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Canetas emagrecedoras e Medicina do Estilo de Vida: juntas revolucionando o tratamento da obesidade

Por: Dra Zila Abdala – clínica geral, gastroenterologista e especialista em estilo de vida da Tria de Rosa

A maior aliada das canetas emagrecedoras é  sem dúvida a alimentação equilibrada. A obesidade é uma doença crônica e, para seu enfrentamento, os pilares da Medicina do Estilo de Vida são fundamentais para que, a longo prazo, se consiga manter o controle do peso. Além das mudanças na alimentação, movimento, sono de boa qualidade, controle do estresse, relacionamentos saudáveis, moderação no uso do álcool e abandono do tabagismo e de outras drogas promovem saúde e longevidade.

A obesidade não é meramente um problema estético. Ela aumenta a incidência de doenças metabólicas, como colesterol elevado, triglicérides altos e diabetes mellitus tipo II; amplia também o risco de doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial, alguns tipos de câncer, como o de mama, e até mesmo algumas demências.

Mas a maior parte das pessoas que busca freneticamente as canetas emagrecedoras a ponto de correr risco de morte ao se submeter ao uso de versões clandestinas que chegam ao país escondidas em cuecas, boleias de caminhão, estepes e nos mais diversos esconderijos, tem como meta um corpo mais magro, e não necessariamente mais saudável. A gordura vai diminuindo e, com ela, grande parte da massa muscular também desaparece: é a temida sarcopenia.

O tratamento com as canetas emagrecedoras precisa ser acompanhado por uma equipe multiprofissional: médicos qualificados, educadores físicos e monitoramento nutricional. Em alguns casos, o acompanhamento psicológico também será fundamental.

Quando isso não acontece, a saciedade constante, por exemplo, deixa a usuária à mercê de uma alimentação pobre em nutrientes essenciais. Muitas passam o dia ingerindo apenas biscoitos, torradas e alimentos ultraprocessados. Perdem peso rapidamente e, mesmo quando praticam exercícios de força, não conseguem recuperar a massa muscular, que é a garantia de uma longevidade saudável: preserva a autonomia motora, fortalece o sistema imunológico e otimiza o metabolismo. Sentar, levantar do chão, andar pelo aeroporto, carregar malas e realizar atividades cotidianas que parecem simples tornam-se grandes desafios quando não se tem massa muscular suficiente.

A melhor opção de dieta prescrita por profissionais sérios é aquela em que “descascar” predomina sobre “desembalar”. Mesmo sendo individualizado, de acordo com o peso, gasto calórico diário e comorbidades da mulher, o cardápio ideal deve respeitar os preceitos do Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde. O guia recomenda a ingestão predominante de alimentos in natura e minimamente processados, respeitando também o tempo, o custo e as habilidades culinárias de cada pessoa.

Com a quebra das patentes das canetas emagrecedoras e a apresentação dessas substâncias em forma de comprimidos, o tratamento da obesidade tende a ficar cada vez mais acessível a todas as classes sociais. Já existem cidades brasileiras em que o SUS disponibilizará essas medicações para casos selecionados.

O enfrentamento da epidemia de obesidade agora conta com  uma arma potente e certeira, a caneta emagrecedora. No entanto, é necessário que haja uma conscientização do mundo ocidental em relação ao estilo de vida moderno, para que ocorra uma redução do número de casos e essa batalha seja vencida não apenas individualmente, mas também no âmbito da saúde pública. Afinal, a obesidade  traz não só baixa autoestima, mas também elevado custo social e econômico decorrente do tratamento de suas complicações físicas e psíquicas.

 

 

A nova NR-1 não fala apenas de leis. Ela fala sobre sofrimento humano.

Por: Dra Kátia Pegos – Psiquiatra e especialista em saúde mental da Tría de Rosa

Durante muitos anos, o sofrimento emocional no ambiente de trabalho foi tratado como fraqueza individual, falta de preparo emocional ou incapacidade de lidar com pressão.

Enquanto isso, empresas continuavam funcionando com equipes exaustas, líderes adoecidos, ambientes silenciosamente tóxicos e uma produtividade sustentada à custa da saúde humana.

