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Nádia Fares x La Sirene traduz o fascínio do verão em uma coleção-desejo

Confesso: poucas coisas me encantam mais do que uma collab bem construída. Existe algo quase cinematográfico em assistir dois universos se encontrarem. Como um romance entre estética, identidade e desejo. E foi exatamente isso que senti ao descobrir a nova colaboração entre Nádia Fares x La Sirene.

Minha primeira reação? Imaginar as peças. Porque, antes mesmo de vê-las, eu já sabia que carregariam personalidade, feminilidade e aquele toque irresistível de sofisticação que faz a moda deixar de ser apenas roupa para virar narrativa.

Foto reprodução Instagram @nadiafares1

Afinal, Nádia é assumidamente apaixonada pelo verão europeu e quem também é sabe exatamente o fascínio dos looks impecáveis que encontramos nos beach clubs espalhados pelo mundo. Existe uma estética quase impossível de ignorar: leve e naturalmente elegante. E talvez seja justamente essa atmosfera que torne essa collab tão desejável.

A collab nasce como aquelas mulheres que entram em um ambiente e silenciosamente roubam a atenção: delicada, marcante e impossível de ignorar. Nádia Fares e La Sirene entenderam algo que a moda de luxo conhece muito bem: peças não servem apenas para vestir corpos, elas vestem versões de nós mesmas.

E talvez seja exatamente por isso que eu tenha ficado tão encantada. Porque algumas collabs entregam tendência. Outras entregam desejo. E as melhores… fazem as duas coisas ao mesmo tempo.

Lançada poucos dias antes do Dia das Mães, a coleção se torna ainda mais simbólica ao trazer Nádia fotografada ao lado das filhas, Kamile e Karoline.

As peças:

Na coleção, encontramos vestidos, capas, biquínis, shorts e bodys que traduzem perfeitamente essa estética sofisticada que tanto amamos. E sabe o melhor ou talvez o mais perigoso para quem ama moda? Algumas peças já aparecem esgotadas no site, provando que certas collabs simplesmente nascem para se tornar desejo imediato.

A coleção entrega exatamente aquilo que promete: peças que parecem ter saído diretamente de um verão europeu la chanel.

Por isso, reunimos aqui nossa curadoria das peças-desejo dessa coleção impecável. Aquelas que fazem qualquer amante de moda querer reservar a próxima viagem apenas para ter onde usá-las.

Foto reprodução site La Sirene

As peças já estão disponíveis no site bikinilasirene.com.br embora algumas delas tenham desaparecido quase tão rápido quanto convites para um verão em Saint-Tropez. O que, sinceramente, não chega a ser uma surpresa.

Existem coleções que apenas acompanham tendências. E existem aquelas que despertam desejo no instante em que aparecem na tela. Nádia Fares x La Sirene pertence exatamente à segunda categoria: feita para mulheres que entendem que moda também é sobre atmosfera, memória e sensação.

Daquelas peças que você compra já imaginando o destino, o pôr do sol, a música ao fundo e, claro, as fotos impecáveis que inevitavelmente vão parar no Instagram.

Nádia Fares recebe Tiziana Terenzi em encontro intimista

Na mesma semana do lançamento de sua nova collab, Nádia abriu as portas de sua casa para receber a perfumista e diretora criativa italiana Tiziana Terenzi. Em um brunch intimista, cercado por uma mesa impecavelmente posta e uma atmosfera delicadamente sofisticada, as convidadas mergulharam no universo da perfumaria autoral.

Durante o encontro, Tiziana compartilhou detalhes sobre sua trajetória, o processo criativo por trás das fragrâncias e a essência da maison que carrega seu nome, uma marca que transformou o perfume em verdadeira experiência sensorial.

Entre aromas envolventes e conversas inspiradoras, o encontro celebrou aquilo que o luxo tem de mais precioso: a arte de criar memórias através dos sentidos.

