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ISMY: O Universo

Uma marca. Uma revista. Um ponto de vista.

Foto: Ágata Reis

Alguns universos não são criados, eles são revelados.

O universo ISMY nasce desse encontro raro entre estética, narrativa e identidade. Um espaço onde tudo conversa: moda, imagem, palavra e presença.

Nós somos Isabela e Isadora.

Irmãs, sócias e criadoras de um projeto que nunca se limitou a uma única forma de existir.

Foto: Ágata Reis

De um lado, a marca.

A ISMY como expressão tangível.

Peças que carregam intenção, elegância e uma construção cuidadosa de identidade. Há uma influência sutil, quase atmosférica, de um lugar onde culturas se cruzam e o tempo ganha outra textura como em Istambul. Não como referência óbvia, mas como sensação: intensidade, sofisticação e um certo mistério que não se explica, apenas se percebe.

Do outro, a revista.

A ISMY Magazine como linguagem.

Um espaço onde a moda é interpretada, não apenas mostrada. Onde histórias são contadas com profundidade, onde o olhar editorial transforma o comum em discurso. Mais do que conteúdo, a revista constrói perspectiva que traduz o mundo através da sensibilidade que também veste a marca.

Entre as duas, existe um elo invisível:

o mesmo olhar.

Um olhar que entende que estilo vai além da roupa, que estética é também posicionamento e que criar é, acima de tudo, ter algo a dizer.

Se a marca veste, a revista expressa.

E juntas, não poderiam ser outra coisa senão isso: um universo.

ISMY.

INSTRUÇÕES ANTES DE VISITAR A TERRA

Um guia para quando você quer desistir

Por: Dra Kátia Pegos – Psiquiatra e especialista em saúde mental da Tríade Rosa

Há um poema que circula nas redes, compartilhado por mulheres em madrugadas de insônia, salvo em pastas secretas do celular, lido com lágrimas nos olhos. É um poema cósmico disfarçado de manual de instruções: “Instructions Before Visiting the Earth”, de James Mc Crane.


Quando o li pela primeira vez, não como psiquiatra, mas como mulher, senti aquele arrepio que só a verdade provoca. Pois o poema não nega o sofrimento; ele o recontextualiza. E há uma diferença abismal entre essas duas coisas.


Hoje, quero conversar com você sobre essas instruções, não como abstrações filosóficas, mas como boias de salvação para quando você estiver se afogando. Elas oferecem um mapa para navegar pela complexidade da existência, lembrando-nos de que a dor é parte da jornada, mas não o seu destino final.

1. “NÃO ENTRE EM PÂNICO”

Ou: O que fazer quando você acorda e não reconhece sua própria vida.

Ontem, recebi no consultório uma mulher que começou a sessão assim: “Dra., acordei e pensei: como cheguei aqui? Como isso é minha vida?”. Ela tinha 34 anos, casamento de 12 anos, dois filhos, uma carreira que construiu com suor. Naquele momento, tudo parecia irreal, estranho, como se estivesse vivendo a vida de outra pessoa. Isso é desrealização, e é muito mais comum do que você imagina.

Mc Crane nos diz: “não entre em pânico. Sua condição é temporária”.A psiquiatria acrescenta: esse pânico que você sente é informação, não sentença. É seu sistema nervoso dizendo “algo mudou”. E ele está certo. A vida é mudança constante, e às vezes nosso corpo e mente levam tempo para acompanhar. Quando você nomeia o pânico, quando você diz “estou em pânico, e isso é normal, e isso é temporário”, você já começou a se acalmar. Pois o pânico alimenta-se do silêncio, da negação e da vergonha de estar com medo.

A instrução prática aqui: Na próxima vez que sentir aquele frio na espinha, aquela sensação de estar à deriva, faça isto:

Nomeie em voz alta: “Estou com medo. Estou desorientada. E isso é aceitável.”

Coloque uma mão no coração. Sinta seu próprio batimento

Respire: 4 tempos para dentro, 6 para fora. (Seu sistema nervoso parasimpático agradece.)

2. “VOCÊ FOI SELECIONADA”

Ou: Por que seu sofrimento não é punição, é oportunidade.