Agora, algo começa a mudar.

A atualização da NR-1, que entra em vigor a partir de 26 de maio, traz uma exigência importante: a necessidade de identificação, avaliação e gerenciamento dos riscos psicossociais dentro das organizações.

E talvez este seja o ponto mais importante de todos:
Pela primeira vez, o sofrimento emocional no trabalho deixa oficialmente de ser invisível.

Ansiedade crônica, burnout, conflitos constantes, sobrecarga emocional, assédio, insegurança psicológica e relações adoecidas passam a fazer parte da responsabilidade preventiva das empresas.

Mas existe um risco.

Muitas organizações ainda enxergam a nova NR-1 apenas como mais uma obrigação burocrática.
Mais um documento.
Mais uma adequação.
Mais uma exigência legal.

Esse é um erro estratégico.

Porque empresas não adoecem apenas financeiramente.
Elas adoecem humanamente.

E empresas emocionalmente adoecidas produzem:

  • aumento do absenteísmo
  • presenteísmo
  • queda de produtividade
  • alta rotatividade
  • conflitos internos
  • aumento de acidentes
  • afastamentos previdenciários
  • perda de criatividade
  • lideranças emocionalmente esgotadas

O custo disso é gigantesco.
Não apenas em números.
Mas em relações, cultura organizacional e sustentabilidade humana.

A verdade é que nenhum colaborador permanece saudável por muito tempo em ambientes que funcionam sob medo constante, pressão desproporcional, falta de reconhecimento, ausência de pertencimento e sobrecarga contínua.

O corpo responde.
A mente responde.
Os vínculos respondem.

E hoje já sabemos, inclusive pela Neurociência e pela Medicina do Estilo de Vida, que saúde mental não depende apenas do indivíduo.
Ela também é profundamente influenciada pelo ambiente onde essa pessoa vive, trabalha e se relaciona.

Por isso, a nova NR-1 talvez represente algo muito maior do que uma mudança jurídica.

Ela sinaliza uma mudança cultural.

As empresas que compreenderem isso cedo terão vantagem competitiva real nos próximos anos.
Porque ambientes emocionalmente saudáveis não produzem apenas bem-estar.
Produzem equipes mais engajadas, relações mais sustentáveis, menor adoecimento e maior capacidade de inovação.

Não se trata de fragilizar o trabalho.
Nem de eliminar desafios.
Trata-se de construir ambientes onde seja possível crescer sem adoecer.

Talvez essa seja uma das discussões mais importantes do nosso tempo:
como continuar produzindo sem destruir as pessoas no processo?

A resposta para isso não virá apenas das leis.
Mas a nova NR-1 pode ser o começo de uma conversa que já estava atrasada há muito tempo.

O que você precisa saber sobre: Miomas

Por: Dra Nárcia Vilaça da tria de rosa — Ginecologista e Obstreta

Com certeza, você já ouviu falar em miomas uterinos.
Se você está na fase reprodutiva, especialmente entre os 30 e 50 anos, é importante entender o que são, como se manifestam e quando exigem atenção. Como ginecologista, vejo muitas pacientes chegarem ao consultório assustadas com esse diagnóstico. Mas a boa notícia é: nem todo mioma é motivo de preocupação.


Miomas são tumores benignos do útero, formados por tecido muscular. Eles podem variar bastante de tamanho desde pequenos nódulos, imperceptíveis ao toque, até massas maiores, do tamanho de um mamão, que aumentam o volume abdominal.

O mais importante é saber que eles não são câncer e, na imensa maioria das vezes, não se transformam em algo maligno. Cerca de 20 a 80% das mulheres terão algum mioma ao longo da vida, mas muitas mulheres nem sabem que têm miomas. Eles são visualizados em ultrassonografia e a maioria não apresentam sintomas.


Quando os sintomas aparecem, os mais comuns são sangramentos menstruais intensos e prolongados, cólicas mais fortes, sensação de pressão na pelve, aumento do volume abdominal e até dificuldade para engravidar, dependendo da localização do mioma.

