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Sobre Dálias, Mulheres e Rótulos

Por Dra. Nárcia Vilaça – Ginecologista e Sexóloga

Há alguns dias, fiz um arranjo de flores para enfeitar a recepção do meu consultório.

Escolhi dálias cor-de-rosa e as combinei com espadas-de-São-Jorge. Gostei daquela composição quase intuitiva: de um lado, a delicadeza exuberante das flores; do outro, a firmeza das folhas que se erguem, retas e imponentes.

Uma paciente entrou, olhou para o arranjo e comentou, quase como quem pede desculpas:

— As dálias são lindas, mas significam sofrimento. Ainda bem que você colocou as espadas-de-São-Jorge. Estas, sim, atraem proteção.

Apenas sorri.

Olhei novamente para as dálias e pensei: como uma flor tão bonita poderia significar sofrimento?

A pergunta ficou comigo. E, confesso, me incomodou.

Curiosa que sou, fui pesquisar. Descobri que as dálias não têm um único significado. Originárias do México, onde eram cultivadas pelos astecas, são hoje a flor nacional daquele país, associadas à força, ao orgulho e à identidade. Em diferentes épocas e culturas, também foram relacionadas à elegância, à dignidade, ao compromisso, à gratidão e à renovação.

O significado não está na flor, mas no olhar de quem a vê.

E as mulheres não vivem algo parecido?

Uma mulher pode ser considerada forte por alguém e fria por outro.

Independente para uns e difícil para outros.

Vaidosa ou fútil.

Cuidadosa ou controladora.

Emocional ou sensível.

Corajosa ou inconsequente.

A mesma mulher. Diferentes interpretações.

No consultório, recebo mulheres que chegam trazendo frases prontas sobre si mesmas:

“Eu sempre fui assim.”

“Eu preciso dar conta de tudo.”

“Minha mãe também era assim.”

“Sou muito ansiosa.”

“Não tenho mais idade para isso.”

“Meu corpo não é mais o mesmo.”

E, às vezes, chegam também com os rótulos que a sociedade lhes deu: a divorciada, a viúva, a solteira, a gorda, a velha, a vadia…

Pouco a pouco, aquilo que alguém disse sobre nós pode deixar de ser apenas uma opinião e se transformar em uma espécie de sentença.

Em algum momento, uma palavra passa a ocupar o lugar de toda uma história.

Amadurecer pode ser isso: uma oportunidade de revisão.

Revisar as histórias que nos contaram e aquelas que aprendemos a contar sobre nós mesmas.

Revisar expectativas que um dia fizeram sentido, mas que hoje já não fazem mais.

Descobrir que aquilo que funcionou aos 30 pode não servir aos 50.

Que uma mulher que passou a vida sendo “a responsável” pode estar cansada de sustentar tudo.

Que aquela que sempre foi “boazinha” talvez queira, finalmente, desagradar.

Que a mulher que aprendeu a esconder o desejo talvez queira descobrir o que ainda a desperta.

Que o corpo que um dia foi tratado como projeto talvez possa, simplesmente, voltar a ser casa.

Não para apagar o que fomos, mas para escolher, entre tantas versões, quais ainda fazem sentido.

E essa é uma das formas mais bonitas de liberdade.

Na saída, olhei mais uma vez para o arranjo.

As dálias continuavam ali, com suas pétalas abraçando umas às outras, camadas sobre camadas. Apenas sendo belas, como sabem ser.

As espadas-de-São-Jorge permaneciam eretas ao lado delas, firmes, silenciosas, protegendo o que quer que alguém acredite que devam proteger.

Nenhuma das duas parecia se importar com o significado que lhes atribuíam.

Novamente, pensei nas mulheres…

Nem todo iogurte é iogurte: o que o rótulo não conta.

De alimento ancestral a queridinho da alimentação saudável: saiba como escolher o iogurte certo e não cair nas armadilhas das embalagens

Por: Dra Zila Abdala – clínica geral, gastroenterologista e especialista em estilo de vida da Tria de Rosa

Engana-se quem pensa que o iogurte é um alimento do homem moderno. Entre 4000 e 7000 a.C., na Mesopotâmia, os homens já consumiam algo semelhante. O leite era armazenado em bolsas de couro ou potes de barro e, com o calor, acabava fermentando, o que permitia que fosse consumido por mais tempo.

Originalmente, o iogurte era produzido com leite de cabra, búfala ou ovelha. Médicos da Antiguidade, como Galeno, já o recomendavam para “purificar o sangue” e auxiliar no tratamento de problemas do estômago.