Foto reprodução Instagram @nadiafares1
Foto reprodução Instagram @nadiafares1
Foto reprodução Instagram @nadiafares1

Uma conexão singular: Maternidade, herança genética e o fio invisível que une gerações

Por: Dra Kátia Pegos – Psiquiatra e especialista em saúde mental da Tría de Rosa

O espelho, por vezes, é um portal para o passado. Com uma frequência cada vez maior, vejo-me repetindo frases, entonações ou gestos que, por um breve segundo, me fazem parar e reconhecer uma presença familiar. São as mãos que se cruzam de um jeito específico, o modo de inclinar a cabeça ao ouvir uma confidência ou aquela expressão de surpresa que eu acreditava ser exclusivamente minha. “Você está ficando igualzinha à sua mãe”, dizem-me os amigos e familiares. No início, a frase soava como uma observação casual, mas hoje, próximo a completar cinco anos de sua partida, ela ressoa como um abraço reconfortante que atravessa o tempo.


Suponho que a saudade tenha o poder de ativar a parte dela que vive em mim. Não se trata apenas de uma herança comportamental ou de uma homenagem consciente à sua memória. Há algo mais profundo, algo que reside no silêncio das minhas células e na estrutura do meu código genético. A ausência física de uma mãe é um vazio que nunca se preenche totalmente, mas a descoberta de que nunca estivemos, de fato, separadas, traz uma nova dimensão ao luto e à celebração da vida. Somos, em essência, um mosaico vivo de quem veio antes de nós.

1 – A Ciência da Conexão: O Quimerismo e a Matryoshka Biológica:
Durante muito tempo, a poesia e a biologia pareceram caminhar em trilhas opostas. No entanto, a ciência moderna tem revelado que a conexão entre mãe e filho é muito mais literal do que poderíamos imaginar. Descobri, fascinada, que cada um de nós é uma quimera. Na mitologia, a quimera era um ser composto por partes de diferentes animais; na genética, o termo descreve um organismo que contém células com genótipos distintos.


Minha filha, que é médica geneticista, foi quem “bateu o martelo” e confirmou essa realidade que me emociona: durante a gestação, ocorre uma troca bidirecional de células através da placenta. Células da mãe migram para o feto e células do feto migram para a mãe. O que é verdadeiramente extraordinário é que essas células maternas podem persistir no corpo do filho por décadas, integrando-se a órgãos como o coração, o fígado e até o cérebro. Esse fenômeno, conhecido como microquimerismo materno, significa que, em um nível celular muito real, minha mãe ainda habita o meu corpo. Ela não está apenas na minha memória; ela está no meu pulsar.


“Nós nunca estamos verdadeiramente sós. Carregamos em nossa biologia o testemunho vivo de nossa linhagem, um arquivo celular que ignora a barreira da morte.”


Além do microquimerismo, há uma imagem biológica que considero uma das mais poderosas representações da continuidade feminina. Imagine que, quando minha avó estava grávida de cinco meses do feto que um dia seria minha mãe, o óvulo que um dia se transformaria em mim já se encontrava no ovário desse feto. Isso significa que, por um período de tempo, nós três: avó, mãe e eu, ocupamos simultaneamente o mesmo ambiente biológico. Estávamos contidas umas nas outras, como bonecas russas (matryoshkas), compartilhando nutrientes, hormônios e experiências sensoriais primordiais. Essa tríade biológica estabelece um vínculo que precede o pensamento, a linguagem e até o nascimento.

2- Memória Emocional: O Chamado do Vínculo Primário
Recentemente, essa mesma filha geneticista me enviou um post de uma rede social que me fez refletir por dias. Nele, um médico de Centro de Terapia Intensiva (CTI) relatava uma observação comum em seus anos de prática: poucas horas antes de falecer, independentemente da idade ou da trajetória de vida, muitos pacientes pronunciam uma única palavra: “Mãe”.


A explicação científica sugerida é que, em situações de estresse emocional intenso ou diante da proximidade da morte, a amígdala a região cerebral ligada à memória emocional, ao medo e à insegurança seria intensamente ativada. Nesse momento crítico, o cérebro faria uma espécie de “varredura” em busca de memórias significativas e vínculos que representem segurança absoluta. E, para a maioria de nós, esse porto seguro é a figura materna.


É claro que, em uma família onde a ciência é o prato principal das reuniões, as perspectivas divergem. Minha outra filha, neurologista, logo ponderou com seu rigor acadêmico habitual. Ela questionou a falta de evidências sólidas de que a amígdala estivesse exatamente 11 vezes mais ativa, ou a ausência de um estudo clínico controlado que comprovasse que 100% dos pacientes chamam pela mãe. Para ela, a mente científica exige dados replicáveis e referências bibliográficas reconhecidas.