Os miomas que crescem mais próximos à camada interna do útero (o endométrio) tendem a provocar mais sintomas. Alguns sintomas merecem atenção, pois podem impactar diretamente na qualidade de vida e na saúde da mulher.


O tratamento vai depender de vários fatores: tamanho, número, localização dos miomas, sintomas e desejo ou não de engravidar. Em muitos casos, o acompanhamento clínico com exames regulares é suficiente. Mas quando os sintomas são incômodos ou há impacto na fertilidade, temos opções que vão desde medicamentos até cirurgias minimamente invasivas.

O mais importante é que cada mulher receba uma abordagem personalizada, com base em sua história e nas suas necessidades.


Se você recebeu esse diagnóstico, não se apavore. Busque informações seguras, converse com seu ginecologista de confiança.


Lembre-se: conhecimento é o primeiro passo para o cuidado com o seu corpo.

Uma conexão singular: Maternidade, herança genética e o fio invisível que une gerações

Por: Dra Kátia Pegos – Psiquiatra e especialista em saúde mental da Tría de Rosa

O espelho, por vezes, é um portal para o passado. Com uma frequência cada vez maior, vejo-me repetindo frases, entonações ou gestos que, por um breve segundo, me fazem parar e reconhecer uma presença familiar. São as mãos que se cruzam de um jeito específico, o modo de inclinar a cabeça ao ouvir uma confidência ou aquela expressão de surpresa que eu acreditava ser exclusivamente minha. “Você está ficando igualzinha à sua mãe”, dizem-me os amigos e familiares. No início, a frase soava como uma observação casual, mas hoje, próximo a completar cinco anos de sua partida, ela ressoa como um abraço reconfortante que atravessa o tempo.


Suponho que a saudade tenha o poder de ativar a parte dela que vive em mim. Não se trata apenas de uma herança comportamental ou de uma homenagem consciente à sua memória. Há algo mais profundo, algo que reside no silêncio das minhas células e na estrutura do meu código genético. A ausência física de uma mãe é um vazio que nunca se preenche totalmente, mas a descoberta de que nunca estivemos, de fato, separadas, traz uma nova dimensão ao luto e à celebração da vida. Somos, em essência, um mosaico vivo de quem veio antes de nós.

1 – A Ciência da Conexão: O Quimerismo e a Matryoshka Biológica:
Durante muito tempo, a poesia e a biologia pareceram caminhar em trilhas opostas. No entanto, a ciência moderna tem revelado que a conexão entre mãe e filho é muito mais literal do que poderíamos imaginar. Descobri, fascinada, que cada um de nós é uma quimera. Na mitologia, a quimera era um ser composto por partes de diferentes animais; na genética, o termo descreve um organismo que contém células com genótipos distintos.


Minha filha, que é médica geneticista, foi quem “bateu o martelo” e confirmou essa realidade que me emociona: durante a gestação, ocorre uma troca bidirecional de células através da placenta. Células da mãe migram para o feto e células do feto migram para a mãe. O que é verdadeiramente extraordinário é que essas células maternas podem persistir no corpo do filho por décadas, integrando-se a órgãos como o coração, o fígado e até o cérebro. Esse fenômeno, conhecido como microquimerismo materno, significa que, em um nível celular muito real, minha mãe ainda habita o meu corpo. Ela não está apenas na minha memória; ela está no meu pulsar.


“Nós nunca estamos verdadeiramente sós. Carregamos em nossa biologia o testemunho vivo de nossa linhagem, um arquivo celular que ignora a barreira da morte.”


Além do microquimerismo, há uma imagem biológica que considero uma das mais poderosas representações da continuidade feminina. Imagine que, quando minha avó estava grávida de cinco meses do feto que um dia seria minha mãe, o óvulo que um dia se transformaria em mim já se encontrava no ovário desse feto. Isso significa que, por um período de tempo, nós três: avó, mãe e eu, ocupamos simultaneamente o mesmo ambiente biológico. Estávamos contidas umas nas outras, como bonecas russas (matryoshkas), compartilhando nutrientes, hormônios e experiências sensoriais primordiais. Essa tríade biológica estabelece um vínculo que precede o pensamento, a linguagem e até o nascimento.