No início do século XX, foi identificada a bactéria responsável pela fermentação do leite. Em 1907, o biólogo russo Ilya Mechnikov, do Instituto Pasteur, relacionou o alto consumo de iogurte pelos camponeses búlgaros à boa saúde e à longevidade daquela população.

Em 1919, o empresário Isaac Carasso começou a produzir iogurte em grande escala na Europa e batizou sua marca de Danone, em homenagem ao filho, Daniel. Mais tarde, a adição de geleia de frutas ajudou a popularizar ainda mais o produto.

Hoje, sabemos que o iogurte pode ser uma excelente fonte de proteínas, cálcio, zinco, fósforo e vitaminas A e do complexo B, além de conter microrganismos vivos, como os probióticos. Esses podem contribuir para o equilíbrio da microbiota intestinal, favorecendo a saúde digestiva e o sistema imunológico.

Seu consumo também pode contribuir para a saúde dos ossos e dentes, para a manutenção da massa muscular e para o controle da fome, por aumentar a sensação de saciedade.

Existem atualmente diversas opções no mercado: natural, integral ou desnatado, com ou sem lactose, grego, com pedaços de frutas e até produtos que parecem iogurte, mas pertencem a outra categoria: as chamadas bebidas lácteas.

É muito importante ler o rótulo antes de comprar. E aqui vale uma regra prática: quanto mais simples a lista de ingredientes, melhor.

Dê preferência aos iogurtes naturais, que tradicionalmente contêm apenas dois ingredientes: leite e fermento lácteo. Evite, sempre que possível, aqueles com excesso de açúcar adicionado e grande quantidade de aditivos, como espessantes, aromatizantes, essências e emulsificantes.

O iogurte natural é extremamente versátil e pode ser utilizado em sobremesas, bolos, molhos, frutas picadas ou batidas, além de combinações com mel, castanhas e cereais.

Também é possível prepará-lo em casa. Basta aquecer um litro de leite, esperar que fique morno e adicionar um pote de iogurte natural como fermento. A partir daí, é possível produzir novas porções, com baixo custo.

Natural ou grego: qual a diferença?

Essa é uma dúvida muito comum nos consultórios.

O iogurte grego tradicional é produzido a partir da filtragem do iogurte natural. Nesse processo, parte do soro é retirada, resultando em uma consistência mais firme e cremosa e, proporcionalmente, em maior concentração de proteínas. Dependendo do produto, porém, também pode haver maior concentração de gordura e calorias.

No Brasil, muitos produtos comercializados como “tipo grego” são produzidos de maneira diferente. Em vez da filtragem tradicional, podem receber ingredientes como amido e creme de leite para ganhar cremosidade. Muitos também contêm açúcar ou adoçantes.

E as bebidas lácteas?

As bebidas lácteas são outra categoria que pode confundir o consumidor. Geralmente, apresentam menor teor de proteínas do que o iogurte e podem conter mais açúcar, sódio, amido, gordura vegetal e outros aditivos, dependendo da formulação.

Por isso, não basta olhar a embalagem ou escolher pelo preço. É preciso ler a lista de ingredientes e a tabela nutricional.

Com tantas opções nas prateleiras, aprender a interpretar as letras miúdas das embalagens é fundamental para fazer escolhas mais conscientes.

Por fim, fica a dica mais valiosa: priorize o iogurte natural, combine-o com alimentos nutritivos e saborosos e aproveite a versatilidade desse alimento que atravessou milhares de anos e continua fazendo parte de uma alimentação equilibrada.

 

POR QUE AINDA VIVEMOS COMO SE NÃO HOUVESSE O SUFICIENTE?

Uma análise sobre os registros de escassez e a busca pela abundância possível

Por: Dra Kátia Pegos – Psiquiatra e especialista em saúde mental da Tría de Rosa

Há pessoas que guardam a melhor louça para uma ocasião especial. Economizam o perfume favorito, adiam a viagem, deixam a roupa nova esperando no armário. Trabalham além do necessário, descansam menos do que precisam e sentem certo desconforto quando a vida oferece algo bom como se o agora nunca fosse exatamente o momento certo.

Por trás desses gestos, existe uma sensação antiga e persistente: é preciso guardar, porque amanhã pode faltar.