Contudo, para além do rigor estatístico, o que mais fez sentido para mim foi a verdade psicológica poderosa por trás desse relato. No limite da existência, o ser humano não busca o sucesso acumulado, os títulos conquistados ou a performance alcançada. Buscamos o vínculo. Buscamos a segurança primária que nos foi dada antes mesmo de sabermos quem éramos. A mãe, nesse contexto, deixa de ser apenas uma pessoa e passa a ser um símbolo de pertencimento e proteção incondicional. É o retorno ao início para conseguir enfrentar o fim.

3- A Jornada da Maternidade: Desafios e Espelhamentos
Tornar-me mãe foi, sem dúvida, a experiência mais grandiosa e, simultaneamente, a mais desafiadora da minha vida. Rapidamente entendi que, por mais livros que leiamos ou conselhos que ouçamos, nunca estamos totalmente preparadas. Cada filho traz consigo um universo de demandas, temperamentos e peculiaridades que tornam a jornada absolutamente imprevisível. Não existe um manual, pois o “objeto” de estudo é uma alma em constante evolução.


Hoje, olhando para minhas filhas, a geneticista e a neurologista, sinto um orgulho que transborda a biologia. Elas são mulheres fortes, inteligentes e questionadoras. Acredito piamente que cada filho e cada mãe estão no devido lugar para a jornada que se propuseram a percorrer juntos. Elas me ensinam diariamente sobre o mundo e sobre mim mesma, desafiando minhas certezas e expandindo meus horizontes. Sou imensamente grata pelas parceiras maravilhosas com quem fui agraciada nesta vida.


A maternidade é um exercício de humildade. É reconhecer que somos apenas um elo em uma corrente infinita. Lembro-me com carinho de uma frase da minha caçula, quando ela tinha cerca de cinco anos. Com a sabedoria que só as crianças possuem, ela me disse: “Mamãe, se você for um dez( traduzindo: um décimo) para os meus filhos do que a vovó é para mim, já vai ser ótimo”. Naquele momento, entendi que o padrão de excelência não era a perfeição, mas o amor e a presença que minha mãe havia plantado nela.

4- O Ciclo Contínuo: Esperança e Renovação:
A vida não para, e o fluxo das gerações segue seu curso natural. Hoje, aguardo com uma ansiedade doce a chegada dos netos. Será nesse momento que poderei, finalmente, me testar na conclusão da minha caçula. Serei a avó que minha mãe foi? Terei a mesma paciência, o mesmo olhar acolhedor, a mesma capacidade de transformar um dia comum em uma memória eterna?


A conexão singular que compartilhamos com nossas mães e filhas é o que nos mantém ancoradas em um mundo cada vez mais volátil. É uma herança que não se perde com o tempo, pois está escrita no DNA e gravada na alma. A cada gesto que repito dela, a cada célula que carrego, sinto que minha mãe continua aqui, guiando-me silenciosamente enquanto eu guio as minhas próprias filhas.


Neste Dia das Mães, convido você a olhar para o espelho e para dentro de si. Reconheça as marcas, os trejeitos e as células que não são apenas suas. Celebre a quimera que você é. Honre as que vieram antes e prepare o caminho para as que virão. Pois, no fim das contas, o que realmente importa é o vínculo que nos une e a segurança de saber que nunca estamos sozinhas.


Feliz Dia das Mães!

O novo luxo nasce no campo: de Gusttavo Lima a Jon Vlogs

Continuando a nossa série, um novo tipo de convite circulando e ele não chega em papel texturizado nem exige dress code escrito. Ele simplesmente acontece. No som de cascos no chão, no pôr do sol que parece calculado e na poeira que sobe quase como cenário.

Quando foi que o campo deixou de ser apenas destino e passou a ser linguagem?

A primeira edição da cavalgada de Gusttavo Lima talvez tenha sido a resposta mais recente e mais interessante para essa pergunta. Mais do que um evento, foi um encontro. Daqueles onde tradição e espetáculo caminham lado a lado, sem esforço.

Não foi apenas sobre percorrer 12 quilômetros de estrada de terra, foi sobre quem estava ali, sobre o que aquele encontro representava e, principalmente, sobre a estética silenciosa que se formava entre um passo e outro dos cavalos.

Porque, no fim, o campo também é palco.

