De alimento ancestral a queridinho da alimentação saudável: saiba como escolher o iogurte certo e não cair nas armadilhas das embalagens
Por: Dra Zila Abdala – clínica geral, gastroenterologista e especialista em estilo de vida da Tria de Rosa
Engana-se quem pensa que o iogurte é um alimento do homem moderno. Entre 4000 e 7000 a.C., na Mesopotâmia, os homens já consumiam algo semelhante. O leite era armazenado em bolsas de couro ou potes de barro e, com o calor, acabava fermentando, o que permitia que fosse consumido por mais tempo.
Originalmente, o iogurte era produzido com leite de cabra, búfala ou ovelha. Médicos da Antiguidade, como Galeno, já o recomendavam para “purificar o sangue” e auxiliar no tratamento de problemas do estômago.
No início do século XX, foi identificada a bactéria responsável pela fermentação do leite. Em 1907, o biólogo russo Ilya Mechnikov, do Instituto Pasteur, relacionou o alto consumo de iogurte pelos camponeses búlgaros à boa saúde e à longevidade daquela população.
Em 1919, o empresário Isaac Carasso começou a produzir iogurte em grande escala na Europa e batizou sua marca de Danone, em homenagem ao filho, Daniel. Mais tarde, a adição de geleia de frutas ajudou a popularizar ainda mais o produto.
Hoje, sabemos que o iogurte pode ser uma excelente fonte de proteínas, cálcio, zinco, fósforo e vitaminas A e do complexo B, além de conter microrganismos vivos, como os probióticos. Esses podem contribuir para o equilíbrio da microbiota intestinal, favorecendo a saúde digestiva e o sistema imunológico.
Seu consumo também pode contribuir para a saúde dos ossos e dentes, para a manutenção da massa muscular e para o controle da fome, por aumentar a sensação de saciedade.
Existem atualmente diversas opções no mercado: natural, integral ou desnatado, com ou sem lactose, grego, com pedaços de frutas e até produtos que parecem iogurte, mas pertencem a outra categoria: as chamadas bebidas lácteas.
É muito importante ler o rótulo antes de comprar. E aqui vale uma regra prática: quanto mais simples a lista de ingredientes, melhor.
Dê preferência aos iogurtes naturais, que tradicionalmente contêm apenas dois ingredientes: leite e fermento lácteo. Evite, sempre que possível, aqueles com excesso de açúcar adicionado e grande quantidade de aditivos, como espessantes, aromatizantes, essências e emulsificantes.
O iogurte natural é extremamente versátil e pode ser utilizado em sobremesas, bolos, molhos, frutas picadas ou batidas, além de combinações com mel, castanhas e cereais.
Também é possível prepará-lo em casa. Basta aquecer um litro de leite, esperar que fique morno e adicionar um pote de iogurte natural como fermento. A partir daí, é possível produzir novas porções, com baixo custo.

Natural ou grego: qual a diferença?
Essa é uma dúvida muito comum nos consultórios.
O iogurte grego tradicional é produzido a partir da filtragem do iogurte natural. Nesse processo, parte do soro é retirada, resultando em uma consistência mais firme e cremosa e, proporcionalmente, em maior concentração de proteínas. Dependendo do produto, porém, também pode haver maior concentração de gordura e calorias.
No Brasil, muitos produtos comercializados como “tipo grego” são produzidos de maneira diferente. Em vez da filtragem tradicional, podem receber ingredientes como amido e creme de leite para ganhar cremosidade. Muitos também contêm açúcar ou adoçantes.
E as bebidas lácteas?
As bebidas lácteas são outra categoria que pode confundir o consumidor. Geralmente, apresentam menor teor de proteínas do que o iogurte e podem conter mais açúcar, sódio, amido, gordura vegetal e outros aditivos, dependendo da formulação.
Por isso, não basta olhar a embalagem ou escolher pelo preço. É preciso ler a lista de ingredientes e a tabela nutricional.
Com tantas opções nas prateleiras, aprender a interpretar as letras miúdas das embalagens é fundamental para fazer escolhas mais conscientes.
Por fim, fica a dica mais valiosa: priorize o iogurte natural, combine-o com alimentos nutritivos e saborosos e aproveite a versatilidade desse alimento que atravessou milhares de anos e continua fazendo parte de uma alimentação equilibrada.