O essencial bem editado: A estética do Aussie Makeup
Por Isabela Ferreira •
março 31, 2026
Durante muito tempo, a beleza foi construída sobre camadas de produto, de técnica, de expectativa. Mas, como tudo que é levado ao excesso, ela começou a pedir respiro.
É nesse intervalo que o Aussie makeup se estabelece.
Mais do que uma tendência, ele surge como uma curadoria. Uma edição cuidadosa do que realmente importa: pele que respira, luz natural, texturas leves e uma estética que não tenta esconder, apenas revelar. Inspirado pelo estilo de vida australiano, onde o sol, o mar e a espontaneidade fazem parte do cotidiano, esse movimento propõe uma beleza que parece acontecer sem esforço… mas que, na verdade, é profundamente intencional.
Aqui, não se trata de fazer menos , mas de escolher melhor.
O Aussie makeup não elimina etapas, ele redefine prioridades. Troca a perfeição construída por uma luminosidade real, substitui o excesso por precisão e transforma o natural em algo aspiracional.
E, para traduzir essa estética na prática, uma curadoria também se faz necessária. Pensando nisso, separamos alguns produtos-chave que a maquiadora Jenna Bellhouse referência nesse estilo de maquiagem indica para ajudar a reproduzir essa técnica. Produtos que não pesam, não escondem, mas realçam, iluminam e acompanham a pele em vez de transformá-la.
O colapso da clean girl: E o nascimento do caos sofisticado
Por Isabela Ferreira •
março 31, 2026
Durante anos, o luxo flertou com a ideia de perfeição. Peles impecáveis, rotinas milimetricamente coreografadas, cafés da manhã que pareciam editoriais e uma estética que transformava o cotidiano em performance. Era a era da clean girl silenciosa, polida, quase intocável.
Foto reprodução Pinterest
Mas, como toda tendência levada ao extremo, ela começou a cansar.
Em um movimento que parece mais instintivo do que planejado, surge uma nova narrativa, menos rígida, mais humana. E é nesse ponto que Maria Braz sintetiza o momento com precisão: trata-se de uma transição da clean girl para a messy girl.
Não como desleixo, mas como linguagem.
A messy girl não abandona o cuidado, ela abandona a obrigação de parecer perfeita o tempo todo. O cabelo não precisa estar impecável, a rotina não precisa ser produtiva em cada minuto, e o lifestyle deixa de ser um roteiro para se tornar algo mais próximo da vida real.
Existe, aqui, quase uma rebeldia silenciosa.
Foto reprodução Pinterest
Depois de anos assistindo e performando versões idealizadas de si mesmas, uma geração começa a questionar o custo dessa estética. O cansaço não é apenas visual, é emocional. Sustentar uma imagem constante de equilíbrio, disciplina e leveza se tornou, paradoxalmente, exaustivo.
E talvez o verdadeiro luxo agora esteja exatamente no oposto.
Permitir-se falhar. Repetir roupa. Cancelar planos. Não transformar cada momento em conteúdo. Existe algo profundamente sofisticado em não precisar provar nada.
Curiosamente, essa transição não representa uma ruptura total, mas uma evolução. Se a clean girl falava sobre controle, a messy girl fala sobre liberdade. Se antes o desejo era parecer perfeita, agora ele se desloca para parecer verdadeira.
E, como em toda mudança de comportamento, a estética acompanha. O cabelo levemente desalinhado, a maquiagem menos construída, o look que mistura intenção com acaso, tudo começa a apontar para um novo código visual que valoriza o espontâneo.
Quase como se o erro tivesse, finalmente, ganhado status.
No fundo, o que Maria Braz observa não é apenas uma tendência, mas um sintoma de tempo: pessoas cansadas de performar uma vida que não existe e prontas para construir uma que, mesmo imperfeita, seja delas.
Porque, no fim, entre o feed perfeitamente alinhado e a vida que escapa pelas bordas, talvez o verdadeiro luxo esteja justamente ali no que não foi editado.