Há uma mulher que conheço, vou chamá-la de Marina, que aos 40 anos perdeu seu emprego, seu casamento desmoronou, e ela ficou sozinha com uma filha de 8 anos e uma dívida que parecia montanhas. No primeiro encontro, ela me disse: “Dra., o que fiz de errado? Por que Deus está me punindo assim?”. E eu respondi: “Marina, você não está sendo punida. Você está sendo testada. E há uma diferença crucia.”Mc Crane nos diz: você foi selecionada para esta encarnação humana. Não por acaso. Não como castigo. Como oportunidade.

Isso não significa que o sofrimento é bom, mas que é significativo. Significa que você tem a capacidade de transformá-lo em sabedoria, compaixão e uma força que você nem sabia que possuía.Marina, três anos depois, criou um projeto de ajuda para mulheres em situação de vulnerabilidade.

A queda não foi o ponto final, foi o ponto de virada.A instrução prática aqui:

Escreva isto num papel e cole no espelho: “Meu sofrimento não é acaso. Há algo que eu preciso aprender aqui. Qual é?”Não espere a resposta vir pronta. Ela virá em fragmentos, numa conversa, num livro, num momento de quietude.

3. “SUA ALMA PERMANECE SEGURA”

Ou: O refúgio que existe dentro de você, mesmo quando tudo desmorona.Recebi certa vez uma ligação de madrugada. Uma mulher que havia tentado se matar. Estava no hospital, medicada, mas consciente. “Dra., eu não quero estar aqui”, ela sussurrou. “Eu sei”, respondi. “Mas você está aqui. E isso importa.” 

Mc Crane diz algo revolucionário: não importa o que aconteça ao seu corpo, ao seu ego, à sua vida, sua alma permanece intacta. Perfeitamente segura.Em termos psiquiátricos, isso significa: você não é seus pensamentos suicidas. Você não é sua depressão. Você não é sua ansiedade. Você é o observador desses fenômenos. Você é aquela parte que consegue dizer “estou tendo um pensamento de morte”, o que significa que há uma parte de você que não é esse pensamento. Essa mulher da madrugada, vou chamá-la de Sofia, levou meses para entender isso. Mas quando entendeu, ela começou a falar de seus pensamentos como se fossem visitantes indesejados, não como verdades imutáveis. “Meu pensamento suicida chegou de novo”, ela dizia. Não “eu sou suicida”. Essa pequena mudança linguística é terapêutica e libertadora.

A instrução prática aqui, quando um pensamento terrível chegar, diga: “Este é um pensamento que minha mente está tendo. Não é verdade. Não é permanente.

Procure aquela parte de você que observa o pensamento. Ela existe. Sempre existiu. Se os pensamentos forem muito escuros, procure ajuda profissional. Sua alma está segura, mas seu corpo precisa de cuidados.

4. “NADA É PERMANENTE”

Ou: O alívio paradoxal de saber que tudo passa.

Uma das minhas pacientes,Beatriz, passou por um luto devastador. Perdeu seu filho de 19 anos. Meses depois, em sessão, ela me disse algo que a surpreendeu: “Dra., a dor não diminuiu. Mas mudou. Alguns dias é aguda. Outros dias é uma tristeza morna. Nunca desaparece, mas… muda.”

Isso é a verdade do poema: nada é permanente. Nem a alegria. Nem o sofrimento.Quando você está em desespero, parece que aquilo é eterno. Que você vai carregar aquele peso para sempre. Mas a psiquiatria e a neurobiologia nos dizem: o cérebro é plástico. As sinapses mudam. Os neurotransmissores se reequilibram. O corpo cicatriza. Não significa que você esquecerá, mas que aprenderá a carregar. E há algo profundamente consolador nisso: se a dor não é permanente, então você não precisa ter medo dela. Porque ela vai passar.

A instrução prática aqui: Quando estiver em sofrimento agudo, diga: “Isto é temporário. Meu cérebro está em crise, mas ele se recupera. Já se recuperou antes”.

Crie um kit de crise: fotos de momentos felizes, uma música que te acalma, o número de alguém que você confia. Quando tudo parece permanente, use seu kit para lembrar que não é.

5. “APEGUE-SE LEVEMENTE”

Ou: Como amar sem ser destruída pela perda.Há um mito que as mulheres crescem acreditando: que amar significa entregar-se completamente. Que a verdadeira devoção é a morte em vida ao lado de alguém. Isso é uma mentira que destrói vidas. 

Recebi uma mulher, Juliana, que havia perdido sua identidade dentro de um casamento. Ela não sabia mais o que gostava, o que queria, quem era. Havia se diluído completamente no outro. Quando o casamento terminou, ela não apenas perdeu um parceiro; perdeu a si mesma.

