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Entre rendas, memórias e desejo: uma curadoria que começa em mim

Foto: Cortesia de Dolce & Gabbana

Depois de um feriado que chegou quase como um suspiro no meio da semana, de um Rio Fashion Week pulsando referências, de uma viagem a Curitiba e de um Coachella absolutamente hipnotizante… eu me peguei diante de uma pergunta que, confesso, tinha algo de provocativa: como criar uma curadoria à altura de uma semana que já parecia ter dito tudo?

E então, quase como uma coluna que se escreve sozinha e sim, talvez com um certo espírito de Carrie Bradshaw pensei: e se, dessa vez, a curadoria fosse menos sobre o mundo… e mais sobre mim?

Sempre fui movida à música. Para mim, as melhores histórias nunca foram apenas assistidas, mas foram sentidas, cantadas, coreografadas na sala de casa. De Grease nos tempos da brilhantina, passando pelo universo quase utópico de Glee, até o fenômeno geracional de High School Musical, sim, da Disney. Sempre acreditei que a vida seria um pouco mais interessante se, em certos momentos, simplesmente irrompêssemos em música.

E talvez tenha sido exatamente isso que senti ao assistir Madonna ao lado de Sabrina Carpenter no palco do Coachella. Não era apenas uma performance. Era um encontro de tempos, de versões, de mulheres. Quando os primeiros acordes de Like a Prayer começaram, algo dentro de mim reconheceu aquele instante como um daqueles raros momentos em que passado e presente não competem, eles dançam juntos.

(Foto: Dri Spaca para Papelpop a partir de YouTube)

E, curiosamente, minha mente fez uma conexão quase automática com o último desfile da Dolce & Gabbana. Fevereiro ainda ecoa na memória com aquela mulher envolta em renda, assumindo sua sensualidade com precisão e intenção. Não como provocação vazia, mas como afirmação. Como linguagem. Como escolha.

Foto: Getty

Porque, no fim, talvez seja isso que esteja no ar agora: uma narrativa em que o desejo feminino não precisa mais ser traduzido, ele simplesmente existe.

Então, mulher, hoje o convite é outro.

Escolha sua bebida favorita: vinho, chá ou até um suco despretensioso. Dê play na sua versão preferida de Like a Prayer. E permita-se entrar nessa curadoria não como espectadora, mas como protagonista. Porque, no fim das contas… não é exatamente isso que estamos buscando? Uma vida que, de vez em quando, tenha trilha sonora.

Like a Prayer – Madonna

Like a Prayer – Glee

Like a Prazer – Miley

No desfile da Dolce & Gabbana em fevereiro, vimos a lingerie ora como um detalhe sutil, ora como peça protagonista insinuando-se entre as lapelas de um blazer com a precisão de um segredo bem guardado. Mas, nas passarelas, ela foi além do detalhe: transformou-se em linguagem.

Foto reprodução

Rendas negras, transparências quase etéreas, corseteria aparente e slips que pareciam flutuar pelo corpo surgiram não como provocação, mas como sofisticação. A lingerie deixou de pertencer apenas ao íntimo para ocupar o espaço do styling, da alfaiataria e do poder. Uma lingerie sob a alfaiataria não parecia exposição, parecia argumento.

Foto reprodução.

E então me vi determinada a encontrar uma marca brasileira que traduzisse essa essência, esse equilíbrio raro entre sensualidade, refinamento e design com intenção. Foi assim que encontrei e me apaixonei por a OH Studio Lingerie, criada pela talentosa Cibeli Silva.

Eu já havia cruzado com a marca antes, mas, como tudo que é especial, ela pediu o momento certo para acontecer. E ele chegou.

Chegou quando a conversa sobre lingerie deixou de ser apenas sobre o que se esconde sob a roupa e passou a ser sobre o que sustenta a forma como nos apresentamos ao mundo. Chegou quando entendi que o luxo também mora no toque de um tecido, no desenho de uma renda, na arquitetura silenciosa de uma peça feita para ser sentida antes mesmo de ser vista.

Porque a OH Studio Lingerie habita exatamente esse território: entre o íntimo e o editorial. Há algo de boudoir parisiense, algo de mulher contemporânea e, ao mesmo tempo, uma delicadeza muito brasileira nesse olhar.

Algumas peças não entram no closet, entram na narrativa. E certas descobertas não são compras, são encontros.

Então fica aqui a minha curadoria de peças da OH Studio Lingerie, com um olhar inspirado na estética da Dolce & Gabbana para você ousar, no seu tempo, do seu jeito.

Você encontra as peças no Instagram @ohstudiolingerie e no site https://www.ohstudiolingerie.com

Vozes que editam o agora: Os nomes que estão redefinindo o jornalismo de moda 

Existe algo quase íntimo em escolher quem nos conta o mundo.

