: o maestro invisível por trás da festa

Grandes espetáculos nunca acontecem por acaso. Eles são escritos em detalhes invisíveis, costurados em reuniões silenciosas, decisões rápidas e olhares atentos que poucos percebem. No fim das contas, todo grande espetáculo precisa de alguém que conduza a orquestra, mesmo que ninguém veja o movimento de suas mãos.

15 de fevereiro, Rio de Janeiro.

A pauta parecia simples, mas carregava algo quase poético: olhar para aqueles que fazem a festa acontecer. Aqueles que, curiosamente, ganham um protagonismo silencioso justamente no mês em que o país inteiro decide celebrar em voz alta.

Porque o Carnaval sempre foi sobre espetáculo. Sobre brilho, ritmo e multidões. Mas, como em qualquer grande apresentação, existe sempre alguém nos bastidores organizando cada detalhe, conduzindo cada movimento com precisão quase invisível.

Um maestro.

E foi ali, observando o movimento intenso de uma das áreas mais vibrantes da Sapucaí, que esbarramos em uma figura que, sem saber, se tornaria o assunto dessas linhas.

Santiago Vieira.

Foto reprodução Instagram @santiagorsvieira

Enquanto milhares de pessoas ocupavam a avenida, algo chamou atenção. Grandes eventos têm algo em comum com a música clássica: à primeira vista, tudo parece espontâneo. A energia, o ritmo, a emoção. Mas por trás de cada momento existe alguém coordenando tudo com uma lógica silenciosa, quase coreografada.

E Santiago,, parecia exatamente isso. Um maestro conduzindo uma orquestra que não toca violinos, mas experiências.

Bem, sempre que vejo grandes negócios, me faço a mesma pergunta: qual teria sido o sonho de infância daquele CEO? Talvez porque eu goste de imaginar adultos ainda conversando, em silêncio, com suas versões crianças.

E então perguntei isso a Santiago.

“Quando eu era criança, não tinha um sonho específico de profissão”, respondeu. “Mas sempre tive uma inquietação.”

Inquietação.

Talvez essa seja a palavra mais bonita para definir pessoas que nasceram grandes demais. Pessoas que transformam desconforto em movimento, curiosidade em destino.

“Eu queria construir coisas grandes. Criar algo que conectasse pessoas, que gerasse impacto. Eu não sabia exatamente o quê. Mas sempre soube o porquê.” diz Santiago.

E talvez seja isso que diferencia certos caminhos. Enquanto algumas pessoas passam a vida inteira tentando encontrar propósito, outras parecem nascer segurando uma espécie de bússola invisível. Algo silencioso, quase mágico, que as empurra na direção do que ainda nem existe.

O primeiro movimento do maestro

Curiosamente, sua história não começou no entretenimento. Vindo de uma família de juristas, Santiago chegou a iniciar o curso de Direito. Mas, como acontece com muitos caminhos que não são os nossos, algo simplesmente não encaixou.

Foi na administração que ele encontrou o próprio compasso. Ali nasceu não apenas uma formação, mas também uma inquietação empreendedora que logo se transformaria em ação.

Ainda durante a faculdade, abriu sua primeira academia. Não seria uma academia qualquer, seria uma academia boutique. Naquele momento, o CrossFit começava a ganhar força no universo fitness, e Santiago enxergou ali uma oportunidade.

Buscando referências, viajou até a Califórnia, visitou academias, observou modelos de negócio, estudou o que funcionava e o que não funcionava. Quando voltou, trouxe uma proposta inovadora para a época: uma academia em frente à praia que unia CrossFit e o universo das lutas.

Era um conceito novo. Um espaço pensado não apenas para treinar, mas para criar experiência.

Talvez ali já estivesse o primeiro indício de algo que se tornaria marca registrada da sua trajetória: Santiago sempre teve um olhar profundamente visual.

Foi essa visão que o levou ao próximo movimento. Após perceber lacunas no mercado, decidiu abrir sua própria agência. E algum tempo depois, como todo bom maestro que começa a reconhecer o potencial da própria orquestra, mergulhou de vez no universo dos eventos.

Foi assim que nasceu o Nosso.

O espetáculo que nasceu de uma conversa

No início, o projeto era pequeno. Quase discreto. Havia planos ambiciosos, claro, mas nada que antecipasse a dimensão que aquilo alcançaria.

Mas como toda grande composição, o crescimento veio movimento por movimento.

Santiago costuma dizer que o sucesso do Nosso vai muito além dos sócios ou ex-sócios. Ele atribui grande parte dessa construção à equipe que se formou ao redor do projeto. Uma equipe que, segundo ele, funciona como uma verdadeira família.

E talvez seja exatamente isso que faz um espetáculo acontecer.

Mas nem toda grande história é feita apenas de aplausos.