Foto reprodução Instagram @calvagadadoembaixador

E naquele domingo, 26 de abril, ele reuniu mais do que convidados: reuniu narrativas. Entre autoridades como Daniel Vilela e Ronaldo Caiado, celebridades e nomes que orbitam esse novo lifestyle rural, a cavalgada deixou de ser apenas tradição, tornou-se símbolo.

Símbolo de um Brasil que mistura poder, cultura e entretenimento sem precisar separar os universos.

O percurso, que partiu da Fazenda Lumiar, começou quase como um ritual. O sol alto, o ritmo cadenciado dos cavalos e, em determinado momento, a música. Porque claro, quando se trata de Gusttavo Lima, até o trajeto vira espetáculo. Entre uma canção e outra, o público não apenas assistia, mas participava. Como se tudo ali estivesse perfeitamente alinhado entre o espontâneo e o cuidadosamente planejado.

E talvez esteja mesmo.

Com uma curadoria que incluía desde café da manhã até churrasco e open bar, além de uma estética que já nasce instagramável, o evento desenhou um novo tipo de experiência: aquela que mistura tradição rural com desejo contemporâneo. Onde o ingresso não compra apenas acessom compra pertencimento.

Foto reprodução Instagram @calvagadadoembaixador

E então, entre um passo e outro, lá estava ela: Andressa Suita mais uma vez traduziu com precisão esse código. Elegante sem esforço, ela parecia entender algo que nem todos ainda perceberam: o campo deixou de ser cenário coadjuvante e passou a ser protagonista.

Foto reprodução Instagram @andressasuita

No meio disso tudo, até os detalhes técnicos, como as exigências sanitárias e o cuidado com os animais, parecem contribuir para algo maior: uma experiência onde tradição, responsabilidade e imagem coexistem.

Porque talvez o novo luxo não esteja no excesso. Mas na intenção.

E, entre cascos, música e pôr do sol, ficou a sensação de que o campo brasileiro não está apenas sendo redescoberto.

Ele está sendo reinterpretado.

Mas o mais curioso é perceber quem mais tem entendido esse movimento.

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E talvez o ponto mais interessante dessa história esteja justamente em quem chega e em como chega.

Jon Vlogs, cada vez mais presente nesse universo, parece ter entendido algo que a cidade, com toda sua pressa, já não consegue oferecer: uma autenticidade que não pode ser filtrada.

Mas não se engane, não estamos falando de um retorno ao passado.

Estamos falando de uma atualização.

Entre cavalos, bastidores de shows sertanejos e encontros que misturam artistas, influenciadores e figuras do agro, Jon transita com naturalidade por um território que antes parecia segmentado. E talvez seja exatamente isso que o torne tão relevante: ele não pertence a um único mundo, ele conecta vários.

Foto reprodução Instagram @jonvlogs

Porque hoje, o campo também é live.

É câmera ligada, é storytelling em tempo real, é o instante transformado em conteúdo sem perder a sensação de que aquilo ainda é, de fato, vivido. Existe uma estética quase crua nisso tudo. Menos produção aparente, mais verdade percebida. E, curiosamente, isso é o que mais engaja.

Foto reprodução Instagram @jonvlogs

Ao mesmo tempo, há uma outra camada que começa a ganhar força: a da vaquejada.

Um universo que sempre existiu, mas que agora começa a ser reinterpretado sob uma nova lente. Arquibancadas cheias, energia pulsante, competição, música, estilo tudo isso embalado por uma geração que entende que tradição também pode ser tendência.

E Jon está ali. Observando, participando, registrando.

Foto reprodução Instagram @jonvlogs

Não como alguém de fora, mas como parte dessa narrativa em construção.

Porque, no fim, talvez o que esteja acontecendo não seja apenas uma migração estética da cidade para o campo.

Mas uma fusão.

Onde o lifestyle digital encontra a poeira da arena, onde o entretenimento encontra a tradição e onde viver deixou de ser suficiente. Agora, é preciso sentir, mostrar e transformar.

E me diga… quando foi que o campo deixou de ser bastidor e virou, de vez, protagonista?

E enquanto alguns ainda associam o campo ao descanso, outros já entenderam que ele também é negócio.

Além das fronteiras: o camarote NOSSO redefine o luxo em Miami

Da Sapucaí ao circuito da Fórmula 1 de Miami, a marca brasileira transforma hospitalidade em uma experiência global de pertencimento.