Porque, no fundo, jornalismo nunca foi só sobre fatos, é sobre lente, sensibilidade, coragem… e, às vezes, até sobre silêncio. Em tempos em que tudo acontece rápido demais, eu me pego pensando: quem são as vozes que realmente valem a pausa? Quem traduz o caos com elegância, profundidade e verdade?

No dia do jornalista, a pergunta não é apenas “quem informar?”, mas “quem me faz sentir enquanto informa?”.

Essa é uma curadoria para acompanhar de perto. Para ler com calma. Para admirar o texto, a presença, a estética… e, claro, a inteligência por trás de cada linha.

1- Rener Oliveira

Entre uma manchete e outra, existem narrativas que acolhem, provocam e, discretamente, transformam a forma como enxergamos tudo ao redor. E talvez seja isso que mais me fascine: jornalistas que não apenas noticiam o mundo, mas o editam com alma.

Foto reprodução Instagram

Rener Oliveira é daqueles nomes que traduzem a moda para além da estética, ele a lê como linguagem, comportamento e potência cultural. Especialista em Comunicação, Marcas e Consumo, sua história começa no varejo, entre araras e narrativas silenciosas, e evolui para um olhar crítico e sofisticado sobre a indústria.

Formado em Jornalismo, construiu uma presença autoral que ultrapassou fronteiras e chamou atenção de nomes importantes do setor. Ao lado de Daniela Falcão, integrou a plataforma NORDESTESSE, ampliando o foco para a valorização de saberes ancestrais e da criatividade nordestina.

Com reconhecimento de veículos como Glamour Brasil, ELLE Brasil, Estadão e Metrópoles, Rener segue construindo uma narrativa que não apenas acompanha a moda, mas a questiona, com urgência, inteligência e muita personalidade.

Porque, no fim, estilo também é sobre ponto de vista.

2- Dani Xavier

Foto reprodução Instagram

Daniela Xavier é uma das vozes que traduzem o agora da moda com precisão e, mais do que isso, com consciência. À frente da Hylentino, onde atua como editora-chefe, Daniela conduz um jornalismo que vai além da superfície: informa, contextualiza e, sobretudo, questiona.

Seu trabalho se debruça sobre a moda como fenômeno cultural, conectando estética, comportamento e sociedade com um olhar crítico e necessário. Em um cenário onde tudo parece efêmero, sua abordagem resgata profundidade, transformando tendência em reflexão e notícia em narrativa.

Porque acompanhar moda hoje exige mais do que repertório.

Exige leitura de mundo.

3- Antonnio Italiano

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Diretor e fundador da VAM Magazine é daqueles nomes que entendem que boas histórias começam com boas perguntas. À frente da VAM Magazine, construiu um portfólio de entrevistas que revelam mais do que trajetórias, revelam camadas, intenções e visões de mundo.

Com um olhar apurado e uma escuta rara, seu trabalho transita entre direção criativa e jornalismo, criando encontros que ficam. Em cada conversa, existe uma curadoria cuidadosa: de pessoas, de narrativas e, principalmente, de profundidade.

Porque, no fim, entrevistar também é uma forma de arte e poucos fazem disso algo realmente memorável. 

4- Luiza Brasil

Foto reprodução Instagram

Luiza Brasil é daquelas presenças que expandem o próprio significado de fazer jornalismo de moda. Multifacetada e inquieta, ela constrói narrativas que atravessam estética, identidade e cultura, sempre com um olhar afiado e necessário.

Idealizadora da Mequetrefismos e CEO do MequeLab, Luiza também assina colunas na Vogue Brasil, é autora de Caixa Preta e a voz por trás do podcast Me Sinto Pronta.

Sua trajetória revela exatamente o que o jornalismo de moda exige hoje: mais do que informar, é preciso interpretar, provocar e construir pontes entre a indústria e o mundo real. Em um cenário em constante transformação, Luiza se firma como referência, não apenas pela credibilidade, mas pela capacidade de abrir caminhos.

Porque, no fim, comunicar moda também é disputar narrativa. E ela sabe exatamente como fazer isso.

O essencial bem editado: A estética do Aussie Makeup

Durante muito tempo, a beleza foi construída sobre camadas de produto, de técnica, de expectativa. Mas, como tudo que é levado ao excesso, ela começou a pedir respiro.

É nesse intervalo que o Aussie makeup se estabelece.

Mais do que uma tendência, ele surge como uma curadoria. Uma edição cuidadosa do que realmente importa: pele que respira, luz natural, texturas leves e uma estética que não tenta esconder, apenas revelar. Inspirado pelo estilo de vida australiano, onde o sol, o mar e a espontaneidade fazem parte do cotidiano, esse movimento propõe uma beleza que parece acontecer sem esforço… mas que, na verdade, é profundamente intencional.