Nos bastidores, houve desafios. Trabalhar com entretenimento significa lidar diariamente com o imprevisível. Pressão, decisões rápidas e criatividade constante fazem parte da rotina.

E, nos primeiros anos, os números não foram gentis.

Santiago conta que, logo no início, o projeto enfrentou um prejuízo significativo. No primeiro ano, a perda chegou perto de quatro milhões de reais. Era o tipo de momento que faz qualquer empreendedor parar e se perguntar se está no caminho certo.

Mas algumas visões são grandes demais para serem abandonadas.

Hoje, o Nosso se tornou muito mais do que um evento. É uma verdadeira plataforma de comunicação. Durante o Carnaval, cerca de quatro mil pessoas passam pelo espaço diariamente, além da enorme repercussão online que acompanha cada edição.

Dentro da Sapucaí, onde a música ecoa madrugada adentro, também se fazem negócios.

E talvez esse seja o segredo do projeto: ele entende que entretenimento e conexão caminham juntos.

Curiosamente, tudo começou quase como uma conversa entre amigos.

Em 2016, Gabriel David convidou Santiago para abrir um camarote na Sapucaí. No começo, eram apenas os dois. Um projeto simples, quase experimental.

Mas foi durante o desfile das campeãs que uma frase mudaria tudo.

Santiago virou para Gabriel e disse: “A gente vai abrir o nosso camarote.”

Sem perceber, ele acabava de batizar o projeto.

Nosso.

O nome ficou. E com ele, a ideia de pertencimento que se tornaria uma das bases do negócio.

Mas, para alguém apaixonado por criar experiências, a Sapucaí começou a parecer apenas o começo.

Santiago queria mais.

Foto reprodução Instagram @santiagorsvieira

O homem transforma eventos em comunidade

Seu olhar começou a se voltar para outros grandes eventos: Fórmula 1, estádios, experiências ao vivo. A visão sempre foi a mesma: criar comunidade.

Porque eventos passam. Mas comunidades permanecem.

Foi essa mesma determinação que o levou, por exemplo, a trazer Ne-Yo para o Brasil. Uma iniciativa que misturou ousadia, estratégia e aquela teimosia tão brasileira de quem acredita que, quando quer, faz acontecer.

Quando se juntam amor pelo que se faz, trabalho constante e uma boa dose de coragem, o impossível começa a parecer apenas uma questão de tempo.

E talvez por isso Santiago também seja, acima de tudo, um estrategista.

Foto reprodução Instagram @nossocamarote

Nosso na f1 de Miami

Miami nunca foi apenas um destino. É um encontro de culturas, ritmos, pessoas e talvez por isso tenha sido o cenário perfeito para o próximo movimento do NOSSO.

Neste mês de maio, o NOSSO aterrissou na Fórmula 1 de Miami com uma proposta clara: mais do que acesso, criar pertencimento.

Com um investimento de cerca de 2 milhões de dólares e apenas 130 convidados, o projeto levou sua essência para um dos eventos mais desejados do mundo. Sem ingressos à venda, o NOSSO se posiciona como uma plataforma de relacionamento onde hospitalidade, música e curadoria transformam encontros em experiências memoráveis.

“A gente nunca quis ser sobre volume. A gente quis ser sobre profundidade. Sobre conexão de verdade”, diz Santiago.

Porque, no fim, o verdadeiro luxo talvez esteja exatamente nisso: fazer parte de algo que não pode simplesmente ser comprado.

Foto reprodução Instagram @nossocamarote

Empreender também é escutar silêncios

Foi dessa estratégia que nasceu a Ticky, um novo projeto que curiosamente conversa diretamente com o início de sua trajetória.

Observando o comportamento da geração Z, cada vez mais preocupada com saúde, bem-estar e escolhas alimentares, Santiago e seus sócios identificaram uma lacuna curiosa no mercado.

Produtos mais saudáveis estavam em alta.

Mas era extremamente difícil encontrar pirulitos sem açúcar.

Assim nasceu a ideia.

Porque, no fundo, empreender também é isso: perceber pequenos silêncios no mercado e transformá-los em novas melodias.

Foto reprodução Instagram Ticky

E talvez seja exatamente assim que Santiago conduz sua carreira.

Como um maestro que observa atentamente cada instrumento, cada ritmo e cada pausa.

Porque grandes espetáculos não acontecem por acaso.

Eles são conduzidos.

E, muitas vezes, quase sem que a gente perceba.

No fim das contas, Santiago vem de uma nova leva de CEOs que carrega algo raro: a capacidade de transformar visão em sentimento.

Executivos que entendem que marcas não vivem apenas de números, mas de experiências. De memória. De pertencimento.

Talvez seja por isso que sua trajetória pareça menos sobre negócios e mais sobre movimento. Sobre conectar pessoas, antecipar desejos e criar espaços onde o mundo, por alguns instantes, parece caber no mesmo ritmo.