Herō: a beleza em estado puro
Por Isabela Ferreira •
março 31, 2026
Foto reprodução instagram @heroskinbeauty
Existe algo de profundamente encantador em descobrir uma marca. Mas, quando ela nasce em solo brasileiro, o encanto ganha uma camada quase íntima. Talvez seja o orgulho silencioso de ver a nossa estética ganhar forma. Ou aquela sensação sutil de reconhecimento, como se cada criação carregasse um sotaque familiar.
Sempre fui dessas que observam de perto quem constrói beleza com as próprias mãos. Maquiadores, para mim, nunca foram apenas profissionais, são narradores visuais, tradutores de identidade. E, no meio desse fascínio antigo, existe um nome que há tempos ocupa um lugar especial no meu repertório pessoal de admiração: Helder Rodrigues.
Foto reprodução Instagram @herorodrigues
Porque algumas descobertas não são apenas sobre marcas. São sobre pessoas que, com sensibilidade e assinatura própria, transformam o ordinário em algo memorável. E talvez seja exatamente aí, nesse lugar quase invisível que o verdadeiro luxo comece.
Ao longo dos anos, Helder não apenas construiu uma carreira, ele desenhou uma estética. Sua assinatura percorreu editoriais de beleza nas revistas mais relevantes do país, onde cada rosto deixa de ser apenas imagem para se tornar narrativa. Nos bastidores dos desfiles entre luzes apressadas e olhares atentos, é ele quem dita o ritmo silencioso da beleza que atravessa as passarelas.
Foto reprodução Instagram @herorodrigues
Há algo de muito particular em seu trabalho: não se trata apenas de maquiar, mas de revelar. De entender o que cada imagem pede antes mesmo de ela existir por completo. Talvez por isso, seu nome tenha se tornado presença constante onde a beleza precisa ir além do óbvio, seja nas páginas impressas, seja naquele instante efêmero, porém inesquecível, de um desfile.
E então, como toda boa história que evolui com intenção, Helder transformou sua linguagem em algo tangível. Criou a Herō e, com ela, uma nova forma de pensar beleza.
Em 2025, a marca celebrou quatro anos e inaugurou sua primeira loja física em Pinheiros, em São Paulo. A loja Herō vai além do conceito tradicional de varejo: é um espaço que convida ao ritual. Inspirado na intimidade de um banheiro, esse cenário quase confidencial onde a beleza acontece de forma mais honesta, o ambiente reproduz a sensação de estar diante da própria bancada, transformando o autocuidado em experiência sensorial.
Herô, em São Paulo Mucio Ricardo
Ali, os produtos revelam a essência da marca: multifuncionais, intuitivos e descomplicados. Mas, no meio de tudo isso entre experiência, espaço e narrativa, é na maquiagem que a Herō parece sussurrar seu verdadeiro manifesto.
A Herō Beauté nasce como uma marca vegana, natural e multifuncional, traduzindo anos de backstage em poucos, porém precisos, produtos. O lançamento inicial, com dois balms multifuncionais, diz muito sem precisar dizer demais. Porque, talvez, depois de tanto excesso, o luxo contemporâneo esteja justamente na edição no que fica, não no que sobra.
Foto reprodução instagram @heroskinbeauty
Para quem vive os bastidores da moda, o nome de Helder Rodrigues já é sinônimo de repertório. Há mais de uma década, ele assina a beleza de desfiles e campanhas para marcas como Ellus, Ara Vartanian, Rócio Canvas e Normando, além de editoriais para títulos como Marie Claire, Bazaar e FFW.
Mas aqui, há uma mudança sutil quase imperceptível, mas definitiva.
Se antes Helder interpretava a beleza de outros, agora ele propõe a sua própria.
E, no fim, não pude deixar de me perguntar, como toda boa história de beleza pede: será que, em um mundo onde tudo tenta nos transformar, o verdadeiro luxo não esteja justamente nos produtos que nos permitem continuar sendo quem somos?
Se for, a Herō Beauté não é apenas uma marca de maquiagem. É uma forma de voltar para si.