Aqui, não se trata de fazer menos , mas de escolher melhor.

O Aussie makeup não elimina etapas, ele redefine prioridades. Troca a perfeição construída por uma luminosidade real, substitui o excesso por precisão e transforma o natural em algo aspiracional.

E, para traduzir essa estética na prática, uma curadoria também se faz necessária. Pensando nisso, separamos alguns produtos-chave que a maquiadora Jenna Bellhouse referência nesse estilo de maquiagem indica para ajudar a reproduzir essa técnica. Produtos que não pesam, não escondem, mas realçam, iluminam e acompanham a pele em vez de transformá-la.

Foto reprodução Instagram @facebyjenn
Foto reprodução Instagram @facebyjenn
Foto reprodução Instagram @facebyjenn
Foto reprodução Instagram @facebyjenn

Herō: a beleza em estado puro

Foto reprodução instagram @heroskinbeauty

Existe algo de profundamente encantador em descobrir uma marca. Mas, quando ela nasce em solo brasileiro, o encanto ganha uma camada quase íntima. Talvez seja o orgulho silencioso de ver a nossa estética ganhar forma. Ou aquela sensação sutil de reconhecimento, como se cada criação carregasse um sotaque familiar.

Sempre fui dessas que observam de perto quem constrói beleza com as próprias mãos. Maquiadores, para mim, nunca foram apenas profissionais, são narradores visuais, tradutores de identidade. E, no meio desse fascínio antigo, existe um nome que há tempos ocupa um lugar especial no meu repertório pessoal de admiração: Helder Rodrigues.

Foto reprodução Instagram @herorodrigues

Porque algumas descobertas não são apenas sobre marcas. São sobre pessoas que, com sensibilidade e assinatura própria, transformam o ordinário em algo memorável. E talvez seja exatamente aí, nesse lugar quase invisível que o verdadeiro luxo comece.

Ao longo dos anos, Helder não apenas construiu uma carreira, ele desenhou uma estética. Sua assinatura percorreu editoriais de beleza nas revistas mais relevantes do país, onde cada rosto deixa de ser apenas imagem para se tornar narrativa. Nos bastidores dos desfiles entre luzes apressadas e olhares atentos, é ele quem dita o ritmo silencioso da beleza que atravessa as passarelas.

Foto reprodução Instagram @herorodrigues

Há algo de muito particular em seu trabalho: não se trata apenas de maquiar, mas de revelar. De entender o que cada imagem pede antes mesmo de ela existir por completo. Talvez por isso, seu nome tenha se tornado presença constante onde a beleza precisa ir além do óbvio, seja nas páginas impressas, seja naquele instante efêmero, porém inesquecível, de um desfile.

E então, como toda boa história que evolui com intenção, Helder transformou sua linguagem em algo tangível. Criou a Herō e, com ela, uma nova forma de pensar beleza.

Em 2025, a marca celebrou quatro anos e inaugurou sua primeira loja física em Pinheiros, em São Paulo. A loja Herō vai além do conceito tradicional de varejo: é um espaço que convida ao ritual. Inspirado na intimidade de um banheiro, esse cenário quase confidencial onde a beleza acontece de forma mais honesta, o ambiente reproduz a sensação de estar diante da própria bancada, transformando o autocuidado em experiência sensorial.

Herô, em São Paulo Mucio Ricardo

Ali, os produtos revelam a essência da marca: multifuncionais, intuitivos e descomplicados. Mas, no meio de tudo isso entre experiência, espaço e narrativa, é na maquiagem que a Herō parece sussurrar seu verdadeiro manifesto.

A Herō Beauté nasce como uma marca vegana, natural e multifuncional, traduzindo anos de backstage em poucos, porém precisos, produtos. O lançamento inicial, com dois balms multifuncionais, diz muito sem precisar dizer demais. Porque, talvez, depois de tanto excesso, o luxo contemporâneo esteja justamente na edição no que fica, não no que sobra.

Foto reprodução instagram @heroskinbeauty

Para quem vive os bastidores da moda, o nome de Helder Rodrigues já é sinônimo de repertório. Há mais de uma década, ele assina a beleza de desfiles e campanhas para marcas como Ellus, Ara Vartanian, Rócio Canvas e Normando, além de editoriais para títulos como Marie Claire, Bazaar e FFW.

Mas aqui, há uma mudança sutil quase imperceptível, mas definitiva.

Se antes Helder interpretava a beleza de outros, agora ele propõe a sua própria.

E, no fim, não pude deixar de me perguntar, como toda boa história de beleza pede:
será que, em um mundo onde tudo tenta nos transformar, o verdadeiro luxo não esteja justamente nos produtos que nos permitem continuar sendo quem somos?

Se for, a Herō Beauté não é apenas uma marca de maquiagem.
É uma forma de voltar para si.