O amor, quando decide ficar.

Depois de alguns meses em que as palavras simplesmente decidiram me abandonar e eu não conseguia escrever uma linha sequer, parece que, finalmente, elas resolveram voltar.

Nas últimas semanas, tivemos lançamentos de livros, séries novas e histórias do meu gênero favorito: romance. E talvez isso explique o meu retorno.

Porque, como vocês já sabem, sou uma romântica incurável. Daquelas que ainda acreditam no amor, nos encontros improváveis, nas histórias que começam por acaso e, principalmente, no poder que uma boa história de amor tem de nos fazer acreditar que, apesar de tudo, talvez o final feliz ainda exista.

E, em meio a tudo isso, minhas redes sociais têm sido inundadas por casamentos e celebrações de amor. Mas houve uma que, particularmente, mexeu comigo: a união de Pietra e Igor.

Foto reprodução Instagram @pietravm_

Não é segredo para ninguém que sou fã declarada da Pietra. Em um mundo tão superficial, encontrar alguém autêntico é quase como encontrar ouro. Mas, em algum momento, percebi que não tinha me tornado apenas fã da Pietra. Tornei-me fã da família dela também.

Talvez porque algumas pessoas tenham esse raro poder de nos lembrar que ainda existem relações construídas sobre aquilo que realmente importa: afeto, respeito, cumplicidade e verdade. E então existe uma frase do casal que ficou na minha cabeça: “Te amo, te honro.”

Na primeira vez que a vi, pensei em como duas frases tão simples podem carregar tanta coisa. Amar é fácil de dizer. Mas honrar? Honrar é escolher o outro todos os dias. É estar presente quando a vida deixa de parecer um romance e começa a exigir parceria. É olhar para alguém e dizer: “Eu vejo quem você é e ainda assim, escolho você.” E talvez seja por isso que essa história tenha mexido tanto comigo.

Porque, no fim, nós, românticas incuráveis, passamos a vida procurando histórias de amor que nos façam acreditar novamente no amor.

E talvez eu tenha entendido, olhando para eles, por que algumas histórias me emocionam mais do que outras.

Pietra e Igor me lembram do amor mais palpável que eu conheço: o amor dos meus pais.

Não falo daquele amor cinematográfico, feito de grandes declarações, trilhas sonoras perfeitas e beijos sob a chuva. Falo de um amor muito mais difícil de encontrar: aquele que sobrevive ao cotidiano.

O amor que está no café feito para o outro sem precisar pedir. Na preocupação que parece pequena, mas diz “eu me importo”. Na paciência depois de um dia difícil. Na mão que procura a outra no meio de uma multidão. Nas pequenas concessões que ninguém vê. Nas discussões que terminam, não porque alguém venceu, mas porque os dois entenderam que a relação importa mais do que ter razão.

Foi olhando para os meus pais que aprendi, sem perceber, que talvez o amor verdadeiro não seja sobre sentir borboletas o tempo inteiro. É sobre construir uma casa emocional onde o outro possa voltar.

E acho que é justamente isso que vejo em Pietra e Igor.

Existe uma intimidade ali que não parece performática. Um amor que não parece existir para ser visto, mas que, justamente por existir, acaba sendo impossível de não enxergar.

E talvez seja isso que os destaque tanto na nossa geração.

Foto reprodução Instagram @pietravm_

Vivemos em uma época em que amar também virou uma espécie de vitrine. Fotografamos o jantar, registramos a viagem, anunciamos o pedido, compartilhamos o casamento e, de repente, existe uma linha muito tênue entre viver uma história e produzir uma história para que os outros acreditem que estamos vivendo.

Temos acesso a mais pessoas do que qualquer geração antes de nós, mas talvez nunca tenhamos sido tão assombrados pela ideia de que existe alguém melhor esperando na próxima tela.

O amor contemporâneo ganhou portas demais.

Quando fica difícil, podemos sair. Quando alguém nos frustra, podemos procurar outro. Quando a relação exige maturidade, podemos chamar de “falta de química”. Quando o outro deixa de corresponder à versão idealizada que criamos, talvez seja mais confortável substituí-lo do que conhecê-lo de verdade.

E é por isso que histórias como a deles me parecem quase revolucionárias.

Porque elas nos lembram que amar alguém não é encontrar uma pessoa perfeita. É encontrar alguém por quem vale a pena atravessar as imperfeições.

“Te amo, te honro.”

Talvez essa seja uma das frases mais bonitas para uma geração que aprendeu a confundir liberdade com ausência de compromisso.

Porque honrar alguém significa reconhecer que o outro é inteiro. Que tem defeitos, medos, sonhos, dias ruins, versões que ainda nem conhece de si mesmo. E, ainda assim, escolher construir.

Não porque não existam outras possibilidades. Mas porque, entre todas elas, existe uma pessoa que você decidiu chamar de casa.

E talvez seja isso que eu tenha aprendido observando meus pais e, agora, olhando para Pietra e Igor: o amor mais bonito não é necessariamente aquele que faz o coração disparar.

É aquele que, depois de tantos anos, ainda faz o coração descansar.

Talvez o verdadeiro luxo, hoje, seja esse.

Encontrar alguém diante de quem você não precise performar. Alguém que conheça suas versões mais bonitas e também aquelas que você preferia esconder. Alguém que tenha visto o cotidiano destruir um pouco do encanto e, ainda assim, tenha escolhido ficar para reconstruí-lo.

Porque o amor não é feito apenas dos dias em que nos sentimos apaixonados.

Ele é feito dos dias comuns.

Dos domingos sem maquiagem. Das contas para pagar. Das decisões difíceis. Das famílias que se misturam. Dos sonhos que precisam caber em dois. Das mudanças de planos. Dos silêncios. Das doenças. Das perdas. Das conquistas. Da velhice chegando devagar.

É ali que o “eu te amo” precisa aprender a virar verbo.

E talvez seja por isso que ainda acredito tanto em finais felizes.

Não porque acredito que depois do casamento a história termina.

Mas porque acredito que, para algumas pessoas, é ali que ela finalmente começa.

E, se existe alguma coisa que a história de Pietra e Igor me fez lembrar, é que talvez ainda haja algo de profundamente romântico em escolher a mesma pessoa em um mundo que nos ensina, todos os dias, a procurar outra.

No fim, talvez não estejamos procurando uma história de amor perfeita.

Talvez estejamos procurando uma que seja verdadeira o suficiente para nos fazer querer ficar.

E, sinceramente?

Depois de tudo o que já vi sobre o amor, acho que essa é a única espécie de final feliz em que ainda vale a pena acreditar.

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