2- Memória Emocional: O Chamado do Vínculo Primário
Recentemente, essa mesma filha geneticista me enviou um post de uma rede social que me fez refletir por dias. Nele, um médico de Centro de Terapia Intensiva (CTI) relatava uma observação comum em seus anos de prática: poucas horas antes de falecer, independentemente da idade ou da trajetória de vida, muitos pacientes pronunciam uma única palavra: “Mãe”.


A explicação científica sugerida é que, em situações de estresse emocional intenso ou diante da proximidade da morte, a amígdala a região cerebral ligada à memória emocional, ao medo e à insegurança seria intensamente ativada. Nesse momento crítico, o cérebro faria uma espécie de “varredura” em busca de memórias significativas e vínculos que representem segurança absoluta. E, para a maioria de nós, esse porto seguro é a figura materna.


É claro que, em uma família onde a ciência é o prato principal das reuniões, as perspectivas divergem. Minha outra filha, neurologista, logo ponderou com seu rigor acadêmico habitual. Ela questionou a falta de evidências sólidas de que a amígdala estivesse exatamente 11 vezes mais ativa, ou a ausência de um estudo clínico controlado que comprovasse que 100% dos pacientes chamam pela mãe. Para ela, a mente científica exige dados replicáveis e referências bibliográficas reconhecidas.


Contudo, para além do rigor estatístico, o que mais fez sentido para mim foi a verdade psicológica poderosa por trás desse relato. No limite da existência, o ser humano não busca o sucesso acumulado, os títulos conquistados ou a performance alcançada. Buscamos o vínculo. Buscamos a segurança primária que nos foi dada antes mesmo de sabermos quem éramos. A mãe, nesse contexto, deixa de ser apenas uma pessoa e passa a ser um símbolo de pertencimento e proteção incondicional. É o retorno ao início para conseguir enfrentar o fim.

3- A Jornada da Maternidade: Desafios e Espelhamentos
Tornar-me mãe foi, sem dúvida, a experiência mais grandiosa e, simultaneamente, a mais desafiadora da minha vida. Rapidamente entendi que, por mais livros que leiamos ou conselhos que ouçamos, nunca estamos totalmente preparadas. Cada filho traz consigo um universo de demandas, temperamentos e peculiaridades que tornam a jornada absolutamente imprevisível. Não existe um manual, pois o “objeto” de estudo é uma alma em constante evolução.


Hoje, olhando para minhas filhas, a geneticista e a neurologista, sinto um orgulho que transborda a biologia. Elas são mulheres fortes, inteligentes e questionadoras. Acredito piamente que cada filho e cada mãe estão no devido lugar para a jornada que se propuseram a percorrer juntos. Elas me ensinam diariamente sobre o mundo e sobre mim mesma, desafiando minhas certezas e expandindo meus horizontes. Sou imensamente grata pelas parceiras maravilhosas com quem fui agraciada nesta vida.


A maternidade é um exercício de humildade. É reconhecer que somos apenas um elo em uma corrente infinita. Lembro-me com carinho de uma frase da minha caçula, quando ela tinha cerca de cinco anos. Com a sabedoria que só as crianças possuem, ela me disse: “Mamãe, se você for um dez( traduzindo: um décimo) para os meus filhos do que a vovó é para mim, já vai ser ótimo”. Naquele momento, entendi que o padrão de excelência não era a perfeição, mas o amor e a presença que minha mãe havia plantado nela.

4- O Ciclo Contínuo: Esperança e Renovação:
A vida não para, e o fluxo das gerações segue seu curso natural. Hoje, aguardo com uma ansiedade doce a chegada dos netos. Será nesse momento que poderei, finalmente, me testar na conclusão da minha caçula. Serei a avó que minha mãe foi? Terei a mesma paciência, o mesmo olhar acolhedor, a mesma capacidade de transformar um dia comum em uma memória eterna?


A conexão singular que compartilhamos com nossas mães e filhas é o que nos mantém ancoradas em um mundo cada vez mais volátil. É uma herança que não se perde com o tempo, pois está escrita no DNA e gravada na alma. A cada gesto que repito dela, a cada célula que carrego, sinto que minha mãe continua aqui, guiando-me silenciosamente enquanto eu guio as minhas próprias filhas.