A escassez costuma ser associada ao dinheiro, mas seu alcance é muito maior. Podemos viver com medo de que faltem tempo, amor, reconhecimento, saúde, oportunidades, disposição ou segurança. Podemos acreditar que não há espaço para todos e que, por isso, precisamos disputar. Ou imaginar que as boas fases são breves demais e que, ao relaxar, algo será inevitavelmente perdido.

Nem toda escassez é imaginária. A falta existe e deixa marcas. Há quem tenha crescido em casas onde tudo era contado. Quem conheceu instabilidade, perda, ausência de cuidado ou a insegurança de não saber o que viria no dia seguinte. E há escassezes mais silenciosas: pouco afeto, atenção que precisava ser merecida, a aprendizagem de não pedir para não incomodar.

Essas experiências não desaparecem apenas porque a vida muda.

O tempo passa, os recursos aumentam, as circunstâncias se transformam, mas uma parte de nós continua reagindo como se o perigo ainda estivesse à porta. A falta termina do lado de fora, mas permanece ativa por dentro. É assim que uma experiência se torna um registro.

E esse registro molda a forma como percebemos o mundo. Diante de uma oportunidade, vemos primeiro o risco. Quando alguém oferece ajuda, imaginamos o custo oculto. Quando recebemos reconhecimento, desconfiamos. Quando surge um desejo, tratamos de reduzi-lo antes mesmo de considerá-lo.

A escassez também aparece na relação com o tempo. Vivemos correndo porque sentimos que ele nunca será suficiente. Enchemos a agenda, antecipamos problemas,tentamos controlar tudo. Descansar gera culpa, porque aprendemos a associar valor pessoal à produtividade. Mesmo parados, seguimos em alerta.

Nos relacionamentos, o medo da falta assume formas contraditórias. Alguns aceitam menos do que precisam para não ficarem sem nada. Outros exigem garantiasimpossíveis. Há quem permaneça em relações esvaziadas por medo de não encontrar outra possibilidade e há quem se afaste antes de se envolver, tentando evitar uma perda que ainda não aconteceu.

Nas mulheres, esse registro encontra muitas vezes terreno fértil em uma educação baseada na renúncia. Muitas aprenderam que ser boa é precisar de pouco, oferecer muito e não ocupar espaço demais. Tornaram-se hábeis em cuidar, sustentar e resolver, mas nem sempre em receber. Percebem o que falta aos outros, mas demoram a reconhecer o que lhes falta.

Receber pode ser mais difícil do que dar.

Receber exige admitir necessidade. Exige suportar não estar no controle. Exige usufruir sem justificativa. Para quem vive sob a lógica da escassez, isso pode gerar culpa, desconfiança e até a vontade de devolver o que chegou.

Por isso, algumas mulheres conquistam, mas não desfrutam. Alcançam algo desejado e já buscam o próximo passo. Compram algo e sentem remorso. Descansam e logo criam outra obrigação. Recebem um elogio e o anulam com explicações, como se a satisfação fosse perigosa.

Falar de prosperidade não é falar apenas de dinheiro. É reconhecer recursos, sustentar vínculos, aceitar apoio, fazer escolhas, permitir prazer e viver sem estar constantemente se preparando para a perda.

Isso não significa ignorar dificuldades reais ou romantizar a vida. Existem desigualdades, perdas e limitações que não podem ser reduzidas a uma questão de atitude. Mas existe uma pergunta que permanece: quanto das nossas escolhas atuais ainda está sendo guiado por faltas antigas?

Às vezes, passamos tanto tempo tentando evitar a escassez que também evitamos a abundância possível. Protegemos o pouco, mas não abrimos espaço para o que poderia chegar. Mantemos estratégias de sobrevivência mesmo quando já não estamos mais naquele cenário.

Reconhecer isso não é negar a própria história. É honrá-la sem ser governada por ela.

Talvez o primeiro movimento seja observar onde a escassez aparece: na dificuldade de pedir, na culpa ao descansar, no medo de investir em si, na tendência a aceitar menos, na necessidade de acumular, na sensação de que o melhor sempre é para os outros.

Depois, vem a pergunta mais importante: isso ainda é verdade hoje?

Nem tudo o que nos protegeu no passado precisa continuar nos guiando no presente. A expansão começa quando deixamos de organizar a vida inteira em torno do medo de perder. Ela pode ser simples: usar o que sempre foi guardado, aceitar ajuda sem compensar imediatamente, descansar antes do esgotamento, reconhecer um desejo sem diminuí-lo.

Talvez prosperar seja, antes de tudo, permitir que o suficiente seja reconhecido quando ele chega.

