Existe uma coisa curiosa acontecendo ultimamente. Talvez você também tenha reparado.
Primeiro vieram as bolsas, depois as marcas de beleza, as roupas, os cafés para fotografar o look… e agora, aparentemente, a mesa também entrou para a lista.
Cada vez mais, influenciadores estão transformando sua relação com a comida em negócios: abrindo restaurantes, investindo em cafés, criando marcas de doces, produtos prontos e até construindo empresas inteiras em torno daquilo que, um dia, simplesmente aparecia no almoço de domingo ou nos stories.
E eu comecei a me perguntar: quando foi que compartilhar o que gostamos de comer deixou de ser apenas parte do lifestyle e passou a ser também uma oportunidade de negócio?
Talvez a resposta esteja justamente onde tudo começou: no desejo de transformar aquilo que amamos em algo que também possa ser nosso.
Talvez um dos exemplos mais curiosos dessa nova relação entre influência, desejo e comida seja a Wrappd by Sofy, criada por Sofia Bresser.

A ideia começou quase como começam muitas das coisas que acabam virando negócio: com uma vontade pessoal. Sofia queria encontrar uma alimentação saudável, prática e, principalmente, que não parecesse uma punição. A experiência com o Tuna Special ajudou a testar essa ideia e mostrou que ela talvez não fosse só dela.
Então veio a Wrappd.
Sofia colocou seu repertório visual e gastronômico no projeto e acompanhou de perto tudo: do branding aos vídeos, da imagem à estratégia. Ao lado de Amanda Teles, do Empório Frutaria, transformou a ideia em uma operação de verdade, o que, descobriu rapidamente, era bem diferente de montar algo bonito para o Instagram.
E então aconteceu aquilo que nenhum lançamento gostaria de admitir que deseja: o caos.
Poucos minutos depois de entrar no iFood, a Wrappd recebeu tantos pedidos que o aplicativo caiu. No dia seguinte, aconteceu novamente. Cerca de 50 pedidos a cada três minutos deram à recém-nascida marca um problema que, convenhamos, muitas empresas gostariam de ter: gente demais querendo provar.
Mas talvez o mais interessante não tenha sido o iFood cair. Foi entender por que tanta gente queria entrar.
A Wrappd não vende apenas wraps. Vende a ideia de que comer saudável pode ser bonito, prático e desejável. Uma combinação que Sofia encontrou no encontro entre gastronomia, branding e comunidade digital.
Inspirada em referências como Joe & The Juice, mas com uma preocupação maior com o conteúdo nutricional, a marca tenta transformar aquilo que muitas vezes parece obrigação em escolha. E talvez seja justamente aí que esteja a nova fórmula: não basta alimentar. É preciso criar uma experiência em torno daquilo que comemos.
No fim, Sofia parece ter entendido uma coisa que os influenciadores aprenderam muito bem: quando você transforma o seu gosto pessoal em universo, pode existir alguém do outro lado disposto a querer fazer parte dele.
Ou, neste caso, a pedir um wrap.
E se a Wrappd mostrou que o desejo pode fazer um aplicativo cair, Marcella Tranchesi parece ter encontrado uma outra forma de medir essa mesma vontade: aquela que aparece no meio da tarde, entre uma reunião e outra, quando tudo o que queremos é uma fatia de bolo.
Foi assim que nasceu a Doce Aquarella. Depois de mais de uma década como influenciadora de moda e beleza, Marcella transformou uma paixão antiga pela confeitaria em um negócio que parte de uma ideia bastante simples: e se, em vez de esperar pelo aniversário ou encomendar um bolo inteiro, pudéssemos simplesmente pedir uma fatia quando a vontade aparecesse?

A resposta veio rápido. Nos primeiros dias, a marca chegou a registrar 178 pedidos em apenas três minutos. Desde então, já foram vendidas mais de 120 mil fatias.
E talvez exista algo muito contemporâneo nessa história. Marcella não criou apenas uma confeitaria; criou uma solução para aquele pequeno desejo que aparece no meio da rotina e fez dele um negócio de entrega rápida. Hoje, a Doce Aquarella conta com uma cozinha central e distribuição pela Rappi Turbo, chegando a dezenas de bairros em poucos minutos.
Porque, no fim, talvez a nova gastronomia das influenciadoras tenha menos a ver com ensinar o que comer e mais com entender o que estamos desejando comer e quão rápido queremos que chegue até nós.
E, aparentemente, às vezes o algoritmo sabe exatamente quando é hora de um bolo.
Depois do bolo que chega quando a vontade aparece, surge uma outra maneira de levar o lifestyle para a mesa: transformar a própria relação com a comida em marca.
É o caminho escolhido por Elisa Zarzur, que acaba de apresentar a Ezy, um projeto que ainda não chegou às prateleiras, mas já começa a construir sua comunidade nas redes.
Para Elisa, a alimentação sempre esteve ligada à forma como se sente e se cuida. A proposta da Ezy nasce justamente dessa visão: refeições fáceis, nutritivas e pensadas para fazer parte da rotina, sem transformar comer bem em uma lista de regras.

“Ezy é mais do que uma refeição. É o jeito fácil de comer bem todos os dias”, define a marca.
E talvez seja esse o ponto em comum entre todas essas histórias. Sofia transformou a busca por uma alimentação saudável em uma marca cool. Marcella transformou a vontade de comer bolo em uma operação que entrega em minutos. Elisa agora transforma uma filosofia pessoal de cuidado em uma nova proposta de alimentação.
Três mulheres, três negócios e uma mesma percepção: o que antes era compartilhado como parte da rotina agora pode virar produto, marca e, por que não, uma empresa.
No fim, talvez a pergunta nunca tenha sido apenas o que essas influenciadoras estão comendo.
Talvez seja o que acontece quando aquilo que você posta, aquilo que você gosta e aquilo que você acredita começam a ocupar o mesmo lugar à mesa.
E se antigamente queríamos saber onde elas compravam a roupa, o que usavam no rosto ou para onde viajavam, talvez a pergunta da vez seja bem mais simples:
“O que irei comer?”