Mc Crane nos diz:”Apegue-se levemente, até a si mesma”. Isso é revolucionário. Porque significa: você pode amar profundamente e ainda ser você. Você pode estar em um relacionamento e ainda ter amigos, hobbies, sonhos, uma vida interior que é só sua. Significa que você não é propriedade de ninguém. Nem de um homem. Nem de seus filhos. Nem de sua carreira. Nem sequer de si mesma. Você é um ser em movimento. E o movimento requer espaço.

A instrução prática aqui: Identifique uma coisa que você abandonou por estar apegada a alguém ou a algo. Uma amiga. Um hobby. Um sonho.Comece pequeno . Uma ligação. Uma aula. Uma tarde só sua.

Observe como você se sente quando recupera um pedaço de si mesma. Porque é isso que é desapego, não é frieza. É amor a si mesma.

6. “SER UMA BOA VISITANTE”

Ou: A responsabilidade de estar aqui.

Há uma tendência em mulheres que sofrem muito: elas se tornam invisíveis. Recuam. Ocupam o mínimo de espaço.

Pedem desculpas por existir. 

Mc Crane nos diz algo diferente: seja uma boa visitante. Ouça mais do que fala. Dê mais do que receba. Não faça bagunça. Mas aqui está a sutileza: ser uma boa visitante não significa ser invisível. Significa ser responsável.

Uma de minhas pacientes, Gabriela, estava tão focada em não “incomodar” ninguém que havia desaparecido. Ela tinha uma voz bonita, mas não cantava. Tinha ideias brilhantes, mas não as compartilhava. Tinha amor para dar, mas o guardava. Quando começamos a trabalhar isso em terapia, ela percebeu: a verdadeira responsabilidade não é desaparecer. É aparecer completamente e deixar que seu aparecimento transforme o espaço ao seu redor. Ser uma boa visitante significa: contribuir. Ser presente. Ouvir com atenção. Mas também significa: reclamar seu direito de estar aqui. De tomar espaço. De deixar marcas.

A instrução prática aqui: Esta semana, faça algo que você normalmente não faria por medo de “incomodar”: compartilhe uma ideia numa reunião. Convide alguém para conversar. Diga não a algo que não quer fazer.

Observe como você se sente quando deixa de desaparecer.

7. “VOLTE COM CICATRIZES E HISTÓRIAS”

Ou: Por que suas feridas são seus prêmios.

A última instrução é talvez a mais importante: você não vai sair viva daqui. E o tempo passa rápido. Então volte com cicatrizes e boas histórias para contar. 

Isso é um convite para viver plenamente. Não apesar do sofrimento, mas através dele. 

Recebi uma mulher, Raquel, aos 60 anos. Havia passado por um câncer, um divórcio, uma falência. Quando me contava essas histórias, seus olhos brilhavam.”Dra., eu não gostaria de ter passado por nada disso”, ela disse. “Mas agora que passei, não troco essas cicatrizes por nada. Elas me fazem quem eu sou.” Isso é maturidade psicológica. Não é resignação. É integração. Suas feridas não são fracassos. São evidências de que você lutou. De que você sobreviveu. De que você está aqui, ainda de pé. Elas são a prova de sua resiliência e a riqueza de sua jornada.

A instrução prática aqui: Reconheça suas cicatrizes como marcas de superação, não de falha. Compartilhe sua história quando se sentir pronta, pois ela pode ser a luz para outra pessoa.

Guia de Ação: Como Usar Isso Agora

A verdadeira mudança acontece na ação. Aqui está o que fazer:

Esta semana: Escolha uma instrução que mais ressoe com você agora. Pratique a ação prática associada a ela, todos os dias.Escreva o que você observa. Não precisa ser bonito. Apenas honesto.

Este Mês: Procure ajuda profissional se estiver em crise (psicólogo, psiquiatra, terapeuta). Não é fraqueza. É sabedoria.

Compartilhe este artigo com uma mulher que você sabe que está sofrendo.

Crie um ritual, pode ser ouvir o poema, ler este artigo, meditar, que te reconecte com essas instruções quando tudo ficar escuro.

Este Ano: 

Reconstrua sua vida com base no que aprendeu. Cicatrizes levam tempo para se formar.

Encontre sua comunidade, mulheres que entendem, que não julgam, que também estão aprendendo a viver.