E você? Em que parte da sua vida ainda vive como se não houvesse o suficiente?

Por que, em algumas mulheres, a candidíase sempre volta?

Por Dra. Nárcia Vilaça – Ginecologista e Sexóloga

A Candida albicans, o fungo responsável pela maioria dos casos de candidíase, vive no ambiente aguardando pacientemente condições favoráveis para proliferar, preferências? Áreas com umidade e calor. Pode ser na boca (muito comum em bebês), no esôfago, no intestino, no pênis e mais frequentemente na vagina. É difícil encontrar uma mulher que nunca teve um episódio de cândida na vida, mas algumas mulheres têm vários episódios recorrentes. E por que isso acontece? É o equilíbrio que se rompe e esse equilíbrio depende de muito mais do que de um sabonete íntimo.

A vagina abriga um ecossistema, não um vazio estéril. Os Lactobacilos, produzem ácido lático e mantêm o pH vaginal baixo, criando um ambiente hostil à proliferação fúngica descontrolada. Quando essa população de bactérias boas cai por antibióticos, por variações hormonais, por estresse crônico, a Cândida encontra espaço livre para se multiplicar. Tratar candidíase recorrente sem entender esse microbioma é como apagar incêndio e ignorar de onde vem o vazamento de gás.

Estudos mostram que o estrogênio favorece a aderência da Cândida às células vaginais e estimula seu crescimento filamentoso, forma mais agressiva e invasiva do organismo. Isso explica por que os episódios se concentram na segunda metade do ciclo menstrual, durante a gravidez, ou em mulheres que usam contraceptivos com dose mais alta de estrogênio.

A diabetes, mesmo em estágio pré-clínico, é outro fator que a ciência liga, há décadas, à candidíase de repetição. Glicose elevada no sangue significa glicose elevada nas secreções vaginais. Mulheres com resistência à insulina não diagnosticada frequentemente batem à porta do ginecologista pedindo o enésimo tratamento tópico, porém o tratamento precisa ser da causa metabólica de fundo. A obesidade, frequentemente associada à resistência insulínica e sudorese excessiva, também precisa ser abordada. Candidíase recorrente pode, e deve, funcionar como sinal de alerta para controle de peso e de glicemia.

Antibióticos merecem um parágrafo à parte, porque são provavelmente o gatilho mais subestimado. Eles não matam só a bactéria que causou sua infecção urinária ou sua sinusite eliminam também os lactobacilos protetores, abrindo uma janela perfeita para o fungo. É por isso que tantas mulheres relatam candidíase logo após um tratamento com antibiótico de amplo espectro. O problema não é usar o medicamento quando necessário e bem indicado, é como proteger a flora vaginal durante e depois desse uso.

Existe também uma dimensão que a ciência vem confirmando e que incomoda: a Candida forma biofilmes. Estruturas organizadas, resistentes, que se aderem à mucosa e funcionam quase como uma fortaleza contra antifúngicos convencionais. Isso explica por que alguns tratamentos de dose única simplesmente não resolvem em casos recorrentes, o fungo não foi eliminado, apenas reduzido temporariamente, escondido dentro de uma estrutura protetora que volta a se expandir semanas depois. Tratamento de candidíase recorrente exige tratamento prolongado e mudança de hábitos.

A resposta imunológica local também entra na equação, e aqui a genética tem um papel real. Pesquisas identificaram variações em genes ligados à imunidade inata, como os que codificam a proteína dectina-1, associadas a maior suscetibilidade à candidíase vulvovaginal recorrente. Ou seja: algumas mulheres não têm “mais fungo”. Têm um sistema imune geneticamente menos eficiente em reconhecer e combater esse fungo específico.

Vale desmontar um mito: higiene excessiva, duchas vaginais, sabonetes perfumados e “higienizantes” não previnem candidíase, na verdade, eles favorecem. Alteram o pH, destroem lactobacilos e deixam a mucosa mais vulnerável, não menos. A vagina é autolimpante. O papel da mulher é não interferir agressivamente nesse processo. Favorecer a proliferação de Cândida, usando roupas muito justas (que abafam a região genital, como o Jeans) roupas de ginástica por períodos prolongados, calcinhas que não permitem a ventilação, vão exigir muito mais esforço do seu organismo para evitar o crescimento do fungo na vagina.

