Por: Dra Zila Abdala – clínica geral, gastroenterologista e especialista em estilo de vida da Tria de Rosa
Hoje, é cada vez mais comum acompanharmos nossas taxas de colesterol, glicose, vitaminas e hormônios. Também prestamos atenção à massa muscular, ao percentual de gordura corporal e à quantidade de proteínas e calorias que consumimos diariamente. Cuidar da alimentação, praticar exercícios e buscar o equilíbrio físico e emocional são atitudes importantes para uma vida saudável.
Mas será que estamos dando a mesma atenção à prevenção das doenças infecciosas?
Entre os riscos que fazem parte do nosso cotidiano, existe um pequeno inimigo, com cerca de 3 a 10 milímetros, que pode provocar uma doença grave e até levar à morte: o mosquito Aedes aegypti. Presente em áreas urbanas e periurbanas de grande parte do Brasil, ele encontra nos ambientes domésticos condições favoráveis à reprodução, principalmente quando há recipientes com água parada.
Conhecido por transmitir a dengue, o mosquito também pode disseminar chikungunya, zika e febre amarela urbana.
Um pequeno mosquito, grandes consequências
O Aedes aegypti é menor do que muitos mosquitos comuns e apresenta listras brancas no corpo e nas pernas. Costuma permanecer próximo aos locais onde encontra abrigo e condições para se reproduzir. A fêmea é a responsável pelas picadas, pois necessita do sangue para o desenvolvimento dos ovos. Sua atividade ocorre principalmente durante o dia, com maior frequência no início da manhã e no fim da tarde.
O calor e as chuvas favorecem sua proliferação, mas o risco não se limita ao verão. Recipientes com água acumulada podem se transformar em criadouros durante todo o ano.

Dengue: reconheça os sinais de alerta
A dengue é uma das principais doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. O vírus apresenta quatro sorotipos conhecidos, e uma pessoa pode ser infectada mais de uma vez. Uma infecção anterior não garante proteção contra os demais sorotipos e, em determinadas circunstâncias, uma nova infecção pode aumentar o risco de formas graves.
Os sintomas mais comuns incluem febre de início súbito, dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, dor atrás dos olhos, prostração e manchas na pele.
Alguns sinais exigem atenção imediata: dor abdominal intensa e persistente, vômitos frequentes, tontura ou desmaio, sangramentos, sonolência excessiva e dificuldade para respirar. Eles podem indicar agravamento da doença, inclusive quando a febre começa a diminuir.
Diante da suspeita de dengue, procure um serviço de saúde e evite a automedicação. Medicamentos como ácido acetilsalicílico (AAS) e anti-inflamatórios podem aumentar o risco de sangramento e não devem ser utilizados por conta própria nessa situação.
A doença pode comprometer significativamente a rotina, provocando afastamento do trabalho, dos exercícios físicos, dos compromissos sociais e das atividades de lazer. A recuperação varia de pessoa para pessoa, e o cansaço pode persistir mesmo após a melhora dos sintomas.
Prevenir é uma responsabilidade compartilhada
O combate à dengue depende da participação da população e do poder público. As medidas de prevenção precisam ser contínuas, e não adotadas apenas durante as epidemias.
Em casa, é fundamental eliminar recipientes que acumulem água, manter caixas-d’água e reservatórios bem vedados, limpar calhas e ralos e cuidar das piscinas. Até mesmo um pequeno prato de planta pode se tornar um criadouro.
Telas nas janelas e repelentes adequados também podem ajudar a reduzir o contato com o mosquito. O uso do repelente deve seguir as orientações do fabricante, e sua aplicação precisa ser compatível com outros produtos utilizados na pele.
Essas atitudes são simples, mas fazem diferença quando incorporadas à rotina de toda a família.
Vacinação: uma aliada do autocuidado
Além das medidas ambientais, a vacinação representa uma importante estratégia de prevenção da dengue. A vacina disponível no Brasil, foi desenvolvida para proteger contra os quatro sorotipos do vírus. Como ocorre com outros imunizantes, a proteção não é absoluta, e a vacinação não substitui o combate ao mosquito.
Desde 2024, a vacina foi incorporada ao Programa Nacional de Imunizações, inicialmente para adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária priorizada na estratégia de vacinação pública
Na rede privada, a vacina tem indicação aprovada no Brasil para pessoas de 4 a 60 anos, conforme a bula. O esquema recomendado é de duas doses, com intervalo de três meses entre elas. A indicação individual deve considerar a idade, as condições clínicas e as contraindicações..
Para as mulheres que investem no próprio bem-estar, vale incluir a prevenção da dengue na conversa sobre saúde. Assim como acompanhamos exames, alimentação, sono, atividade física e saúde emocional, precisamos olhar também para as medidas que reduzem o risco de doenças evitáveis.
Autocuidado não é apenas cuidar da aparência, controlar o peso ou buscar longevidade. É fazer escolhas conscientes para preservar a saúde, a autonomia e a qualidade de vida.
Cuidar de si também é prevenir. E manter a vacinação em dia, quando indicada, faz parte desse compromisso com a própria saúde e com a saúde de quem amamos.