Volte e conte sua história. Porque quando você compartilha sua cicatriz, você dá permissão para que outras mulheres compartilhem as delas.

“Você não está aqui por acaso. Você foi selecionada. Sua alma está segura, mesmo quando tudo parece desmoronar. E sim, você vai sofrer. Mas você também vai amar, rir, criar, transformar. “

Quando tudo ficar muito escuro, lembre-se: você é uma visitante nesta Terra. Você não precisa ser perfeita. Você só precisa estar aqui, completamente, com suas cicatrizes e suas histórias.

E quando chegar a hora de partir, que seja com o coração cheio, não de arrependimento, mas de gratidão por ter vivido.

 

Entre alfaiataria e movimento: A primavera híbrida de Pharrell Williams para a Louis Vuitton

Foto divulgação

Em um momento em que a moda masculina parece buscar novas definições para si mesma, Pharrell Williams propõe algo menos rígido e, talvez por isso, mais sofisticado. Não se trata de reinventar completamente o guarda-roupa, mas de permitir que ele se mova.

Com a Spring 2026 Menswear Capsule, a Louis Vuitton traduz essa ideia em uma coleção que existe justamente no intervalo: entre estações, entre códigos, entre o clássico e o inesperado.

Aqui, a alfaiataria deixa de ser estrutura para se tornar linguagem fluida. Blazers e calças não abandonam a precisão, mas ganham leveza ao dialogar com elementos do sportswear e do workwear, dissolvendo fronteiras que antes pareciam inegociáveis. O resultado não é uma ruptura, é uma transição elegante.

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A paleta acompanha esse movimento com naturalidade. Tons terrosos suaves ancoram a coleção, enquanto nuances de azul-celeste e um lilás quase etéreo surgem como respiros visuais, como se a primavera não fosse apenas uma estação, mas um estado de espírito.

Mas é nos detalhes que Pharrell constrói sua narrativa com mais precisão.

Elementos icônicos da Maison são reinterpretados com uma sensibilidade quase lúdica: abas de couro VVN migram das bolsas para o vestuário, enquanto rebites e perfurações desenham florais a partir do Monograma. O LV Flower X-Ray observa o símbolo por uma lente quase científica, enquanto o Damier Picnic transforma o tradicional xadrez vichy em algo inesperadamente contemporâneo.

Há também uma insistência delicada em transformar o familiar. O Blooming Monogram floresce sobre superfícies já conhecidas, criando camadas de textura, de significado, de tempo.

O denim, peça central dessa narrativa, assume múltiplas identidades. Surge em jacquards elaborados, em tingimentos overdyed e em construções que elevam o workwear a um novo patamar de savoir-faire. É utilitário, mas nunca básico.

Ao mesmo tempo, a coleção abraça a versatilidade com uma sofisticação silenciosa. Jaquetas esportivas em suede e nylon com couro, peças reversíveis e conjuntos em jersey com intervenções do Monograma mostram que o conforto não precisa abrir mão de intenção.

Nos acessórios, a Maison reafirma sua capacidade de transformar objeto em desejo. Bolsas e pochetes em Monogram Denim revelam padrões florais tecidos com precisão, enquanto um detalhe quase poético, um charm metálico em forma de regador, substitui a tradicional tag, como um gesto sutil que humaniza o luxo.

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Até os calçados parecem participar desse jogo entre leveza e construção. Sneakers inspirados no universo do skate, corrida e basquete surgem com bordados florais e composições cromáticas que evocam movimento, enquanto sandálias e mules exploram um lado mais descontraído quase despreocupado da coleção.

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No fundo, o que Pharrell Williams propõe não é apenas um novo guarda-roupa, mas uma nova forma de habitá-lo.

Porque, em uma estação que já não se define por datas fixas, talvez o verdadeiro luxo esteja exatamente nisso: na capacidade de transitar.

A elegância do “não”: O olhar curatorial de Sasha Meneghel

Foto reprodução instagram @sashameneghel

Há um novo código silencioso sendo escrito no universo do luxo e ele não fala sobre excessos, mas sobre escolhas. Em terceira pessoa, quase como quem observa de fora, percebe-se que Sasha Meneghel não está apenas criando roupas. Ela está editando um estilo de vida.

À frente da Mondepars, Sasha constrói uma estética que recusa o óbvio. Minimalista, precisa e intencional, sua marca não busca ocupar todos os espaços, apenas os certos. E talvez seja exatamente aí que reside sua força: naquilo que ela decide não fazer.