O parceiro sexual precisa entrar na conversa. Embora a candidíase não seja uma infecção sexualmente transmissível, mas atividade sexual frequente, uso de lubrificantes com glicerina e micro traumas na mucosa podem contribuir para episódios recorrentes. Isso não significa culpar o parceiro, significa reconhecer que fatores mecânicos e de composição de produtos íntimos também favorecem a proliferação da Cândida.

Portanto, candidíase recorrente precisa ser avaliada a fundo. Tratar apenas o episódio agudo, repetidamente, sem investigar hábitos de higiene, comportamento, peso, hormônios, glicemia, uso de antibióticos, composição do microbioma, estado de stress e até fatores genéticos é tratar a fumaça e ignorar o fogo. 

Farmar Aura: a tendência que pode aproximar os jovens de uma vida mais saudável 

Por: Dra Zila Abdala – clínica geral, gastroenterologista e especialista em estilo de vida da Tria de Rosa

A expressão “farmar aura” tornou-se uma das grandes tendências comportamentais do TikTok e do Instagram. Ela é usada para descrever o ato de acumular pontos de estilo, carisma, postura e respeito perante os outros. O termo une o conceito gamer de “farmar“, acumular recursos de forma repetitiva à ideia de “aura“, entendida como a energia, a presença ou o magnetismo que uma pessoa transmite.

Nas redes sociais, a gíria funciona como uma brincadeira de pontuação baseada em comportamentos, em que se pode ganhar ou perder “aura”. Mais do que uma simples tendência da internet, esse fenômeno reflete a necessidade de aprovação e pertencimento, especialmente entre os jovens. Dependendo da repercussão de uma postagem, do número de curtidas e da validação recebida, essa busca pode gerar ansiedade e fragilizar a autoestima, sobretudo entre as adolescentes.

Trata-se da manifestação de uma geração que, muitas vezes, parece não saber existir sem uma plateia. No entanto, em vez de rejeitarmos esse movimento, podemos transformá-lo em uma oportunidade para incentivar hábitos que promovam saúde física e mental.

Adotar uma alimentação equilibrada, rica em alimentos naturais, vegetais e fibras, pode ser vista como uma demonstração de disciplina, autocuidado e amor-próprio. Cuidar do corpo e fazer escolhas alimentares conscientes aumentam a disposição, melhoram o humor e fortalecem a presença que transmitimos ao mundo, uma verdadeira forma de “ganhar aura”.

Por outro lado, a dependência excessiva de alimentos ultraprocessados, fast-food e o hábito de comer movido pela ansiedade ou de maneira automática comprometem a energia, reduzem a disposição física e favorecem o cansaço constante. Tudo isso acaba refletindo na forma como nos apresentamos e nos relacionamos com os outros.

O mesmo acontece com o sono. Noites mal dormidas resultam em expressão facial abatida, olheiras, dificuldade de concentração e lentidão mental. Já o estresse crônico imprime uma aparência de esgotamento, irritabilidade e falta de vitalidade.

Os relacionamentos também exercem forte influência sobre essa “aura”. Relações tóxicas drenam nossa energia emocional, enquanto vínculos saudáveis fortalecem o bem-estar, a sensação de segurança e a autoestima. Da mesma forma, o consumo de drogas, o tabagismo e o uso excessivo de álcool comprometem a saúde e repercutem negativamente na forma como vivemos e nos apresentamos.

Praticar atividade física regularmente, de forma prazerosa, manter constância nos exercícios e combater condições como a resistência à insulina que dificulta o metabolismo, eleva os níveis de glicose e favorece o ganho de peso, são atitudes que promovem saúde, disposição e qualidade de vida. Mais do que conquistar a admiração dos outros, esses hábitos fortalecem o respeito por si mesmo.

No fundo, a ideia de “farmar aura” associa a energia e a presença de uma pessoa ao seu estado de saúde integral. Sob a perspectiva da Medicina do Estilo de Vida (MEV), essa “aura” nada mais é do que a expressão visível do equilíbrio entre corpo, mente, relacionamentos e hábitos cotidianos.

Talvez a verdadeira “aura” não seja medida por curtidas, seguidores ou comentários, mas pela forma como escolhemos cuidar de nós mesmos todos os dias. Quando alimentamos o corpo com qualidade, preservamos o sono, cultivamos bons relacionamentos, movimentamos o corpo e encontramos propósito em nossa rotina, irradiamos uma presença que nenhum filtro é capaz de criar. Afinal, a aura mais admirável não é aquela que a internet valida, mas a que nasce de uma vida vivida com saúde, equilíbrio e autenticidade.