Neste Dia das Mães, convido você a olhar para o espelho e para dentro de si. Reconheça as marcas, os trejeitos e as células que não são apenas suas. Celebre a quimera que você é. Honre as que vieram antes e prepare o caminho para as que virão. Pois, no fim das contas, o que realmente importa é o vínculo que nos une e a segurança de saber que nunca estamos sozinhas.


Feliz Dia das Mães!

Quando o intestino fala: compreendendo a síndrome do intestino irritável

Por: Dra Zila Abdala – clínica geral, gastroenterologista e especialista em estilo de vida da Tria de Rosa

Durante décadas, o desconforto era reduzido ao que mães e avós chamavam de “colite nervosa”. Hoje, o nome é outro e muito mais conhecido, sobretudo entre mulheres jovens: Síndrome do Intestino Irritável.

Considerada a desordem funcional digestiva mais comum do mundo, a condição afeta desproporcionalmente as mulheres: a cada três pessoas diagnosticadas, duas são do sexo feminino. E, embora muitas vezes invisível aos olhos, seu impacto é profundo. Quando não identificada e tratada adequadamente, a síndrome compromete a qualidade de vida, produz insegurança e transforma gestos cotidianos como comer, sair de casa, trabalhar ou simplesmente relaxar em fontes de ansiedade.

Parte do sofrimento reside justamente na imprevisibilidade. Os sintomas surgem sem aviso, e a mente busca respostas: foi o almoço apressado, o jantar fora, o alimento aparentemente inofensivo… ou algo mais? Entre hipóteses e frustrações, muitas pacientes atravessam um percurso silencioso até que o diagnóstico finalmente ofereça nome ao desconforto.

A Síndrome do Intestino Irritável é definida por um conjunto de sintomas, tendo como principal marcador a dor abdominal recorrente, geralmente presente ao menos uma vez por semana nos últimos três meses. Essa dor costuma vir acompanhada de alterações do hábito intestinal, seja na frequência, consistência ou ritmo das evacuações. Inchaço abdominal, gases, urgência evacuatória e sensação de esvaziamento incompleto também figuram entre as queixas mais comuns.

Há três apresentações principais: a forma predominante com diarreia, a associada à constipação e o tipo misto, em que ambos os padrões se alternam.

As causas são multifatoriais e envolvem desde alterações no eixo intestino-cérebro até desequilíbrios da microbiota e fatores psicossociais. Mais do que uma investigação excessiva, o diagnóstico exige escuta clínica qualificada. Em muitos casos, poucos exames são necessários e devem ser individualizados. Algumas condições, como doença celíaca e intolerâncias alimentares, precisam ser descartadas. Já a colonoscopia costuma ser reservada para situações específicas ou sinais de alerta.

O tratamento, por sua vez, é sempre personalizado. Considera o subtipo da síndrome, a intensidade dos sintomas e o impacto na vida da paciente. Como se trata de uma condição crônica, a relação de confiança entre médico e paciente torna-se parte essencial do cuidado.

Rever hábitos alimentares é igualmente central, assim como estratégias terapêuticas direcionadas. Em quadros mais complexos, recursos como terapia cognitivo-comportamental, hipnoterapia, acupuntura e, em alguns casos, antidepressivos podem integrar o manejo clínico.

Curiosamente, a cultura pop já traduziu essa experiência com leveza. No filme Along Came Polly (Quero Ficar com Polly), com Jennifer Aniston e Ben Stiller, o personagem de Stiller convive com os sintomas da síndrome e encontra algum alívio quando aprende a viver com menos controle e mais flexibilidade.

Foto reprodução

Talvez haja, aí, uma metáfora. Porque tratar a Síndrome do Intestino Irritável não é apenas silenciar sintomas, é escutar o que o corpo insiste em comunicar. O intestino, muitas vezes, reflete emoções, ritmos e excessos que pedem revisão. Cuidar dele pode ser, em última instância, um exercício de autoconhecimento e uma forma mais gentil de habitar a própria vida.