Essa filosofia encontra eco na nova colaboração com a Tanqueray, que dá mais um passo estratégico ao se aproximar do território da moda e do comportamento. O encontro entre as duas marcas resulta em uma coleção cápsula limitada que traduz, em peças de vestuário, um pensamento compartilhado: o luxo como consequência de critérios bem definidos.

Foto reprodução instagram @sashameneghel

A linha, composta por cinco itens entre camisetas, moletom e boné, marca um novo momento para a Tanqueray no Brasil. Mais do que expandir sua presença, a marca passa a dialogar com uma geração que entende o consumo como extensão de identidade.

A base conceitual da collab vem de uma história que atravessa séculos. Inspirada nos “300 nãos” de Charles Tanqueray, a narrativa resgata o rigor do fundador que recusou inúmeras combinações até chegar à receita ideal do London Dry Gin. Hoje, esse “não” se transforma em linguagem, um símbolo de excelência, consistência e visão.

E é justamente nesse ponto que Sasha se insere com naturalidade. Para ela, recusar não é limitar, é lapidar. É entender o que faz sentido, o que permanece e o que constrói uma marca com intenção de longo prazo.

Do lado da Diageo, grupo responsável pela Tanqueray, a parceria reforça uma estratégia clara: expandir o significado da marca para além do copo, ocupando espaços onde cultura e lifestyle se entrelaçam.

Em um cenário global onde celebridades transformam marcas em extensões de si, como faz Kendall Jenner com a 818 Tequila, Sasha segue um caminho que parece menos sobre projeção e mais sobre construção. Menos sobre presença constante e mais sobre permanência.

No fim, entre tecidos, botânicos e decisões cuidadosamente editadas, o que se desenha não é apenas uma colaboração, mas um posicionamento.

Porque, no luxo contemporâneo, talvez o verdadeiro diferencial não esteja no que se cria, mas no que se escolhe deixar de fora.

Foto reprodução instagram @sashameneghel
Foto reprodução instagram @sashameneghel
Foto reprodução instagram @sashameneghel

Entre respirações e encontros: o novo endereço do desejo

Há alguns anos, encontrar alguém significava marcar um jantar. Luz baixa, taças alinhadas, conversas que se estendiam entre pratos e olhares. Era ali, entre o barulho dos talheres e o movimento calculado do serviço, que conexões aconteciam.

Hoje, curiosamente, o cenário mudou e talvez, silenciosamente, tenha se sofisticado.

Os novos encontros não começam com um brinde, mas com uma respiração profunda.

Eles acontecem em salas iluminadas por luz natural, com janelas abertas, aromas sutis no ar e uma trilha quase imperceptível ao fundo. Corpos alinhados em movimento, pés descalços, roupas que acompanham o gesto e não o limitam. Ninguém está ali para impressionar e, justamente por isso, tudo se torna mais interessante.

Os eventos de wellness deixaram de ser apenas sobre saúde. Eles se transformaram em um novo código social.

Foto reprodução Helios Pop Up event

A aula de yoga virou ponto de encontro. O pilates, um ritual compartilhado. O funcional ao ar livre, quase um manifesto coletivo sobre presença. E entre uma postura e outra, entre uma pausa e um alongamento, conversas nascem mais leves, mais honestas, quase despretensiosas.

Existe algo de profundamente contemporâneo nisso: a troca acontece enquanto cada um está, antes de tudo, conectado consigo mesmo.

E talvez seja esse o novo luxo.

Não mais o excesso, o ruído ou a performance social ensaiada, mas o espaço onde é possível simplesmente existir, respirar e, a partir disso, se conectar.

As roupas acompanham esse movimento. O activewear deixa de ser apenas funcional e passa a traduzir estilo, intenção e pertencimento. Tons neutros, tecidos que abraçam o corpo, cortes que equilibram estética e liberdade. Não se trata de estar pronto para o treino, mas para o que vem depois dele.

Porque sempre há um “depois”.

E, talvez por isso, sejam hoje os endereços mais desejados, não por quem quer ser visto, mas por quem entende que o verdadeiro luxo está em como se sente.

Um café compartilhado sem pressa. Uma conversa que se prolonga na calçada. Um convite que surge sem esforço. Um número de telefone trocado entre risos leves e pele ainda aquecida.

Os eventos de wellness, no fim, não são sobre o corpo.

São sobre encontros que começam de dentro para fora.