Porque existem empresários que constroem empresas.
E existem aqueles que constroem atmosferas.

Santiago, ao que tudo indica, escolheu construir mundos.

Além das fronteiras: o camarote NOSSO redefine o luxo em Miami

Da Sapucaí ao circuito da Fórmula 1 de Miami, a marca brasileira transforma hospitalidade em uma experiência global de pertencimento.

Se tem uma coisa que aprendemos, talvez tarde demais, talvez no tempo exato é que alguns lugares não são exatamente lugares.

São sensações. São encontros. São aquelas memórias que a gente nem sabia que estava criando… até perceber que não quer mais ir embora.

E talvez seja exatamente isso que o NOSSO sempre foi.

Foto reprodução Instagram @nossocamarote

Depois de conquistar, o posto de um dos espaços mais desejados do Carnaval carioca, o NOSSO faz aquilo que toda história bem contada inevitavelmente faz: avança.

Mas não de qualquer forma.

Avança com intenção. Avança com coragem. Avança… para fora do país.

Porque, veja bem, não é apenas sobre sair da Sapucaí. É sobre entender que quando algo é construído com verdade, ele não pertence a um lugar só. Ele atravessa. Ele ecoa. Ele encontra novos cenários e, mais importante, novas pessoas.

E foi assim, quase como quem aceita um convite impossível de recusar, que o NOSSO desembarca na Fórmula 1 de Miami.

“O NOSSO sempre foi sobre criar experiências que conectam pessoas em torno de grandes momentos”, diz Santiago Vieira, CEO e sócio-fundador da marca.
“Expandir isso para fora do Brasil não é exatamente uma escolha estratégica. É quase uma consequência natural do que a gente construiu.”

Natural, aqui, soa como inevitável. Porque antes de Miami, houve Interlagos. E antes de Interlagos… houve um sentimento.

“Interlagos foi um divisor de águas pra gente. Ali ficou muito claro que o que a gente criou no Carnaval podia existir em outros lugares, com a mesma força”, ele me conta.

Um teste, talvez.
Um daqueles momentos em que a gente percebe que aquilo que parecia único… na verdade, pode ser infinito.

Interlagos não foi só um passo. Foi um ponto de virada.

Um sussurro elegante dizendo: isso pode ir muito mais longe.

E foi.

Foto reprodução Instagram @nossocamarote

Mas Miami, afinal, não é apenas um destino. É um encontro de mundos.

Um lugar onde idiomas se misturam, onde culturas dançam juntas, onde o excesso curiosamente encontra sofisticação.

E talvez por isso faça tanto sentido começar por lá.

Com um investimento de aproximadamente 2 milhões de dólares e um detalhe que, confesso, me fez arquear levemente a sobrancelha: não há ingressos à venda.

Porque o NOSSO não vende acesso.

Ele constrói pertencimento.

“A gente nunca quis ser sobre volume”, Santiago diz, quase como quem compartilha um segredo.
“A gente quis ser sobre profundidade. Sobre conexão de verdade.”

São apenas 130 convidados. Poucos, seletos… quase como se cada nome fosse escolhido não apenas pelo que representa, mas pelo que pode sentir.

“O NOSSO é uma plataforma de relacionamento. E relacionamento não se compra, se constrói com tempo, com cuidado, com intenção.”

E, no fundo, não é exatamente isso que buscamos?

Não mais lugares para ir…Mas lugares que realmente queremos estar.

A lógica continua a mesma. E talvez seja isso que mais me encanta.

A hospitalidade que abraça sem esforço.
A curadoria que não grita, sussurra.
A música que não invade, envolve.

“A música é o que costura tudo. Ela cria atmosfera, aproxima as pessoas, traduz o momento”, ele completa.

Se no Rio o samba dita o ritmo, em Miami ele se traduz. Ganha novas batidas, novos corpos, novos olhares… mas mantém a mesma intenção: conectar.

Porque no fim e isso pode soar como clichê, mas alguns clichês são apenas verdades bem vestidas. Tudo se resume a isso: Pessoas. Conexões. E momentos que, de tão bons, quase doem um pouco quando acabam.

“Se antes o mundo vinha até a gente durante o Carnaval, agora somos nós que vamos até onde esse público está”, diz Santiago.
“E isso muda completamente a forma como a gente enxerga o futuro.”

Talvez a grande virada não seja geográfica.
Talvez seja simbólica.

Antes, o mundo vinha até nós.
Agora… nós chegamos ao mundo.

E enquanto eu penso sobre isso, não consigo deixar de me perguntar:

Será que o verdadeiro luxo, hoje, não está exatamente aí?

Não no excesso…Mas na sensação rara de fazer parte de algo que não pode ser comprado?

Se for, o NOSSO entendeu tudo.

E, ao que tudo indica… isso é só o começo.