Se tem uma coisa que aprendemos, talvez tarde demais, talvez no tempo exato é que alguns lugares não são exatamente lugares.

São sensações. São encontros. São aquelas memórias que a gente nem sabia que estava criando… até perceber que não quer mais ir embora.

E talvez seja exatamente isso que o NOSSO sempre foi.

Foto reprodução Instagram @nossocamarote

Depois de conquistar, o posto de um dos espaços mais desejados do Carnaval carioca, o NOSSO faz aquilo que toda história bem contada inevitavelmente faz: avança.

Mas não de qualquer forma.

Avança com intenção. Avança com coragem. Avança… para fora do país.

Porque, veja bem, não é apenas sobre sair da Sapucaí. É sobre entender que quando algo é construído com verdade, ele não pertence a um lugar só. Ele atravessa. Ele ecoa. Ele encontra novos cenários e, mais importante, novas pessoas.

E foi assim, quase como quem aceita um convite impossível de recusar, que o NOSSO desembarca na Fórmula 1 de Miami.

“O NOSSO sempre foi sobre criar experiências que conectam pessoas em torno de grandes momentos”, diz Santiago Vieira, CEO e sócio-fundador da marca.
“Expandir isso para fora do Brasil não é exatamente uma escolha estratégica. É quase uma consequência natural do que a gente construiu.”

Natural, aqui, soa como inevitável. Porque antes de Miami, houve Interlagos. E antes de Interlagos… houve um sentimento.

“Interlagos foi um divisor de águas pra gente. Ali ficou muito claro que o que a gente criou no Carnaval podia existir em outros lugares, com a mesma força”, ele me conta.

Um teste, talvez.
Um daqueles momentos em que a gente percebe que aquilo que parecia único… na verdade, pode ser infinito.

Interlagos não foi só um passo. Foi um ponto de virada.

Um sussurro elegante dizendo: isso pode ir muito mais longe.

E foi.

Foto reprodução Instagram @nossocamarote

Mas Miami, afinal, não é apenas um destino. É um encontro de mundos.

Um lugar onde idiomas se misturam, onde culturas dançam juntas, onde o excesso curiosamente encontra sofisticação.

E talvez por isso faça tanto sentido começar por lá.

Com um investimento de aproximadamente 2 milhões de dólares e um detalhe que, confesso, me fez arquear levemente a sobrancelha: não há ingressos à venda.

Porque o NOSSO não vende acesso.

Ele constrói pertencimento.

“A gente nunca quis ser sobre volume”, Santiago diz, quase como quem compartilha um segredo.
“A gente quis ser sobre profundidade. Sobre conexão de verdade.”

São apenas 130 convidados. Poucos, seletos… quase como se cada nome fosse escolhido não apenas pelo que representa, mas pelo que pode sentir.

“O NOSSO é uma plataforma de relacionamento. E relacionamento não se compra, se constrói com tempo, com cuidado, com intenção.”

E, no fundo, não é exatamente isso que buscamos?

Não mais lugares para ir…Mas lugares que realmente queremos estar.

A lógica continua a mesma. E talvez seja isso que mais me encanta.

A hospitalidade que abraça sem esforço.
A curadoria que não grita, sussurra.
A música que não invade, envolve.

“A música é o que costura tudo. Ela cria atmosfera, aproxima as pessoas, traduz o momento”, ele completa.

Se no Rio o samba dita o ritmo, em Miami ele se traduz. Ganha novas batidas, novos corpos, novos olhares… mas mantém a mesma intenção: conectar.

Porque no fim e isso pode soar como clichê, mas alguns clichês são apenas verdades bem vestidas. Tudo se resume a isso: Pessoas. Conexões. E momentos que, de tão bons, quase doem um pouco quando acabam.

“Se antes o mundo vinha até a gente durante o Carnaval, agora somos nós que vamos até onde esse público está”, diz Santiago.
“E isso muda completamente a forma como a gente enxerga o futuro.”

Talvez a grande virada não seja geográfica.
Talvez seja simbólica.

Antes, o mundo vinha até nós.
Agora… nós chegamos ao mundo.

E enquanto eu penso sobre isso, não consigo deixar de me perguntar:

Será que o verdadeiro luxo, hoje, não está exatamente aí?

Não no excesso…Mas na sensação rara de fazer parte de algo que não pode ser comprado?

Se for, o NOSSO entendeu tudo.

E, ao que tudo indica… isso é só o começo.

Onde nasce o eterno: Chanel em estado puro

O mar, um vestido preto e a liberdade de ser: Chanel Cruise 2027

Há coleções que nos vestem. E há aquelas que nos transportam. A Cruise 2027 da Chanel pertence, sem dúvida, à segunda categoria como um convite silencioso para caminhar à beira-mar e, entre uma rajada de vento e outra, revisitar aquilo que realmente importa.

Em sua quinta coleção para a maison, Matthieu Blazy não apenas olhou para o passado, ele mergulhou nele. E escolheu fazê-lo no lugar onde tudo começou: Biarritz. Foi ali que Gabrielle Chanel encontrou algo mais valioso que tendências: liberdade.

E talvez seja curioso pensar que essa história começa com um gesto simples. Um vestido preto.

O icônico “little black dress”, que completa 100 anos em 2026, abriu o desfile em uma interpretação quase fiel ao original. Sem exageros. Sem ruídos. Apenas a elegância crua de uma ideia que atravessou o tempo. Porque, às vezes, o verdadeiro luxo não está em reinventar, mas em reconhecer o que já nasceu eterno.

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A resposta talvez esteja nos detalhes. Nos tricôs com barras em zigue-zague que parecem saídos diretamente dos arquivos. No conjunto preto e branco usado por Bhavitha Mandava, com os dois Cs invertidos integrados à própria construção da peça, uma reprodução fiel de um croqui dos anos 1930. Nas referências aos primeiros conjuntos de jérsei de 1913, na influência das linhas retas da Art Déco e, acima de tudo, na leveza.

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Leveza como linguagem. Como escolha. Como herança.

Apresentado em um cassino com vista para o mar, o desfile parecia mais um estado de espírito do que um evento. Modelos com cabelos molhados, como se tivessem acabado de sair do oceano. Algumas descalças, carregando os sapatos nas mãos. Outras atravessando a passarela com a naturalidade de quem entende que elegância não precisa de esforço.

E então, quase como um sussurro moderno, o casting trouxe mulheres de diferentes idades e uma grávida com a barriga à mostra em um tailleur de tweed, com sapatinhos de bebê pendurados na bolsa. Um detalhe delicado, com aquele toque de humor que inevitavelmente remete ao espírito provocador de Karl Lagerfeld.

Entre lenços de seda transformados em looks, maiôs combinados com alfaiataria fluida e o retorno de best sellers como a camisa Charvet agora com renda guipire, a coleção constrói um guarda-roupa que flutua entre o passado e o desejo contemporâneo. O jeans, nova obsessão da maison, aparece em conjuntos suaves, enquanto o tricô se reinventa em vestidos alongados e releituras de trajes de banho vintage.

E há listras. Muitas listras. Inspiradas na paisagem basca, nos guarda-sóis que pontuam a orla de Biarritz, no ritmo visual de uma cidade moldada pelo vento e pelo tempo.

Mas talvez o momento mais poético esteja no final. Dois vestidos inspirados em sereias, uma referência que nasceu da infância de Matthieu e ganhou forma após ele descobrir um mural art déco em um farol local, onde duas figuras míticas entrelaçam suas caudas como os Cs do logo da marca.

Romântico? Sim. Mas também profundamente simbólico.

Porque foi em Biarritz, em 1915, ao lado de Arthur Edward Capel, que Gabrielle Chanel não apenas abriu sua maison, mas também iniciou uma revolução silenciosa. Em plena guerra, enquanto Paris se tornava instável, ela escolheu o mar. Escolheu o movimento. Escolheu libertar o corpo feminino de estruturas rígidas usando materiais improváveis como o jérsei, reinterpretando o tweed masculino e transformando um simples vestido preto em manifesto.

E talvez seja exatamente esse o ponto onde Matthieu Blazy toca com mais precisão.

Ele não está apenas recriando roupas. Está ressignificando códigos. Expandindo possibilidades. Questionando, com delicadeza, o que entendemos por luxo, por identidade, por permanência.

No fim, entre ondas, memórias e silhuetas que dançam com o vento, fica uma pergunta: Se a moda é feita de movimento… será que o verdadeiro estilo não é, simplesmente, saber para onde e para quem queremos voltar?

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